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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2015

O INVERNO - Visitas quentinhas

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Tudo para estar "quentinho".
Absolutamente tudo.

É esta demência que me interessa. É a loucura dos hibernantes que me fascina.
Tudo se transforma quando não estão "quentinhos".

Pessoas que passam três estações do ano num hedonismo narcisista extremo, delirando com espelhos, regendo a vida em função da aprovação dos outros... Não se importam do ridículo estado a que chegam durante o Inverno.

Tenham paciência.
Deixar de tomar banho, evitar sair de casa, entalar as calças do pijama nas meias... É ridículo.
Passar dias com uma tenaz na mão a "snifar" o fumo da fogueira, estar a ver televisão com um saco de água quente nas mãos, ou ter um cobertor com 250kg na cama... É ridículo.
- Ah mas eu só me sinto "quentinha" quando sinto "peso" em cima de mim.
Fácil. Tapa-te com um gordo.
Nem precisas desse pijama piroso tipo Auschwitz, que custou os olhos da cara.
Nem do robe da feira.
Nem das meias de lã da Nazaré.

De repente aí estão vocês... C…

O INVERNO - Visitas

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O Inverno é decadente.
Pelo menos o que eu conheço.
O boreal.
O que está sempre irritado e a irritar toda a gente, só porque tem de esperar pela Primavera. É um fanfarrão.
Nitidamente é a estação do ano com maiores problemas de autoestima.  

O Inverno insiste em esconder as pessoas. Em lhes mudar a cara.
Gosta de as tornar mais feias. Adora o desconforto. O desconsolo. O desalento.
E adora ser chato.

O Inverno só pode parecer bonito quanto todos os restantes estão piores.

É por estas e por outras que muitas pessoas evitam sair no Inverno. Não se sentem à vontade.
- Que se lixe. Vou hibernar. Acordo um bocadinho no Carnaval e depois "pufa". Volto a adormecer até ouvir um passarinho.
(entenda-se que segundo os parâmetros actuais, "ouvir um passarinho" significa, invejar alguém, depois de ver uma foto com algum sol numa qualquer rede social.)

Adiante.

Está aberta a época de "paneleirada" do costume: "Eu hoje não vou sair."
Porque está a chover. …

O INVERNO - Duas estrelas cadentes

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Há semanas que não durmo, porque há meses que não sossego.
E há anos que ando nisto.

Fico-me pela esperança de um dia não haver tanto dantes. É que preciso mesmo de ter o que fazer. Não gosto de me dispor à espera do nada, quando foi ele que me plantou ali... e por nada.

Fico-me por aqui.
Talvez para manter a paz e o sossego. Talvez tenha aqui alguma coisa entalada? Talvez seja por antes?
Talvez seja por dantes?

O dantes era normal.
Dantes havia Inverno, sem alertas ou alarmes.
Chovia, nevava, fazia frio... Era o que tinha de ser.
Era normal.

Hoje.
Hoje está tudo por fazer "à pala" do dantes e dos que vivem lá... mesmo no meio do dantes.

Para mim tanto faz. Resta-me agasalhar e para andar ao frio, com os olhos no céu. Coleccionando sonhos...

Juro.
Ontem vi duas estrelas cadentes.
Foram as duas para ti.

O INVERNO - Elas evangelizam

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Este Inverno fartam-se de bater ao portão.

Ao meu lado está um cão muito sério e atento. Pronto para tudo. Afinal de contas, é gente que não é cá da terra e com a gandinagem que anda por ai, há que ter prudência.

Andam ai a evangelizar.
Querem me salvar. Dar-me "uma palavrinha".

Costumam vir aos pares, de papel colorido nas mãos, cheios de fé alambicada e retórica fraquinha.
Trazem sempre o mesmo sorriso de missão, contido e cordial, enquanto me avaliam o espirito.
O pitch é rapido e inconsequente.
Agradeço e despeço-me educadamente, rebatendo a insistência ao desejar um resto de bom dia aos caminhantes.

Ou seja.
É sempre a mesma cantiga.

Mas como este inverno fartam-se de bater ao portão, cheguei à surpresa de encontrar quatro moças à entrada dos meus domínios.

Quatro.

Quatro raparigas novas.
Quatro miúdas sorridentes e felizes. Fervorosas missionárias, cheias de calor divino no peito.
Todas de saia.
Todas de botas.
Todas de cabelo apanhado e com aquele ar de "prof…

O INVERNO - Prólogo

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Eu não gosto muito do Inverno.
Nunca gostei!

Não sou amante dessas coisas.
Ter frio faz-me sentir um mariquinhas.
Desses mesmo. Daqueles que se mexem ao toque do desconforto. Encolhidos como se não lhes crescesse barba. Escondendo o peito como tivessem decote.

E não contem comigo para a extinção da "machesa".

Volto com essa missão,
Volto para liderar.

Volto para vos lembrar que há ainda mais um mês de Inverno.
Deste Inverno.
Deste que me aborrece com a sua cadência torturante.

Repetindo e vulgarizando toda uma espécie. Todos os dias, todos os dias, todos os dias, todos os dias, todos os dias, todos os dias, todos os dias, todos os dias, todos os dias... e mais copy pastes me apetecesse fazer.

Todos os dias uma merda qualquer.
Uma guerra, um escândalo, um assassinato, um atentado, uma brecha nova na civilização.

Volto para vos lembrar que são merdas desnecessárias. Que afinal de contas, também está nas vossas mãos fazerem alguma coisa além de engordarem. Além de se tentarem tornar em fa…