segunda-feira, julho 27, 2015

Do próprio

É normal teres saudades minhas.
Eu por vezes, também tenho saudades de mim mesmo.
Do próprio.

Mas não sinto que seja próprio. Devia ser outra coisa.

E dever é faltar e a mim custa-me ser lamentoso.
Só o faço por desabafo.
Só o faço porque quem não tem nada para dizer, desculpa-se.

Mas não sinto que seja próprio. Devia ser outra coisa.

E devia... mas não é.
Devia ser imaginável para ti.
Para que pudesses escolher. Para que a tua existência fosse mais que uma sorte. Para a liberdade.
A ti soa-te a coisa excêntrica.
A mim pulsa-me como direito divino.

É-me próprio.

Mas não sinto que seja próprio esconder-me.
Lamber feridas na escuridão.
Assistir de longe às tuas desprezíveis reacções passivo-agressivas... Reforçando ignorâncias.
Sabes que não tenho medo de infelizes. Nem de transtornados. Nem de cobardes.
Não tenho medo de ti.
Desconsidero as tuas infantilidades. As tuas sonsas agressões fugazes.
Vitórias que nunca vi.

Nada te pertence aqui.

Nem o breu.
Aqui... É tudo meu.

Tudo o que és. Tudo o que imaginas. Tudo o que sonhas.

Nem o breu.
Aqui... É tudo meu.


Repete em voz alta


"Nada me pertence aqui.

Nem o breu.
Aqui... Nada é meu.

Tudo o que sou. Tudo o que imagino. Tudo o que sonho.

Nem o breu.
Aqui... Nada é meu."


É TUDO MEU.


Percebe que não tens dimensão animal.
Não és estirpe. És excesso.
És o que és.
És apenas o que os outros entenderem.
E sai daqui antes que nada sejas.

Eu vou ficar por aqui mais um bocado.
Só por adorar estar no escuro.

É cedo demais para os demais.
É demasiado tarde para ti.
e é o que é... para mim.

É-me próprio.
É meu.

quarta-feira, julho 22, 2015

Merdas Sentimentais - I

I

- Merdas sentimentais. O problema disto tudo são Merdas Sentimentais.

Não se define... E ele nada inventa ou aumenta, quando lhe chega bem dentro, o vazio do que deveria chegar.
Ali não há exagero.
Não é como a maioria, gente que não se sabe comportar. A sua convicção nunca esbarra no ressentimento ou no entendimento alheio. Para ele são só Merdas Sentimentais, a causa disto tudo.

- É como estares a ouvir alguém por cortesia. Quanto não te apetece fazê-lo.
- Sim...
- Ficas ali com aquela cara. A tua única cara para todos aqueles momentos de desinteresse. É a cara menos genuína que tens.

Ele tem razão. Faço-o constantemente.

- E ali ficas. A testar a resistência até à tua pior desculpa. Não há microexpressão que te salve.

Ele ri. Tem uns dentes bonitos.

- Com sorte ninguém vai dar pelo teu enfado. Possivelmente só davam pela tua vontade depois de dares um tiro na cabeça.

Realmente... As pessoas estão de tal forma autocentradas, que ignoram toda e qualquer essência.

Eu mesma.
Ontem estava naquela festa de gente feia, a ouvir aquele casal medonho que tinha vindo de férias há pouquíssimo tempo. Dessas férias de merda que toda a gente faz para depois repetir o que toda a gente já repetiu.
Entre os enormes dentes da rapariga e o seu timbre de voz cortante, consegui escrever no telemóvel; "Mais vintes minutos. Assim que me despachar arranco. Quando chegares não faças barulho. A porta está aberta. Beijos."

- Aquilo é... ai - suspirou juntando a mão direita ao peito - Olha... Fiquei sem palavras.
Eu estou com a mesma expressão. Ela está com os mesmos dentes.
- O Luis feito parvo, não pôs protector e apanhou um escaldão enorme.
Ela ri e aponta para ele. O Luis é o imbecil castrado que está ao lado dela com o sorrisinho mais patético de sempre. Ali fica como uma mesa de cabeceira de camisa para dentro das calças. Treinou-se para se abstrair da quantidade de merdas desinteressantes, que a futura esposa diz por minuto.
Parece que o tempo não passa.

- Eu acho que ias gostar muito de lá ir - insiste apontando para mim com o copo da caipirinha.

Ela pisca-me o olho e manda-me aquele sorriso batido.

- Queres beber alguma coisa? - Pergunta-me o Luis com o seu ar "fixe".
- Vodka limão, se faz favor.
- E tu 'mor?
- Eu quero mais uma destas - disse apontando para o copo.
Assim que o Luis e a sua camisa arrancam para o bar, os dentes encostam-se a mim numa proximidade invulgar.
- Já tinha saudades tuas... Já há muito tempo que não falávamos.
Sim já há algum tempo que não assistia ao teu monologo.

E de mão no meu braço, num sussurro preciso e grave, me pergunta:
- Viste o Pedro?
Olhos nos olhos.
A primeira coisa que me ocorreu foi dizer a verdade.
Que o querido Pedrito, me anda a chatear há semanas. Até já me mandou uma fotografia depois da paneleirada do ginásio. Só hoje, tenho 1 "bom dia", 3 "olás" e 2 chamadas não atendidas. Tudo do Pedro.
- Não. Por acaso não.
- Achas que ele vem cá hoje?
- Não sei... Deve aparecer. Também não esta aí o Tiago "Mossa"... Se calhar vêm juntos. Mas isso não tinha já acabado?
Ela olha pelo ombro. A camisa continua ao balcão.
- O que é que queres? Ainda na antevéspera da viagem dormiu lá em casa. O Luis estava lá para cima...

Pim
"Mais hora e meia. Estou preso por aqui. Pode ser?"
Respondo
"Sim. Avisa depois."

Já vi tudo.

- Olha está ali o Pedro - dizem os dentes excitados.
- Onde?
- Ali a cumprimentar o Luis.

Que grande abraço dão eles.

Um minuto depois estou de vodka na mão a distribuir beijinhos.
- Liguei-te hoje - diz o Pedro ajeitando o colarinho da camisa.
- Ahh não vi. Desculpa - menti enquanto me chegava ao "Mossa" - Está tudo bem Tiago?
- Sempre - respondeu com um super sorriso - Olha este é Carlos.
- Prazer...

Dois beijinhos...

Cheira bem.

terça-feira, julho 21, 2015

FEL DAS VELHAS - Os pequenos

- A senhora tem aqui uma cadelinha tão bonita.
- É... Chama-se Bianca. Faz muita companhia... E é muito boa vigia. Dá sinal de tudo.
- É tão meiguinha.
- E agora 'tá magrinha que foi mãe. Eu tive até que deixar de lhe dar de comer... Você sabe... Enquanto o Joel não foi por os piquenos ao rio.

Nota do autor: Esta história é "mais que baseada" em factos reais.

quinta-feira, julho 16, 2015

Artur Gonçalves - Vamos a todas, não escapa nada



Desde que me lembro que vou a arraiais, bailaricos, festas de santos populares, na província e na cidade.
Sou um "moinante".
Gosto de vadiar com o resto da "trugia" noite fora, sem destino nem propósito. Fazer festa porque sim. Simplesmente por estar vivo.
Endoidecer aos poucos e ver nascer do sol.

É lindo.
É mágico.

É nessa vida que conhecemos o fabuloso carnaval que nos caracteriza.
É por aí que aprendemos Portugal.

Desde que me lembro que ouço um pouco por toda a parte, as rimas de Artur Gonçalves, roubando sorrisos.



(Eu também acho que o Bairro Alto está cheio de entulho.)

Hoje Artur Gonçalves luta contra o Alzaimer.
Espero que com um sorriso na cara.



quarta-feira, julho 15, 2015

FEL DAS VELHAS - A subtileza

- Ahhhhh. Tu é que és filha da Maria, não é?
- Sou. Sou sim.
- Ahhhhh... a tua era tão bonita... Era mesmo bonita quando era nova.
- Muito obrigado.
- Não és nada parecida com ela...

Nota do autor: Esta história é "mais que baseada" em factos reais.

segunda-feira, julho 13, 2015

FEL DAS VELHAS - Eras para ser um desmancho

As velhas rudes admiraram-se muito.
Ninguém sabe realmente a causa de tanto espanto. Empíricamente falando, as velhas rudes são mais susceptíveis ao factor surpresa que as restantes pessoas.

- Ahhhhh... Aqui estás tu. Olha como tu estás
- Olá Ti Lídia. ´Tá boazinha?
- Ai que rica menina. Estás tão bonita... E tu que nem eras para ter nascido! A tua avó e a tua mãe queriam que... tu percebes... o teu pai é que na tava de acordo... E eu também não. Eu bem lhe disse. Tudo se cria melher.

Nota do autor: Esta história é "mais que baseada" em factos reais.

quinta-feira, julho 09, 2015

HEY... PAROU...

HEY... PAROU...

Calma,
Calminha,
Ou como se dizia nos anos 80, Calmex!

Muito obrigado pelo interesse e agradeço a dedicação mas deixem-me chegar.
Sei que são os melhores leitores do mundo - graxa nível básico - e não tenho escrito com a frequência desejável, mas uma pessoa faz "coisas".

Podem deixar de enviar mensagens que o blog vai voltar em força.
Vai ser um verão a varrer.
Todas as semanas a dar-lhe na "rudelândia", com rubricas novas e muitas surpresas...

Agora vou acabar de fazer "coisas".  

Até já e obrigado pelo carinho.

Daniel
 

quarta-feira, março 18, 2015

O INVERNO - Alvíssaras



"Alvíssaras, capitão, Meu capitão meu General..."

Também eu te renego demónio. Deixa-me ficar com minha alma.

Eu sei o que fazes.
Vens de noite, inventando a tempestade e um novo pesadelo. Para me quebrares. Para me deixares moído e mal-disposto. Para me endividares. Queres vender-me invernos passados. Outras almas de veneno, mensagens corrompidas e aflições.

Eu já sei.
Já ouvi essas historietas todas. Já me passaram à frente dos olhos e até já as li.
Até tive de enjoar, carradas de imitações. Falsificações baratas cheias de vento frio. Uma substância nenhuma cheia de nada.

Hoje quando acordei já sabia o guião.
Como?
Tenho o texto decorado. Enraizado por todo o corpo. Batido por toda a estrada.
Foi só mais uma actuação.

Alvíssaras?
Podes ficar com as palmas todas que eu só quero que o Inverno acabe.

Da mim?
Mais nada.

terça-feira, março 17, 2015

O INVERNO - O que é constante



Este Inverno já teve mais fibra.

Parece que quer desaparecer com um sorriso. Trocista o canalha!
Deixa o sol fazer a sua parte de dia, para depois me encolher à noite.
Nos passos que repito.
Nos passos onde me retiro.

O telefone nunca pára.
São outros tempos... Distantes dos dourados pechisbeque e das mentiras compulsivas. Pode ser até uma questão de hastes, de lentes ou de falta de olfacto.
Parece que a droga continua um bom negócio. Há fome de fartura e de mesura.
A extinção está por todo o lado e dá nestas coisas.

Admite.
Assume.
São outros tempos.

O telefone não se cansa.
Há uma estranha leveza... Mesmo quando tudo investe contra mim. Ainda assim... "Olha para ti. Feliz no desassossego."
Falo com botões, com espelhos, com o que tiver de ser. Falo porque ainda tenho voz.
Vou ficar rouco de tanto festejar. Perdi a conta aos pontos que tenho de avanço.
E balanço até dançar.

Estafa-te
Envelhece-te.
Que o teu tempo não é da mesma estirpe do meu.

O telefone é inevitável.
Aparece na cama, nos bolsos, em cima da mesa, no sofá, no banco do lado. Aparece na tua mão de vontade em vontade.
Até parece que existe um código secreto... E sempre que és apanhada, parece que estiveste a treinar para derrotar o maior vilão da história.
Já não sei se te apanharam, se te deixas apanhar ou se és simplesmente apanhada.
Seja lá o que for.
Se calhar foi o Inverno que te mandou para tentares acabares comigo.

O que é constante!

Primeiro foi o Outono, depois a Primavera e o Verão. Agora o Inverno.
Foram eles que te mandaram não foi?

quinta-feira, março 12, 2015

O INVERNO - Cheiras bem. Cheiras tão bem.



Sabes disso porque continuas a precisar de uma mulher-a-dias.
Porque há gente louca por todo o lado a agir tão normalmente, que é de doentio.
Porque há espiões psicóticos em negação.
Porque não há rasgo que te atormente. Porque não tens medo. Porque já estás por tudo.

Deixo-me colidir.

Deslizo para dentro dos meus lençóis novos.
Ah... Viva o luxo.
Nada é pequeno demais a esta hora da noite. Não há memória que me possa angustiar, nem decisão futura que me apoquente.

Até desconfio do que escrevo e à cautela, faço a minha pausa para me certificar que nada explodiu. Que ninguém gritou. Que tudo continua tão calmo como antes.

Uma noite lenta.
Finalmente...
Merecida.
Acarinhada com uma nova saudade.
O teu cheiro.
Cheiras bem. Cheiras tão bem.

Sabes disso porque nada mais desejas.
Porque estás quase absoluto.
Porque só usas "quase" por falsa modéstia.
Porque te divertes com isso.

Deixo-me eclodir.

Resvalo brandamente para dentro do mim.
Que viva o júbilo.
Tudo me aquece sem me afoguear. Tudo me sustêm sem me cobrar. Tudo me aparece... É só fechar os olhos.

Uma noite lenta para triunfar.
Absolutamente...
Merecida.
Abençoada pelo acaso da multidão e pelo teu cheiro.

Cheiras bem. Cheiras tão bem.


quarta-feira, março 11, 2015

O INVERNO - Não corras



"Coisas perigosas para fazer nú."

- Cozinhar.
- Andar de mota.
- Breakdance.
- Espirrar.
- Correr pelo meio do mato.

Continuo a precisar de uma mulher-a-dias.
Profissional e discreta. Escusa de passar a ferro.
Sou contra.
Dou-me mal com a falta de movimento.

Daí chegar tão depressa aquele momento arfante e lambuzado.
- Espera, espera...
(Não me apetece nada, mas tenho de por ordem no assunto.)
- Que foi?
- Não tenho preservativos. Não podemos fazer nada.
- Não sabes estar preparado?
(Obvio. A culpa é exclusivamente minha. Tenho de andar sempre pronto para a cobrição.)
- Não 'tava à espera. Não saio de casa a pensar que vai acontecer.
- Esquece isso...
- Como?
(Hã? Ouvi bem?)
- Não há problema... Eu tomo a pílula...
(Curiosamente isso não me deixa mais descansado.)
- É melhor não.
- Sério, entra dentro de mim. Não há stress. Já viste como estou?
 (Já. Já mas tenho de abandonar. Para bicheza já me basta a que anda por aí.)
- É melhor não arriscar.
- Não arriscas nada. Tranquilo. Eu porto-me bem.
(Estou a ver que sim. Aliás eu quando digo a alguém para se portar bem, o que quero mesmo dizer é: Despeja o bar, dá cinco riscos de branca, beija-me à traição e insiste em ter sexo desprotegido comigo.)
- Não digo que não...
- Então, confia em mim. É na boa.
(De repente estou eu a levar com a conversa da virgem.)
- Eu confio, mas é que...
Ela agarra-me no pulso e num gemido humedece-me a mão direita.
(Antifúngico, auto-imune, teste, venérea, doida, amanhã, morte, retroviral, vírus, número, farmácia, droga, imunodeficiência, fim, bichos)
- Não vais desperdiçar isto, pois não?
(Se calhar vai ter mesmo de ser.)
- Eu não queria mas... E tu? Confias?
- Confio.
- Como é que sabes que estou limpo?
(Tentativa de consciencialização número... perdi a conta.)
- Tens cara disso.
(Já me esquecia. Dá para ver pela cara. Claro. Como é que não me lembrei disso antes?)
- Desculpa mas não vai dar. Sem preservativo não.
- Oh, mas é na boa. É só contigo. Sério... Prometo... Juro...
(Sim sim. Conta-me histórias.)
- Assim não estou bem. Têm paciência.
- De certeza que não?
- Não.
- Ok. Então deixa-me ligar à minha amiga. Talvez ela tenha alguma coisa.
(Custava muito?)

Amiguinhos... Sim vocês do escape livre - Fiem-se na não virgem e não corram!

"Coisas perigosas para fazer nú."
(Continuação.)

- Vindimar.
- Jogar polo.
- Votar.
- Pegar touros.
- Ir ao cinema.
- Rally tascas.
- Ladrilhar.
- Ser policia sinaleiro.
- Luta Greco-romana.

terça-feira, março 10, 2015

O INVERNO - Lagostins Judeus



Preciso de uma mulher-a-dias

Sabes disso quando estendes roupa às quatro e vinte e cinco da madrugada.
Até podia ser ao contrário, mas não.

Preciso de uma mulher-a-dias e de saber o que querem dizer as minhas notas. Auxiliares de memória para gente doida com mania de artista, viciada em conceitos.
- Contemplar, absorver, criar, inventar, redefinir e marcar.

Mas porque raio escrevi eu Lagostins Judeus?

Mesmo quando estou indolente, depressivo ou derrotado nunca desligo. Não consigo. Os demónios saltam-me no peito a cantar... Coisas das causas... E por algum motivo faz-me sentido.

Sabes disto quando gostas de os ouvir cantar até ficares exausto. Até podia ser ao contrário, mas não.

Lagostins Judeus?
Uma piada de mau gosto sobre a circuncisão, ou uma metáfora anti-semita. Eles que põem em risco todas as outras espécies endémicas.
Rejeito a segunda.
Não faz o meu tipo e eu adoro os meus amigos Judeus. Adoro fazer a minha piada a meio do debate, "Cristão Novo, tenho três palavras para acalmar a tua insolência: Marquês de Pombal."

Por outro lado, treinar Lagostins para excisar prepúcios parece-me extremamente difícil.

Sabes disso porque pouco te faz sentido mesmo quando te sentes. Até podia ser ao contrário, mas não.

Talvez esteja apenas debilitado. Tenho o sistema imunitário em baixo.
São demasiadas imagens.
Gentes estranhas a fumar ao pé de bebés. Forradas a ganga. Horas num estofador para combinar ganga com ganga, por cima de ganga.
Modas mitológicas. Pessoas vestidas com animais, ou como animais, ou imitando animais. Colete de pêlo, blusa tigresa e calças reptícias.
Tudo falso. Até a atitude.
Taxidermia em movimento.
Taxidermia cerebral.
As mais profundas fantasias em voz alta a todo o instante. Sem filtro e sem futuro. Para me testar, para me converter e para me atormentar.
Música vampiresca, minimalista e de série.
Amanhã acordas com uma narina entupida e uma dor de cabeça indigna.

Sabes disso quando ela arrancou as cuecas e ofereceu-se na tua boca. Até podia ser ao contrário, mas não.
Era só um pesadelo. Um trauma mais. Um toque malandro no jogo, só para te lembrares que estás dorido.
Sabes disso porque tens os lençóis rasgados e não te lembras de nada. Mais... Sabes que não te queres lembrar.

Vou experimentar fazer os tratamentos até ao fim. Ignorar as mensagens e as repetições. Resoluções para melhor decifrar o que o vento frio te esclarece. Já não. Nem ele. 
Também ele dormente me questiona confuso:
- Mas que raio queres dizer com isto dos Lagostins Judeus?
- Não sei. Mas que estupidez. Estou a ficar fora de controle. Vou-me entregar. Rendo-me à genética e à circunstancia. Vou assumir...

Quando viro a página leio.
"Coisas perigosas para fazer nú."

quarta-feira, março 04, 2015

O INVERNO - Nunca me dei bem com o sono



Este Inverno não tenho dormido nada.
Parece que estou a voltar à minha antiga doença do sono e isso é mau...
Muito mau.

Estou a prever um tratamento de choque.

Conheço estas histórias de cor.
São sérios e compridos planos de sequência. Cores arrastadas em composições complexas.
Lembro-me de todos os sonhos e de todos os pesadelos.
Enredos cruzados, de violência sensorial extrema.
Tudo... E com todas consequências.

Talvez esteja há demasiado tempo exposto.
Agressões variadas... Algumas auto-infligidas...

Mas que posso fazer eu?
Sou dos que gostam de sentir. Aproveitar todos os centímetros da estrada e inventar trajectórias.
E que se lixem os centímetros. Quero milímetros, detalhes, coisas sublimes e sem certezas.

É defeito.
E o feitio também é uma merda.

Boa noite.

terça-feira, março 03, 2015

O INVERNO - Nove conselhos para as gajas no Inverno



1 - Não sejas chata.
Salvo algumas excepções, várias pessoas conseguem sentir a baixa de temperatura simultaneamente. Escusas de referir ao assunto constantemente.
Especialmente quando não queres estar no sitio onde estás.

2 - Arranja-te.
Curiosamente com o avançar da idade as mulheres vão ficando mais friorentas.
É normal que o homem comum estranhe tal característica. É que existe um tremendo contraste com a disponibilidade e resistência apresentada no passado... Quando a senhora tinha 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21 anos.
Depois houve um namorado, uma zanga, e os calores voltaram aos 28, 29, 30 anos.
Quanto mais solteiras e soltas, menos frio têm.
Lembra-te que existem sempre "coisas" mais quentes.

3 - Por cima e por baixo da roupa.
A cena dos pêlos continua. Não há defeso. Tudo a rapar e a aparar como dantes.
Não usas saia tantas vezes, nem vais à praia, mas se eu quisesse uma lixa... comprava!  

4 - Sim. Estás mais gorda.
É só isto.

5 - Aproveita e deixa os lugares comuns descansados.
Refiro-me aquela perigosa fantasia de fazer amor em frente a uma lareira. No chão. Mesmo à filme.
Ora nos filmes o vento nunca muda de direcção, sequer saltam fagulhas direitinhas ao rabo de um gajo.

6 - Os Collants são uma invenção ou do diabo, ou da santa inquisição.
Quando surge aquele súbito momento de paixão e de repente, um par de collants pelo meio... epá... Todo o fervor, a entrega, o calor, a magia... desaparece. É aquele tipo de pausa mil vezes mais incomoda que por um preservativo.
Isto tudo depois de um gajo ter lutado com casacos, camisolas de gola alta, camisolas interiores,   calças e um soutien... básico.
É duro.

7 - Paciência é uma virtude.
Eu sei que tens saudades do verão.
É que existem uma data de fotos de gajas em bikini espalhadas pela internet, com essa legenda.
Cheguei a pensar que era um movimento de solidariedade.
Afinal é só...
São só saudades.

8 - A cama é de todos.
Quando partilhamos a cama com alguém, é possível - nem sempre acontece. Existem tipos mesmo muito mariquinhas - mas é possível, que tenha de existir algum tipo de acordo, a fim de evitar problemas.
Por exemplo.
Respeita o lado da cama de um homem. Nós não somos peluches - embora alguns pareçam - Não nos podem agarrar, abacelar e amarfanhar a noite inteira e esperar que acordemos bem dispostos.
Queres dormir ainda mais em cima de um gajo?
Outra coisa.
Acho que três edredões - e sim este é o plural de edredão - numa cama com duas pessoas, talvez seja um bocadinho quente demais.

9 - A verdade doi.
Sim. Continuas mais gorda.
Aceita-o sem dramas e não tentes arrastar os teus entes queridos para as compras. Protege-te emocionalmente.


quinta-feira, fevereiro 26, 2015

O INVERNO - Visitas quentinhas



Tudo para estar "quentinho".
Absolutamente tudo.

É esta demência que me interessa. É a loucura dos hibernantes que me fascina.
Tudo se transforma quando não estão "quentinhos".

Pessoas que passam três estações do ano num hedonismo narcisista extremo, delirando com espelhos, regendo a vida em função da aprovação dos outros... Não se importam do ridículo estado a que chegam durante o Inverno.

Tenham paciência.
Deixar de tomar banho, evitar sair de casa, entalar as calças do pijama nas meias... É ridículo.
Passar dias com uma tenaz na mão a "snifar" o fumo da fogueira, estar a ver televisão com um saco de água quente nas mãos, ou ter um cobertor com 250kg na cama... É ridículo.
- Ah mas eu só me sinto "quentinha" quando sinto "peso" em cima de mim.
Fácil. Tapa-te com um gordo.
Nem precisas desse pijama piroso tipo Auschwitz, que custou os olhos da cara.
Nem do robe da feira.
Nem das meias de lã da Nazaré.

De repente aí estão vocês... Curados de todas as inseguranças. Epá... Devia ser Inverno todo o ano. Podiam arrastar-se descorados, com esse ar desmaiado e uma talha de azeite na cabeça. Untados. Balançando o excesso de peso da cozinha para o sofá, sempre brilhantes e sempre "quentinhos".

É todo um novo mundo estético que vos assenta como uma luva.
Sim porque os hibernantes vibram com as suas preferências como se fossem autores de tão revolucionaria ideia.
- Mantas com mangas. Que fixe. Parecemos uns tontinhos. Vamos brincar aos fantasminhas ou à maçonaria?
- Eu cá adoro lençóis polares. Eu sou mais dos novos materiais. É que adoro suar à parva, de preferencia sempre na mesma posição. Tipo velcro, 'tás a ver?
- Para mim são os pijamas com bichos. Olhem para mim eu sou um animal fofinho com pantufas a condizer. E já que estou em regressão vou passar a usar babete nos restaurantes.
- Comprei um aquecedor de pés eléctrico. Aquilo é formidável.

Parem com isso.
Nem mais uma justificação. Há quem exagere nos comportamentos em relação ao frio.

Está provado.
O Inverno é um assunto psicológico!

quarta-feira, fevereiro 25, 2015

O INVERNO - Visitas



O Inverno é decadente.
Pelo menos o que eu conheço.
O boreal.
O que está sempre irritado e a irritar toda a gente, só porque tem de esperar pela Primavera. É um fanfarrão.
Nitidamente é a estação do ano com maiores problemas de autoestima.  

O Inverno insiste em esconder as pessoas. Em lhes mudar a cara.
Gosta de as tornar mais feias. Adora o desconforto. O desconsolo. O desalento.
E adora ser chato.

O Inverno só pode parecer bonito quanto todos os restantes estão piores.

É por estas e por outras que muitas pessoas evitam sair no Inverno. Não se sentem à vontade.
- Que se lixe. Vou hibernar. Acordo um bocadinho no Carnaval e depois "pufa". Volto a adormecer até ouvir um passarinho.
(entenda-se que segundo os parâmetros actuais, "ouvir um passarinho" significa, invejar alguém, depois de ver uma foto com algum sol numa qualquer rede social.)

Adiante.

Está aberta a época de "paneleirada" do costume: "Eu hoje não vou sair."
Porque está a chover. Porque está frio. Porque está engripado. Porque a namorada está engripada. Porque os filhos estão engripados. Porque os pais estão engripados. Porque o gato espirrou. Porque é tempo de passar os fins-de-semana em casa a ouvir chover e a ver filmes dos beras. Porque se está mais gordo. Porque já saiu antes, entretanto trocou para a roupa de casa e dá demasiado trabalho equipar-se para a intempérie...
- Mas se quiseres aparece aí. Tenho a lareira acesa e está quentinho cá em casa.
Tradução: Apanha tu frio.

Generalizou-se que só conhecemos o total esplendor da fealdade alheia, quando a vemos acordar. É nesse hediondo espectáculo que tudo se sabe.
Nada está mais longe da verdade.

Onde nós temos a percepção total do próximo - plasticamente e não só - no momento em que visitamos alguém no Inverno.

Devo confessar que este tema me causa algum assombro. Provavelmente terei de lidar com este terror durante longas noites de insónia.
E por onde começar...

Talvez pelo fracturante momento da chegada.
Uma pessoa está vestida decentemente e a outra parece um mendigo. Sinceramente não sei se lhe devo estender a mão ou lhe disponibilizar uns trocos para uma carcaça.
Durante o choque os meus pés esfregam com força um tapete castanho. Como se a violência aplicada naquele objecto expurgasse todos os males do mundo.
E ouço:
- Põe-te à vontade. Tira o casaco. Tens ali o sítio dos chapéus de chuva.
Sim porque os chapéus de chuva têm um sítio especial, geralmente a um canto, perto de um bengaleiro empoeirado, onde convivem uns com os outros enquanto escorrem, ou esperam... e eles esperam bastante.
Tiro a outra luva, o gorro, o cachecol e o casaco, deixando tudo em "ponto de fuga". É um reflexo.
- Senta-te. Queres alguma coisa?
- Não obrigado. Estive a beber chá há pouco. Não tenho vontade de nada.
E é quando o meu olhar atravessa a sala, que reparo no ser perigoso que se dispõe no sofá em posição Cleóptera.
Depois de sacudir os chinelos "apantufados à velho", recolhe-se no sofá, cobrindo-se da cintura para baixo com uma manta de cor duvidosa.
Um hino ao borboto.
No tronco exibe uma armadura esquisita - dizem que se chama robe - e ficam a sorrir para uma pessoa com um ar tresloucado.
Na minha cabeça um único refrão: Síndroma da cabana!
- Tens a certeza que não queres nada?

Muita atenção neste momento!
Estamos frente a frente com a fera.
Nada de movimentos bruscos.
Uma simples hesitação e podemos causar desconforto no hibernante. Correr o risco de o colocar em contacto com uma temperatura ligeiramente mais baixa, pode ser fatal.

- Não não. Deixa estar... Que estás a ver na televisão?
É importante distrai-los. Mudar o foco ao bicho.
- Olha nem sei. Tenho estado aqui toda a tarde a ver filmes de merda. Ontem vi a 2ª, 3ª e 4ª série daquela série... Porra. Aquela dos reis e das brigas.
Perda de memória, seguido de irritação. Mau gosto. Sinais evidentes de desequilbrio.
- Pois já sei, pois...
- Então e tu? Que tens feito?
Tenho vivido.
Eu optei por apanhar frio mas posso parecer-me com uma pessoa.
- Nada de especial - minto descaradamente.
- Pois. Está muito frio não é! Com o tempo assim não apetece.
Ninguém sabe o que é suposto apetecer, mas aceno com a cabeça, como se os nove graus centígrados que estão na rua, fossem os quarenta negativos da Sibéria.
- Aqui está-se bem!
Até dava para estar em tronco nu!
- Aqui está... Quentinho - dizem com aquele ar insano - Também tenho o desumidificador a funcionar há 8 dias.

O desumidificador, a lareira, o recuperador de calor, o aquecedor a óleo, o radiador, o radiador da casa de banho - porque Deus nos livre e guarde, de sentir uma brisa fria na ponta da pila durante dois segundos, enquanto pomos a toalha à volta do corpo.
"Tem de ser meu. A casa de banho está muita fria. Eu ligo aquilo sempre que lá vou... Quando vou cagar e tudo".
(Agora a situação sonoramente)
Caaaaaaaaajjjjjjjjjjjjjjjjjjjuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuhhhhhhhhhhh
Ploc
uhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
Ploc ploc
uhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
- Ehhhhhhh... Ahhh. Pfff
uhhhhhhhhhhhhhh
rehkkk rehkkk
- Autoclismo a descarregar.
uuuuuuuhhhh
Continuando.
A chaleira eléctrica, o cobertor eléctrico, o saco de água quente dos chineses, também ele... eléctrico.
(Isto quando não existe um ar condicionado envolvido. Isso já se sabe. Quando existe um comando a pilhas com números, uma pessoa muda de hemisfério. Brasil no Inverno. Groenlândia no Verão. É sempre "a bombar".)

Tudo para estar... Quentinho.

(Continua)

terça-feira, fevereiro 24, 2015

O INVERNO - Duas estrelas cadentes



Há semanas que não durmo, porque há meses que não sossego.
E há anos que ando nisto.

Fico-me pela esperança de um dia não haver tanto dantes. É que preciso mesmo de ter o que fazer. Não gosto de me dispor à espera do nada, quando foi ele que me plantou ali... e por nada.

Fico-me por aqui.
Talvez para manter a paz e o sossego. Talvez tenha aqui alguma coisa entalada? Talvez seja por antes?
Talvez seja por dantes?

O dantes era normal.
Dantes havia Inverno, sem alertas ou alarmes.
Chovia, nevava, fazia frio... Era o que tinha de ser.
Era normal.

Hoje.
Hoje está tudo por fazer "à pala" do dantes e dos que vivem lá... mesmo no meio do dantes.

Para mim tanto faz. Resta-me agasalhar e para andar ao frio, com os olhos no céu. Coleccionando sonhos...

Juro.
Ontem vi duas estrelas cadentes.
Foram as duas para ti.

quinta-feira, fevereiro 19, 2015

O INVERNO - Elas evangelizam



Este Inverno fartam-se de bater ao portão.

Ao meu lado está um cão muito sério e atento. Pronto para tudo. Afinal de contas, é gente que não é cá da terra e com a gandinagem que anda por ai, há que ter prudência.

Andam ai a evangelizar.
Querem me salvar. Dar-me "uma palavrinha".

Costumam vir aos pares, de papel colorido nas mãos, cheios de fé alambicada e retórica fraquinha.
Trazem sempre o mesmo sorriso de missão, contido e cordial, enquanto me avaliam o espirito.
O pitch é rapido e inconsequente.
Agradeço e despeço-me educadamente, rebatendo a insistência ao desejar um resto de bom dia aos caminhantes.

Ou seja.
É sempre a mesma cantiga.

Mas como este inverno fartam-se de bater ao portão, cheguei à surpresa de encontrar quatro moças à entrada dos meus domínios.

Quatro.

Quatro raparigas novas.
Quatro miúdas sorridentes e felizes. Fervorosas missionárias, cheias de calor divino no peito.
Todas de saia.
Todas de botas.
Todas de cabelo apanhado e com aquele ar de "professora safada".

- Olá, boa tarde - saudou a mais alta de forma arrastada.

Mas que camada de dourados que para aqui vai. Pechisbeque do bom. Sim senhor.

- Boa tarde - respondi com a minha melhor voz.

- Boa tarde - cumprimentaram as restantes cheias de dentes.

Está aqui um rebanho muito arranjadinho. É só unhas e madeixas. Glória Glória. Aleluia.

E a lider, liderou.
Inclinando a cabecita cheia de enfeites para o lado inquiriu:
- Então bem disposto? Como está?
- Estou bem muito obrigado.
- Já vi que sim - gracejou a loura da outra ponta do grupo, enquanto as outras deixam escapar um risinho maroto.

Que engraçado! Ficam logo com legendas. Basta terem uma amiguinha ao pé.

- Como disse? - Perguntei, fazendo-me despercebido.

Com um olhar fulminante, tipo 4 da manhã, respondeu-me desafiante.

- Já vi que está bem.

Deve ser do meu ar cristão. É da barba.

- Não estamos a incomodar? - certifica-se simpaticamente uma terceira com mais peito. Interrompendo o momento.

Ó Diabo. Isto aparece de todos os lados...

- Não, não... Diga.

E a lider, liderou.
- Nós estamos aqui para lhe dar uma palavrinha sobre "o Senhor". Sobre Cristo. Não sei se é crente?

Ah... Que pena. E eu cheio de pecado. Com a imaginação a correr solta, pelos quatro corpos destas santas almas.
Mudaram de estratégia de marketing, e eu estou tão longe da salvação.
Era um recorde.
O verdadeiro "Fim do Mundo".
Ora então vamos lá ouvir a cantiga do costume.

Blá blá, blá blá, blá blá, blá blá, blá blá, blá blá...

A loura toca-me no braço, fixando o olhar.
Com um sorriso pergunta:
- Desculpe... Mas... Não se lembra de mim?

Luz.
Agora sim.
Coincidencia milagrosa.

Um olhar fulminante, um sorriso de volta, uma conversa sobre a moda do gin, um top que explicava "god made me this way", um parque de estacionamento enlameado, uma gritaria das boas, um par de cuecas de renda vermelhas para o lixo, e uma frase que me sai da boca como um raio:
- Ainda tenho ali no carro os teus sapatos pretos.

É obvio que o nome dela é Maria.




quarta-feira, fevereiro 18, 2015

O INVERNO - Prólogo



Eu não gosto muito do Inverno.
Nunca gostei!

Não sou amante dessas coisas.
Ter frio faz-me sentir um mariquinhas.
Desses mesmo. Daqueles que se mexem ao toque do desconforto. Encolhidos como se não lhes crescesse barba. Escondendo o peito como tivessem decote.

E não contem comigo para a extinção da "machesa".

Volto com essa missão,
Volto para liderar.

Volto para vos lembrar que há ainda mais um mês de Inverno.
Deste Inverno.
Deste que me aborrece com a sua cadência torturante.

Repetindo e vulgarizando toda uma espécie. Todos os dias, todos os dias, todos os dias, todos os dias, todos os dias, todos os dias, todos os dias, todos os dias, todos os dias... e mais copy pastes me apetecesse fazer.

Todos os dias uma merda qualquer.
Uma guerra, um escândalo, um assassinato, um atentado, uma brecha nova na civilização.

Volto para vos lembrar que são merdas desnecessárias. Que afinal de contas, também está nas vossas mãos fazerem alguma coisa além de engordarem. Além de se tentarem tornar em falsos ídolos.
Eu, como falso profeta, vos predigo:
Vocês não são ninguém!

São livros para quem não sabe ler, versos para quem não os sente crescer, e linhas de quem não sabe viver, tudo isto por gente que não sabe escrever.
São notas sem rasgos ou tempo, vazias de qualquer sentimento, longe de ser mais que um momento, numa morte sem qualquer nascimento.
É frustração e pequenez. É medo e fuga. É traição e deslealdade. É ódio e vulgaridade a correr a sangue solto, com a força de uma turba de selvagens, só porque querem ser... o que nunca serão.

Estou farto do vosso Inverno.
Cobardes.
Reles.

Volto com essa missão,
Volto para liderar.

"Um elefante nunca esmaga um rato" disseram-me um dia. Essa puta dessa frase têm-me refreado ao longo de anos, como uma máxima zen que me devolve ao chão.
Eu acrescento: Depende do espaço e depende do número de ratos.

E eu nem estou zangado.
Estou só farto do vosso Inverno

A Dieta - 5 - A Pesagem

IMC - 26,33 Sobrepeso Não me posso pesar todos os dias. Diz que torna a malta ansiosa e acho que a ansiedade engorda. Posso-me pe...