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A mostrar mensagens de Março, 2015

O INVERNO - Alvíssaras

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"Alvíssaras, capitão, Meu capitão meu General..."

Também eu te renego demónio. Deixa-me ficar com minha alma.

Eu sei o que fazes.
Vens de noite, inventando a tempestade e um novo pesadelo. Para me quebrares. Para me deixares moído e mal-disposto. Para me endividares. Queres vender-me invernos passados. Outras almas de veneno, mensagens corrompidas e aflições.

Eu já sei.
Já ouvi essas historietas todas. Já me passaram à frente dos olhos e até já as li.
Até tive de enjoar, carradas de imitações. Falsificações baratas cheias de vento frio. Uma substância nenhuma cheia de nada.

Hoje quando acordei já sabia o guião.
Como?
Tenho o texto decorado. Enraizado por todo o corpo. Batido por toda a estrada.
Foi só mais uma actuação.

Alvíssaras?
Podes ficar com as palmas todas que eu só quero que o Inverno acabe.

Da mim?
Mais nada.

O INVERNO - O que é constante

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Este Inverno já teve mais fibra.

Parece que quer desaparecer com um sorriso. Trocista o canalha!
Deixa o sol fazer a sua parte de dia, para depois me encolher à noite.
Nos passos que repito.
Nos passos onde me retiro.

O telefone nunca pára.
São outros tempos... Distantes dos dourados pechisbeque e das mentiras compulsivas. Pode ser até uma questão de hastes, de lentes ou de falta de olfacto.
Parece que a droga continua um bom negócio. Há fome de fartura e de mesura.
A extinção está por todo o lado e dá nestas coisas.

Admite.
Assume.
São outros tempos.

O telefone não se cansa.
Há uma estranha leveza... Mesmo quando tudo investe contra mim. Ainda assim... "Olha para ti. Feliz no desassossego."
Falo com botões, com espelhos, com o que tiver de ser. Falo porque ainda tenho voz.
Vou ficar rouco de tanto festejar. Perdi a conta aos pontos que tenho de avanço.
E balanço até dançar.

Estafa-te
Envelhece-te.
Que o teu tempo não é da mesma estirpe do meu.

O telefone é inevitável.

O INVERNO - Cheiras bem. Cheiras tão bem.

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Sabes disso porque continuas a precisar de uma mulher-a-dias.
Porque há gente louca por todo o lado a agir tão normalmente, que é de doentio.
Porque há espiões psicóticos em negação.
Porque não há rasgo que te atormente. Porque não tens medo. Porque já estás por tudo.

Deixo-me colidir.

Deslizo para dentro dos meus lençóis novos.
Ah... Viva o luxo.
Nada é pequeno demais a esta hora da noite. Não há memória que me possa angustiar, nem decisão futura que me apoquente.

Até desconfio do que escrevo e à cautela, faço a minha pausa para me certificar que nada explodiu. Que ninguém gritou. Que tudo continua tão calmo como antes.

Uma noite lenta.
Finalmente...
Merecida.
Acarinhada com uma nova saudade.
O teu cheiro.
Cheiras bem. Cheiras tão bem.

Sabes disso porque nada mais desejas.
Porque estás quase absoluto.
Porque só usas "quase" por falsa modéstia.
Porque te divertes com isso.

Deixo-me eclodir.

Resvalo brandamente para dentro do mim.
Que viva o júbilo.
Tudo me aquece sem me afoguear. Tudo me…

O INVERNO - Não corras

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"Coisas perigosas para fazer nú."

- Cozinhar.
- Andar de mota.
- Breakdance.
- Espirrar.
- Correr pelo meio do mato.

Continuo a precisar de uma mulher-a-dias.
Profissional e discreta. Escusa de passar a ferro.
Sou contra.
Dou-me mal com a falta de movimento.

Daí chegar tão depressa aquele momento arfante e lambuzado.
- Espera, espera...
(Não me apetece nada, mas tenho de por ordem no assunto.)
- Que foi?
- Não tenho preservativos. Não podemos fazer nada.
- Não sabes estar preparado?
(Obvio. A culpa é exclusivamente minha. Tenho de andar sempre pronto para a cobrição.)
- Não 'tava à espera. Não saio de casa a pensar que vai acontecer.
- Esquece isso...
- Como?
(Hã? Ouvi bem?)
- Não há problema... Eu tomo a pílula...
(Curiosamente isso não me deixa mais descansado.)
- É melhor não.
- Sério, entra dentro de mim. Não há stress. Já viste como estou?
 (Já. Já mas tenho de abandonar. Para bicheza já me basta a que anda por aí.)
- É melhor não arriscar.
- Não arriscas nada. Tranquilo. Eu porto-me bem.
(Es…

O INVERNO - Lagostins Judeus

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Preciso de uma mulher-a-dias

Sabes disso quando estendes roupa às quatro e vinte e cinco da madrugada.
Até podia ser ao contrário, mas não.

Preciso de uma mulher-a-dias e de saber o que querem dizer as minhas notas. Auxiliares de memória para gente doida com mania de artista, viciada em conceitos.
- Contemplar, absorver, criar, inventar, redefinir e marcar.

Mas porque raio escrevi eu Lagostins Judeus?

Mesmo quando estou indolente, depressivo ou derrotado nunca desligo. Não consigo. Os demónios saltam-me no peito a cantar... Coisas das causas... E por algum motivo faz-me sentido.

Sabes disto quando gostas de os ouvir cantar até ficares exausto. Até podia ser ao contrário, mas não.

Lagostins Judeus?
Uma piada de mau gosto sobre a circuncisão, ou uma metáfora anti-semita. Eles que põem em risco todas as outras espécies endémicas.
Rejeito a segunda.
Não faz o meu tipo e eu adoro os meus amigos Judeus. Adoro fazer a minha piada a meio do debate, "Cristão Novo, tenho três palavras para acalmar…

O INVERNO - Estou em entrevista... Sintoniza.

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A esta hora - e se tudo correu como esperado - devo estar na radio a falar sobre o EP novo da minha banda.

(Procura a frequência ou o link da emissão em https://www.facebook.com/amorterrorrock )

Já está?
Fixe!

Já agora façam "gosto" na página, partilhem com os vossos amigos, comprem qualquer coisa, passem no youtube, ouçam a música dez vezes seguidas - até gostarem dela - ou apoiem-nos de alguma forma.
Quem não gostar, que o diga publicamente.

Vocês têm o estranho poder de nos ajudarem de variadas formas.

Fica o apelo.

A esta hora devo estar com o meu amigo Bruno, a falar sobre coisas que não são necessariamente interessantes para todos os que gostam de Amor Terror ou que me lêem neste blog.
Por exemplo.
Normalmente vocês estão-se nas tintas para o "processo de gravação" ou para a "mistura dos temas". Também a mim me interessa muito mais o resultado final, que o tipo de cofragem utilizada na construção da casa.
(Este aparte foi mega rude. Literalmente das obras.)
E …

O INVERNO - Nunca me dei bem com o sono

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Este Inverno não tenho dormido nada.
Parece que estou a voltar à minha antiga doença do sono e isso é mau...
Muito mau.

Estou a prever um tratamento de choque.

Conheço estas histórias de cor.
São sérios e compridos planos de sequência. Cores arrastadas em composições complexas.
Lembro-me de todos os sonhos e de todos os pesadelos.
Enredos cruzados, de violência sensorial extrema.
Tudo... E com todas consequências.

Talvez esteja há demasiado tempo exposto.
Agressões variadas... Algumas auto-infligidas...

Mas que posso fazer eu?
Sou dos que gostam de sentir. Aproveitar todos os centímetros da estrada e inventar trajectórias.
E que se lixem os centímetros. Quero milímetros, detalhes, coisas sublimes e sem certezas.

É defeito.
E o feitio também é uma merda.

Boa noite.

O INVERNO - Nove conselhos para as gajas no Inverno

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1 - Não sejas chata.
Salvo algumas excepções, várias pessoas conseguem sentir a baixa de temperatura simultaneamente. Escusas de referir ao assunto constantemente.
Especialmente quando não queres estar no sitio onde estás.

2 - Arranja-te.
Curiosamente com o avançar da idade as mulheres vão ficando mais friorentas.
É normal que o homem comum estranhe tal característica. É que existe um tremendo contraste com a disponibilidade e resistência apresentada no passado... Quando a senhora tinha 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21 anos.
Depois houve um namorado, uma zanga, e os calores voltaram aos 28, 29, 30 anos.
Quanto mais solteiras e soltas, menos frio têm.
Lembra-te que existem sempre "coisas" mais quentes.

3 - Por cima e por baixo da roupa.
A cena dos pêlos continua. Não há defeso. Tudo a rapar e a aparar como dantes.
Não usas saia tantas vezes, nem vais à praia, mas se eu quisesse uma lixa... comprava!  

4 - Sim. Estás mais gorda.
É só isto.

5 - Aproveita e deixa os lugares comuns descan…