domingo, novembro 17, 2013

Luto

Por mais que fuja da tua memória.
Por mais que fuja dos teus dias.
Tu apanhas-me de noite.
À traição como sempre.
Mesmo quando nada posso fazer!

Acordar torto, meio estonteado.
De garganta seca e corpo dorido.
Acordar mais cedo para evitar pesadelos.
Abandonar imagens desfocadas que persistem em piscar.
É o que me resta.

É assim que faço este luto.
Nem me vou lembrando dele.
Fecho-me nas ideias, num silêncio baldio, pelos dias frios de sol presente.
Sem campas, enterros ou funerais.

Complicadamente desapareceste.
Assim de repente.
E não houve nada que pudesse ter feito, para te salvar

domingo, novembro 10, 2013

Mentirosa compulsiva

Ter qualquer tipo de relação com uma mentirosa compulsiva,
Dá muito trabalho.
Mesmo muito.
Esgota.
Desgasta até ficar torta. Consome até que entorna.
E nem tudo se pode entornar.

- Passou-te sequer pela cabeça estares comigo um bocadinho?
Sim ou não?
Aguardo resposta!
Se a desculpa é tempo, arranja o que quiseres.
Mente como me mentes.
Exemplarmente.
Constantemente.
Mas desenrasca-te.
Que não gosto que me façam de estúpido. Podes deixar isso para os outros.
(Aqueles que não adjectivarei.)
E podes até tentar, mas não podes enganar quem em nada acredita.

Sabe-lo bem.

Aguardo resposta!

Saboreio o teu fel, uma e outra vez.
Mas não te entendo.
Chegue a que horas chegar.
Toque em quem tenha de tocar.
Não te compreendo.
Mas que tu queres afinal?
Que queres de mim?
Imitar-me?
Insistes em fazeres as mesmas perguntas para as quais aguardo resposta!
Chega a ser infantil.
Bastaria me responderes com o coração aberto, sublimar verdade.

De uma vez por todas...
De uma vez por todas precisei de ti.
Nunca antes.
Nunca.
Mesmo nunca.
Tiveste a derradeira oportunidade.
E falhaste.
Como falhaste sempre.

Deixa-me sorrir resignado. Encolher os ombros e voltar para o meu lugar.
Cansei-me de ser a tua consciência.
Nem mais um soldado para essa guerra.
Quando o conflito é nosso, sabes simplesmente que não podes ganhar...
Esta é a excepção à regra!

E já nada aguardo.
Nem quero.

Para quê acrescentar mais enredo?
Basta.
Chega de agressões e jogo sujo.
Estou cansado de funerais.
Não há mais nada para dizer ou invadir.

Não há mais nada...

Morreste!
Que Deus te tenha em eterno descanso.
Paz à tua alma.

segunda-feira, novembro 04, 2013

O Divã - VII - A recaída



Acordo a meio da noite sobressaltado.
Irado.
Com vontade de mandar tudo à merda.
Sedento de acção. Que algo aconteça.
Parece que estou morto e que já nada sinto.

Arranco da cama num salto em busca das pantufas.
(Odeio estas pantufas. Ainda não percebi porque ainda não comprei umas de jeito.)
Desde pequeno que caminho pela casa no escuro. Vou espreitando os medos e lembrando-me dos filmes de terror. Estou sempre à espera que me apareça um fantasma, um espirito, uma aparição divina, alguma coisa que mate de susto repentinamente.
Mas não desisto.
Lá vou eu às cegas, tacteando paredes e maçanetas, pé ante pé, muito devagar.
Silencioso como um ninja.
(Eu sempre gostei de ninjas. Se houvesse um curso de ninjas, tinha-me candidatado.)
E custa.
Faz frio que dói.
Ele é húmido. Daqueles lixados que se entranham nos ossos.
Mas um ninja não teme e daqui até ao frigorifico são dezoito passos.
O meu objectivo é atingindo.
Da luz retiro um iogurte com aroma a morango. Daqueles bem doces.
(Só para acalmar ânsias.)
Em seguida busco a colher - que isso de beber iogurtes líquidos é para maricas - e venho para a janela larga, devorar o lacticínio.

Na rua as estrelas brilham para ninguém.
Brilharam para mim há pouco, quando vagabundei erroneamente.
Desorientado.
Esperando sei lá o quê.
Quem eu queria, não apareceu!
(Nunca aparece.)
Não é capaz de me vir dar um abraço!
Mente, volta a mentir, mas eu acredito sempre!
Acredito com todas as forças que me restam, que aparecerá.
Que está a caminho.
Que vai mandar mensagem.
Que ainda gosta de mim.

Mas não.
Ignora-me.
Caga para mim.
Sempre da pior maneira possível.
Mesmo para me magoar o mais que consiga.
E consegue.
Puta do caralho.
Uma pega de merda estúpida e reles. Uma rafeira. Uma atrasada sem um pingo de caracter ou compaixão.
O exemplo perfeito de tudo o que há de mal na raça humana.
Aquela vaca.
Aquela rameira drogada.
Aquela fingida, consegue e faz questão de me deixar completamente fora de mim.
Variado.
Possuído de todo.

E eu deixo!

Aaaaaaahhhhhhhhhhhhhhh!
Que nervos!
Chapo com a colher no lava louça, e arranco casa fora à biqueirada a tudo.
"Puta de merda! Como é que eu deixei que isto chegasse aqui?"
Por mais desculpas e cúmplices que arranje, esta merda só tem dois culpados: Eu e Ela.

Em pleno ataque de fúria lembro-me do divã.
A isto é que o paneleiro do meu terapeuta chama de recaída.
(Ele diz que é normal que de vez em quando me salte a tampa. É defeito de fabrico! Que apesar do meu enorme esforço e progresso, as coisas não se mudam de um dia para o outro. É um processo longo e penoso. Que apesar de existirem fortes probabilidades deste este tipo de situações, acontecerem ocasionalmente, diz que não me devo preocupar. Diz que estou no bom caminho. Que sou notoriamente corajoso, pela maneira como tenho frontalmente abordado a minha transformação.)
- Paneleirices! - penso eu à procura dos cigarros.

Foda-se.
Merda pa isto.
Só me apetece é rebentar com tudo. Derreter o Mundo.
Partir a murro e pontapé o que restar.
Até sangrar.
Até cair para o lado exausto.
Até... eu sei lá...
Estas merdas deixam-me cego de raiva.
Fico completamente louco.
Doente.
Demente.
Descontrolado.
Desequilibrado.

Não há droga nenhuma que me roube o pensamento de tamanha humilhação.
Por mais comprimidos que tome, por mais venenos que meta para dentro do meu corpo, nada me devolve a paz à alma.
É desesperante.

É tudo o que não quero ser!

Exaurido, caminho de um lado para o outro até a lucidez da desgraça me consumir.
A desgraça de nada ser.
O fado de acreditar.
A dor de pensar.
E o medo de não ter na minha vida mais Verão.

O cinzeiro está cheio. Pesado por ter nele tantas emoções.
Orgulhoso por ser o cemitério de tanta cólera.
Frenético por nele depositar, os restos de mais um majestoso festim de insensatez.

Num ápice, o cérebro dispara uma bala de gelo, acertando-me mesmo no fundo do peito.
"Devia parar de me agredir desta maneira!"
"Devia me deitar!"

É nesta altura que faço como todos os que estão à minha volta.
Desisto.
A subtil arte da desistência.
(Eu que nunca desisto. Eu que nem o sei desistir. Eu que nem sei bem como o farei.)

Desisto!

domingo, novembro 03, 2013

Raquel de Carvalho - Ilustradora

Já na próxima 3ª feira vou apresentar um novo projecto intitulado, "Os pinguins não marcham, abanam-se com estilo!"

São ensaios sobre o mundo oculto dos pinguins. A minha modesta tentativa de prestar homenagem a homens como Schultz, Jim Davis, Quino, Bill Watterson, Patrick McDonnell, Mordillo, e outros génios que através das suas criações, me influenciaram.
Certamente que a minha vida seria muito diferente.

(PAI - Desculpa mas nunca cursarei Direito!)

Ora eu não sei desenhar, mas tenho uma pessoa a tratar disso por mim. Chama-se Raquel Carvalho e é muito boa rapariguinha.

Aqui ficam os links do seu trabalho.
Espreitem.
Blog
http://raquelcilustra.blogspot.pt/
Facebook
https://www.facebook.com/RaquelDCarvalho7?fref=ts
https://www.facebook.com/RaqueLdeC

A Dieta - 5 - A Pesagem

IMC - 26,33 Sobrepeso Não me posso pesar todos os dias. Diz que torna a malta ansiosa e acho que a ansiedade engorda. Posso-me pe...