segunda-feira, dezembro 30, 2013

Quentinho como o pijama da Estrudes

Ahhhhhhhh.
Como é bom deitar-me na minha cama e esticar-me até ao fim do mundo.

Lembro-me da minha lista.
Quase tudo foi riscado. Rasurado com muita força, para não haver dúvidas.
Quase.
Quase porque sou preguiçoso. Porque não gosto de levantar de manhã. Porque ainda tenho tempo.
- E se tudo correr bem, ainda vou a tempo.
Quase porque tenho a mania de nunca limpar o prato. É muito raro arear a louça com o último pedaço de pão.
Quase porque existem sempre restos. Sobra-me sempre alguma coisa.
Mesmo que seja obra do acaso, pura sorte ou graça divina.
Foi quase.
Mas se disponho de vantagem, porque a devo ignorar?

Este ano foi um milagre.
Quase que não conseguia.
Foi à justa.
Foi sempre a perder.

Recordo um tabuleiro de xadrez, onde cansado de perder, confrontei o senhor meu pai com a seguinte pergunta:
- Pai. Porque é que ganhas sempre?
Ele sorriu e respondeu muito calmamente.
- Para se ganhar, é preciso perder muitas vezes. E mesmo assim, ninguém ganha sempre.
Eu devia ter quatro ou cinco anos. Era pequenino... Mas já tinha construído a minha primeira obsessão. Estava dentro de mim.
Nasceu comigo.
Nasci amaldiçoado pela ideia de fazer o que ainda não foi feito. A ânsia de vencer sempre.
Uma coisa é certa.
Não me lembro de perder um jogo de xadrez desde então.
Recordo alguns empates, jogos complicados, mas derrotas não.

A culpa disto tudo é do meu pai.
Não é nada.
A culpa disto tudo é minha!
Há muito que jogo sozinho - Não admira que tenha endoidecido - Por maior que seja o esforço, não consigo ser "as brancas" e "as pretas" ao mesmo tempo.
Passei a vida a jogar contra mim mesmo. Empatando, uma e outra vez, até empatar um novo ou velho empate.
Serei sempre o meu maior inimigo.
Nem preciso de adversário. Nunca precisei.
É suicidio emocional.
A culpa é minha!
Está mais que provado.
Está documentado. Está estudado. Confirmado pelos melhores especialistas. Pelos piores também.
Está garantido que a culpa é minha.

Por mais que pense, não entendo porque faço isto a mim mesmo.

Parece bruxedo, mas não é... E se for, talvez nunca o venha a descobrir.
Se é, acompanha-me há muito tempo.

E há quem afirme, com o olhar mais sério do mundo, que é a única explicação.

Como não?
Sou perfeito.
Sou do contra. Um chato com retórica natural e instinto aguçado.
Tenho uma senhora consciência que se amantizou com a dor de pensar.
Poderes - que nunca revelarei - a coragem e o pior de mim, pronto a saltar cá para fora a cada confronto.
Um animal faminto, reactivo e impositivo, que nunca subestima o adversário.
Pior.
Aos caçadores furtivos que sonham com a minha extinção... Terão de dizimar o meu poderoso exército de salvação!
A gloriosa Realeza! A fina flor do Amor! A Elite!

Perdoem-me a arrogância, mas continuarei ardiloso.
Será difícil identificar onde acaba a realidade e começa a ficção. Destrinçar as personagens das pessoas reais.
Existem coisas que simplesmente não podem ser inventadas. Simplesmente acontecem.

Este ano foi um milagre.
Quase que não conseguia.
Foi à justa.
Foi sempre a perder.

Mas ainda estou quentinho.
Ainda sorrio feliz, com o coração cheio de calor.
Tal e qual como "o pijama da Estrudes".
Porque tudo o que aconteceu servirá um desígnio qualquer.
- Soa misterioso, mas as coisas funcionam assim.
Nos meus restos fico agradecido por ainda aqui estar. Contente por ter sobrevivido.
Abençoado.
(E há quem afirme, com o olhar mais sério do mundo, que é a única explicação.)
Como não?

Se este ano foi um milagre.
Quase que não conseguia.
Foi mesmo à justa.
Foi sempre a perder.

Já está.
Hoje deito-me quietinho, para amanhã riscar o resto da lista e deixar tudo arrumado.
Afinal vem ai o ano novo... e eu tenho tanto para fazer...
Mas desta vez à minha maneira.
Feliz e "quentinho como o pijama da Estrudes".


terça-feira, dezembro 24, 2013

OS PINGUINS NÃO MARCHAM, ABANAM-SE COM ESTILO! #15



FELIZ NATAL

Pudim do Velho

Da minha janela nada vejo.
Está escuro como sempre e desta vez chove sem dó.
Não ouço as antigas.
Não sei das velhas, que nunca puderam ser novas.
Imagino-as de volta dos fritos adocicados que enfeitarão a consoada.
Cismo nas suas memórias, e nas histórias que recordam enquanto cuidam do fogo.
Recordo as minhas velhas, cheio de saudades!
Os episódios que me contavam.
Palavras que me entraram na imaginação, de tantas noites como esta.

Sei que para lá do portão há um caminho para a cidade.
Natais de outros anos.
Coisas de quando era pequenino e carradas de prendas.
Como podia eu brincar com aquilo tudo sozinho?

Hoje aqui aguardo.
Num balanço sem descanso, de um ano, que já nem vejo da minha janela.
No final de uma torrente... Corrente que perde força.
Depois de um enorme ano,
Compulsivo, descritivo e doente.
O ano mais comprido da minha vida.

Aceito a incompreensão.
Já nem pazes há para fazer.
E assim que acabar a escrita,
Nem pensarei no que acabei de aprender.

Tenho sorte.
Sou sempre salvo pelo futuro.
Mas o resto nunca me abandona...
E por mais sofisticado que seja,
Acho estranho um Natal sem um pudim "do Velho".

domingo, dezembro 22, 2013

Sempre e para sempre

Um poema para ti?

Para que queres versos de quem não tem capacidade de amar?
E se tens - feliz ou infelizmente - porque não me amas hoje?
Agora.

Como te quero agora!
Como te quis sempre!
E mais...
Deixa-me ser o teu eterno amor, no teu silêncio, na tua falta de zelo, inteligência emocional, de comunicação, do não verbal.

Que também eu, te sinto sempre e para sempre!

Tens é de me dar a tua morada.
Só para um carteiro qualquer, te entregar o meu Amor... em mão!

Sempre e para sempre!

quarta-feira, dezembro 18, 2013

Os anos maravilhosos (Desculpa mas sou assim)

Como é bom voltar a ter tempo para escrever.
Para ouvir um disco.

Mas primeiro um cigarro.
Dos fortes. Dos que fazem mesmo mal.
Dos que acalmam.

"E como preciso de acalmar."
Pensei eu.
Talvez escrever qualquer coisa. Uma merda qualquer que me alivie a dor. Que assente o pó e que me devolva luz.

Não é fácil.
Sou nocturno de nascença. Sou do lado negro. Adoro o que é escuro e todas as silhuetas que as noites me dão.
Os melhores brilhos vibram de noite.
Não é fácil.

Não consigo abrandar.
Não vou estar aqui para sempre e o filho da puta do tempo, aperta-me os sonhos com malvadez.
O resto do mundo não sabe, mas pulso de outra maneira.
Tu sabes.
Se pudesse acelerava ainda mais. Sempre a fundo, quebrando os limites de velocidade, para alem da felicidade, numa extenuante euforia, redefinindo o significado da palavra.
Comigo tudo é intenso.
Comigo tudo é imenso.
Comigo neste estado não dá mais.

Ando à procura da batida certa para a canção perfeita.
Não é fácil.
Mas eu não sou fácil, nem me perco em simplicidades.
Resta-me a lenta busca.
Para acertar o passo. Para me sentir confortável no ritmo que me levará até à velhice que desejo.
Devagar como o caracol lá vou aprendendo.
Caminhando em direcção a uma luz diferente.
Aquela que nunca tinha visto antes.
Que nunca tinha sentido antes.

Assim e com todo o Amor.

Tu só estás a tentar respirar, mas roubo-te o ar.
Vê-se no teu corpo.
Vê-se no teu olhar.
Tu só estás a tentar ler, mas não saio da frente da luz.
E quando tentas dormir, acordo-te para me desculpar.
Desculpa não me rir no tempo certo.
Desculpa não te amar na altura certa.

Desculpa mas sou assim.

Assim e com todo o Amor, me despeço de ti.

quarta-feira, dezembro 11, 2013

VÁRIOS COM AÇO 2K13



Aqui fica um Vários com Aço de algumas coisas que andei a ouvir em 2013.
Ficam centenas de fora... o Deezer também não tem tudo.
Beijinhos e abraços

A Dieta - 5 - A Pesagem

IMC - 26,33 Sobrepeso Não me posso pesar todos os dias. Diz que torna a malta ansiosa e acho que a ansiedade engorda. Posso-me pe...