quinta-feira, outubro 31, 2013

OS PINGUINS NÃO MARCHAM, ABANAM-SE COM ESTILO!




OS PINGUINS NÃO MARCHAM, ABANAM-SE COM ESTILO!

Ai está a minha estreia na banda desenhada.
Eu escrevo e a arte fica a cargo da Raquel Carvalho.Ficam os primeiros esboços em baixo.

Todas as terças e quintas.
Até breve!



quinta-feira, outubro 24, 2013

Porno Amor e Xungaria - 15

Nem sei por onde acabar.

Nem sei por onde acabar...
Talvez pelo futuro?
Talvez nunca acabe.
Isso são coisas para o Tempo responder.
Se lhe apetecer.
E nem sempre lhe apetece.

Eu dou-me mal com o Tempo. Acho que ele é um filho da puta à antiga!
É pequeno, dançarino e velhaco.
Um batoteiro de primeira.
Nunca me deixa ganhar.
(Nem a mim nem a ninguém.)
Simplesmente altera as regras do jogo a seu belo prazer.
E deixa-me sempre com a estranha sensação de desejar tarde demais!

Fico frustrado.
Fico sedento.
Às duas por três, já não sei o que devo beber para matar tamanha sede.

Para mim é esquisito saber conjugar todos os tempos verbais, mas não os saber identificar!

Aí escolho.
(Nem sempre bem)
Decido-me por qualquer coisa e experimento tudo!
Literalmente.
É que tenho pavor à dormência.
Sou o que sou e há muito que desisti de pedir desculpas por isso.
(Há quem lhe chame arrogância ou orgulho ou outra merda qualquer.)
Prefiro arrepender-me.
Mil vezes arrepender-me.
É sinal que ainda acredito em alguma coisa.
Que estou vivo.
Que sinto.

Mas há quem prefira outro caminho.
Há quem não acredite.
Há quem prefira conforto, estabilidade e segurança!
(Tenho a perfeita noção, que existe uma data de gente chata no Mundo.)
E essa malta que muda sempre para pior.

Rapaziada.
Vai chegar um momento - no meio de uma discussão ou num simples momento rotineiro - onde vão dar com vossa mulher, a olhar para vocês de um modo estranho. É nesse momento que sentirão algo que jamais sentiram antes. Algo esquisito. Ela lá estará, com uma expressão vazia e baça olhando a vossa carantonha, segundos demais.
Ao resultado do vosso desconforto vocês perguntarão:
- Que foi?
- Nada - responderá ela muito displicentemente voltando a cara e continuando o que estava a fazer antes.
É esse o momento!
É ai que vocês descobrem que não foram a primeira escolha dela.
A primeira escolha dela, era o outro gajo.
Aquele de quem ela não gosta de falar. Aquele que sempre vos intrigou mais. Aquele que foi menos adjectivado.
Aquele tipo.
Esse mesmo.

Elas mudam sempre para pior!

E ele não era grande espingarda. Era apenas o que vocês nunca poderão ser.
Era fascinante.
E nunca lhe ofereceu flores.
Nem jantares. Nem prendas por ai além.
Nunca foi com ela à praia. Nem férias. Nem a pôs num pedestal.
E se calhar... mas só se calhar... Nunca lhe deu o devido valor.
Ele nunca soube o que quis, sequer sentiu necessidade de lhe oferecer mais alguma coisa, para alem dele mesmo.
(Se calhar ela também não merecia mais.)
Amiguinhos:
Vocês são uma invenção!
Um recurso.
Uma desistência.

E mais.
Ela entregou-se completamente a ele.
Ela marcou-o.
Ela sabe-o!
Ela leva-o no coração, bem escondido. Um prazer só dela. Uma memória sublime.
Ela marcou-o muito.
E ela sabe-o!
Ela ensinou-lhe muitas coisas. E ofereceu-lhe outras mais, que o outro já não vê ou sente.
Mas ela sabe-o!
Não há escuridão que os faça desaparecer.
Mesmo que queiram!
Mesmo que queiram muito!
(E tudo isto vem nos livros.)
Ela foi a sua musa.
Ela foi tudo para ele.
E ela sabe-o!

Querem tirar teimas?
Foram escolhidos? Algum vez sentiram que ela vos preferiu em detrimento de outro gajo?
Sabem quem era o outro gajo?
Adivinhem...

Sabem como funciona esta merda do Amor?
Estas coisas não se escolhem.
Não é suposto.

Nem imposto!

Ahhh
Mas com o vosso mal posso eu bem.
Tenho outros afazeres.
Tenho de me vender. Ser pop. Cumprir o destino de um prezado punkrocker.
Tenho de ir brigar com o Tempo.
Mais uma vez e sem luvas.
Numa luta onde vale tudo.
Arrumar o que fui e decidir o que quero ser.
(A minha terapeuta diz que é normal nas pessoas da minha idade, com a minha tipologia)
- Sim porque afinal, até eu tenho uma tipologia!

O impacto da descoberta é duro.

Eu que nem sabia que estava perdido.
Só me apercebi da minha condição, quando achei novos caminhos.
- Mas o que é que andei a fazer durante este tempo todo?

Sinto-me exausto.
A recuperar o fôlego, com os braços na borda do poço.
Sairei em breve.
Muito em breve.
Apenas preciso de respirar mais uma vez. Habituar-me a luz do sol.
Sinto gente a aproximar-se.
Vêm calmos e sorridentes, aquecendo-me o coração.
- Chegou a cavalaria.
Com mãos fortes e de uma só vez, puxam-me para fora do buraco. Sinto as pernas arranhadas pelo cimento, mas não sinto dor.
Ai estão eles, cheios de gracinhas e de Amor!
Sentam-se no chão em meu redor, abrem espaço para estender o meu corpo dorido, e ali fielmente me guardam, até me conseguir levantar.

Deitado num sofá, tapado por uma manta antiga, terei esta conversa.
 
- Então porque não me sinto triunfante por ter saído do poço? - questiono com o olhar no infinito.
- Não sei. Se calhar não o fizeste da forma que querias? Provavelmente querias sair do poço de outra maneira.
- Se calhar... Ou então, porque sei que existe sempre outro buraco. - interrompo calmamente.
- Mas isso é mesmo assim. Existem sempre mais poços. E à medida que o tempo passa, serão cada vez mais fundos. Tens de aprender. Tens de os contornar. Até os podes espreitar, olhar lá para dentro, mas um dia saberás como passar ao lado dessas situações.
- Saber que há sempre mais um poço, basta-me! É uma merda!
- Isso é o que se chama viver.
- Eu sei... É uma questão de controlo! Tenho a mania de querer controlar tudo.
- Ninguém controla tudo! - dizes enquanto me fazes chegar o cinzeiro.
- Bem sei. E não te deves esquecer do problema com o meu ego?
Olho para ti sorrindo.
Tu devolves o momento.
- Sim... Claro que sim. Mas ai a culpa não é só tua. Tens à tua volta muita gente que te vai massajando o ego.
Páras um segundo.
- Eu gosto desta expressão. "Massajar o ego".
E retomas a sentença
- Ali os tens de volta do menino. Do príncepezinho. - troças gesticulando com as mãos.
Respondo espirituosamente.
- Como queres que domine o meu ego, quando te tenho a ti?
(Golpe.)
Olhas para o lado e desvias-me do teu melhor sorriso.
- Essa também é boa. - respondes com postura - Vês. Não és humilde. Mas porque não podes apenas ter tido sorte? - perguntas muito contente.
Acho-te cada vez mais graça.
Assumindo tu a tua raridade, como posso eu ser humilde?  
Pretendentes nunca te faltaram.
Para mim é "selecção natural".
- Diz lá? - insistes.
- Ao pé de ti não posso. Mesmo neste estado sou bastante - respondo trocista - É uma questão de tempo. Não me posso por com máscaras e salamaleques. Tenho demasiado medo de morrer e de deixar coisas por fazer.
- Oh querido... Ja te disse. Enquanto estiveres comigo nada te acontece.
- Mas nunca fiando pequena... Nunca fiando...
- Eu acho que devíamos morrer novos. Enquanto somos bonitos. - voltas a brincar.
- Penso o contrario linda. Eu não quero isso para mim. Quero fazer e viver até ficar velhinho. Para depois fazer como os antigos fazem. Querer apenas viver mais um dia e contemplar tudo isto mais uma vez!
Com a tua maior doçura, agarras-me o braço suavemente. De voz limpa me dizes muito calmamente:
- Vais fazer isso tudo e viver mais dois dias. Um por ti e outro por mim.

O Amor vence sempre!

n.a - Este foi o último "post" da saga "PORNO AMOR e XUNGARIA". Para mim foi um prazer enorme escrever e partilhar convosco durante as ultimas três semanas, todo este turbilhão. Quinze momentos dos mais puros que consegui escrever. Coisas de gente doida. Foi uma oportunidade de experimentar novos estilos, brincar com a escrita, de me preparar para novos desafios, prestar homenagens, mas também de fazer terapia. Foi uma cura. Um ensaio sobre a verdade. Um exercício emocional denso e pesado, que nunca esquecerei.
A todos os que o leram. Muito obrigado e até breve.



quarta-feira, outubro 23, 2013

Porno Amor e Xungaria - 14

Achas que não tenho coragem? Achas que não sou capaz?

Quando era pequeno, ainda são e santo, alguém me avisou:
- Tem cuidado com gente doida. Nunca se sabe como vão reagir!
Tal como muitas outras vezes, ignorei o aviso e decidi descobrir por mim.
Não há nada como experimentar.
Adoro sentir!
Sou viciado!
Como se pode imaginar rapidamente deixei se ser são, e para santo não tenho a mínima vocação!
(Não vale rir.)

Dediquei-me à intensidade.
(Mas intensamente.)
Adoro sentir!
Sou viciado!
Muito dramaticamente dedicado à causa, vivo todo o tipo de romances e histórias, até ficar sem ar nos pulmões.
É que tenho medo de morrer.
Tenho medo de não ter tempo de fazer tudo o que vou inventando.
(O problema é esse! Eu vou sempre magicando uma coisa mais.)
É assim que devoro a vida até desmaiar de exaustão.
Até endoidecer.
(Na pior das hipóteses vou parar ao cadeirão da terapia.)

Eu sou dos antigos. Eu vareio! Eu vou a fundo e tudo adentro.
Sou perfeito para ir parar ao Julio de Matos.
Doidinho.
Passado de todo.
Com pancada das mais puras.
(Não é produto adulterado, nem merdas de meninos.)


Afinal de nada sabias?
Por mais que bisbilhotasses.
Por mais que espiasses.
Por mais que te viessem dizer.
(Escuso até de confessar o resto.)

Preferiste as palavras ignorantes, cheias de fumo, veneno e ferro velho que compraste por atacado.
Não foram caras nem baratas.
Foram um roubo!

Não te apercebeste da dimensão da coisa.
(Erro de principiante.)
É normal.
Subestimaste o Amor.

O que esperavas?
Ouvindo o que não querias ouvir!
Tinhas de acreditar.
(É assim que sabemos quem somos! Do que somos feitos!)

O que esperavas?
Impores-te?
Achas que isso está ao alcance de todos?
Quem to disse mentiu-te.

Agora tens uma trabalheira daquelas pela frente.
E não há contos de fadas ou conselhos de figurantes que te safem.
- Que não te arrependas até seres velhinha!
Mesmo que vendas o que resta do charme.
Mesmo que pegues no alicate de cortar ferro, ou que ponhas uma bomba na merda da ponte, fingindo que não me vês do outro lado do rio.
Mesmo que queimes todos os papeis, rasgando todas as memórias.
Não haverá nada que te console.

Aprendeste-me mal.
Só copiaste o que é mau.
E agora...
Agora é a tua vez de viveres uma vida dupla!

Tenho a certeza que te vais sair lindamente.






terça-feira, outubro 22, 2013

Porno Amor e Xungaria - 13

Incurável.

Como obter dignidade naquilo que não tem cura?
Ando a aprender.
Já são extracções a mais.
Daqui a pouco o meu corpo não aguentará uma anestesia.
Cirurgias e cicatrizes.
Tenho a alma cheia de tatuagens coloridas, contrastando com o resto do meu Mundo.

Olho lá para fora e tudo está cinzento!
Vai chovendo e fazendo vento mas não há cor.
Como é triste a "minha" vila aldeã a preto e branco. Fica tudo muito mais feio.

É nestes dias que me custa ver. São nestas horas em que me custa acreditar.
Quando tudo fica embaciado.
Quando a humidade chega ao osso.
Quando simplesmente não consigo ficar confortável.
(E eu preciso de estar confortável. Não consigo ser de outra forma. Cresci assim.)

Acordei transpirado e todo partido.
O corpo só me pede um banho.
A última coisa que me lembro, é de estarmos a acabar de tomar chá.
Hoje acordámos juntos e de manhã.
Sempre partiste!
Hoje ficaste!

Desabafo com voz de sono:
- Odeio este tempo.
De joelhos na cama e mãos no video pingado, chegas a cara ao reflexo.
A tua silhueta é divina!
Olhando pela janela e dizes-me sem ênfase.
- Está normal.
(Nada há nada de normal nesse corpo.)

Assisto aquele festival, estendido de barriga para cima numa cama revolta. Este leito não esconde ou disfarça nada. Foi uma noite daquelas.

Olhas para mim de repente e sorris.
(Aquele que só fazes para mim.)
Nua e solta mexes no cabelo enquanto te espreguiças.
Ficas ainda com mais curvas.
E todas elas falam comigo.

- Que foi? - perguntas divertida.
- Nada. Estou só a olhar para ti.
- É porque sou gostosa?
- Também! - respondo baixinho.
- Uhhh, ele acha-me gostosa! - respondes gozona - Uhhh, ele deseja-me!
Os teus olhos brilham.
De sorriso aberto, e muito lentamente, deslizas para dentro dos edredões, passando o teu corpo pelo meu.
Pele com pele!
Sinto-te suave.
Cheirosa.
Aqui me chegas. Gatinhando até te sentares em cima de mim.
Com as duas mãos agarras-me o rosto e depois de um beijo torto perguntas:
- Desejas-me muito?
Adoras fazer perguntas para as quais já sabes a resposta!
(Ajeitas-te)
Eu faço-te a vontade:
- Sim.
- Já viste os bicos das minhas maminhas?
(Por acaso já tinha reparado!)
- Adoro quando eles ficam assim! Sinto-me mesmo tesudona.
Os teus dedos finos apertam-te o peito cheio. Puxam e rodam o mamilos vaidosos.
Olhas-me nos olhos.
Há algo no meu fascínio que te deixa contente.
A tua mão malandra, procura-me em baixo.
- És mesmo tarado. Já estás com um pilão desgraçado!
(Agora a culpa é minha!)
- Não tens vergonha nenhuma!
Agarras-me com jeito e brincas um pouco. De beijo em beijo desces-me felina. Mordes-me o pescoço, beijas-me o peito. Depois a barriga.
Depois o resto.
(Não há que pedir licença para tamanho prazer!)
Para ficar maior e mais duro, até ficar sem sangue no cérebro.
Até o tempo parar.
Voltas à superficie e encaixas-me dentro de ti.
- Devagar... - Sussurras-me.
Ao primeiro movimento, ouço o teu melhor gemido!
Estás toda arrepiada.
As minhas mãos sentem-no.
A tua pele ondula pacientemente, abrindo-te aos poucos.
Cada vez mais molhada.
Com uma mão agarro-te o rabo. Com a outra, toco-te para te apressar, não achando um único pêlo, até me prenderes.
- Pára! Se não venho-me já!
(E qual é o mal pergunta o leitor? Nenhum, mas ela tem vergonha de se uma mulher abençoada.)
Mas eu não lhe faço a vontade. Agarro-lhe o peito com firmeza, mordisco-lhe o mamilo e faço-a vir com estrondo.
- Vou-me vir! - avisas-me enquanto me cravas as unhas no peito.
Deixas-te cair sobre o meu tronco e eu dou-te segundos para respirar fundo.
Nunca mais que segundos.
(Isto é só o começo.)
Viras-te ao contrario enquanto te agarro nas nádegas. Deixo-te ir enquanto brinco com o teu rabo. Abusas e entregas-te.
Aproveitas tudo o que consegues até perderes o fôlego.
Viro-te ao contrario e sinto-te escorrer como um rio no inverno.
Deixo-te termer e volto a entrar dentro de ti antes de parares.
Quando os nossos corpos suados se voltam a encontrar. Agarras-me com força.
Estamos a ferver. Quentes como o inferno.
E eu dou-te com força.
E ainda mais força.
Num ritmo animal. Misturando o doce e o sal, até me pedires para parar...
Precisas de te esticar. De espaço para respirar. De um momento para a cabeça tonta parar de rodar. Para sentires o latejar.
- Assim rebentas comigo... Estou farta de me vir! Já estou a ficar toda assada!
Mas as minhas ideias são outras.
Sou um tipo de malvadezas.
E por mais que peças para me vir, nunca gostei de te dar certezas.
Ponho-te de lado.
Entro por trás devagar, para sentir o teu corpo vibrar, deixar-te agarrar qualquer coisa.
Para não me puderes comparar!
Enquanto mordes o teu braço, enquanto arrancas os lençóis, enquanto seguras as mamas, faço-te vir comigo, num final de vibrante luxo.
(São segundos que me marcam anos.)
Sem dizer palavra saio para o lado, deixando-te escorrer. Bem como gostas.
(E como adoras sentir-te a escorrer. Excitas-te!)
Adoras sujar a cama toda. Aninhando-te em mim.
Mexendo-me.
- Mas tu ainda estás assim? És mesmo Porno!

Eu digo uma parvoíce qualquer, e falamos do que tiver de ser, até o resto do Mundo nos chamar.

Até lá... usas-me!
Usas-me em todas as tuas posições favoritas.
Nas tuas fantasias malditas. Nas tuas famosas desditas.
Até nas que nem consegues imaginar.

E é por isto que a nossa condição é crónica!
O que temos é incurável!






segunda-feira, outubro 21, 2013

Porno Amor e Xungaria - 12

Tenho uma hora.

Tenho uma hora para escrever sobre Porno Amor e Xungaria.
Estou ansioso.
Nervoso.
Nada me escorre do peito nem do cérebro. Sou um Xunga. Sou um nada por nada ter.

Dizias-me com Amor quando me procuravas:
- Vamos fazer Porno?
Porno?
Mas o que é isso de fazer Porno? Não era suposto estar uma maquina qualquer a filmar?
(Sorriso)
E até chegou a estar! Gravando todas as tuas fantasias num plano fixo e mal iluminado.
Porno que te deixava feliz.
Desejada.
Completa.
Livre.
Exausta.

Eras uma Deusa.

Todo o teu corpo me falava. Contava-me segredos. Fazia-me rir.
Quando havia Porno, perdia-se a noção do tempo.
Ouviam-se coisas lindas.
Melodias únicas impossíveis de escrever ou repetir.
Sempre diferentes.
Encaixados em busca do prazer supremo, entre experiências e manchas, sem vergonha nenhuma de tanto querer.
De querer mais e mais.

Bastava trocarmos olhares.
Bastava nos encostarmos.

Era até o corpo ceder.
As tuas cãibras, o galopar dos corações, os litros de suor perdidos, as dores que só começavam quando os corpos arrefeciam.
Porque a Alma nunca desistia!
(A Alma nunca desistiu.)
Escorrendo uma e outra vez, e mais contas que nunca conseguiremos fazer.
Misturando os nossos cheiros quentes, num perfume singular.
Até pairarmos, abraçados, com a cabeça vazia e o resto cheio de tudo.

E ficou tanto por fazer...

Pior!
Mas muito pior!

Há tanto por fazer!
(Escusas de sorrir!)
Sabes perfeitamente que nunca deixo nada a meio!

E uma hora não nos chega para nada...




domingo, outubro 20, 2013

Porno Amor e Xungaria - 11

MANIFESTO ANTI-XUNGARIA
por Daniel Filipe 
MEIO POETA RUDE, FUTURISTA E TUDO


BASTA PUM BASTA!
BASTA DE XUNGARIA!

UMA GERAÇÃO QUE CONSENTE DEIXAR-SE REPRESENTAR-SE PELA XUNGARIA É UMA GERAÇÃO QUE NUNCA O FOI! É UMA GERAÇÃO DE MERDA! É UM COIO D'INDIGENTES, D'INDIGNOS E DE CEGOS! É UMA RESMA DE CHARLATÕES E DE VENDIDOS, E SO PODE PARIR ABAIXO DE ZERO!

ABAIXO A GERAÇÃO!
MORTE À XUNGARIA!

MORRA A XUNGARIA, MORRA! PIM!

UMA GERAÇÃO PASTADA PELA XUNGARIA É UM REBANHO DE FALHADOS!

UMA GERAÇÃO COM A XUNGARIA À PROA É O TRIUNFO DO LODO!

A XUNGARIA NÃO DISTINGUE MERDA DE OURO!

A XUNGARIA TEM MOSCAS À VOLTA!

A XUNGARIA NÃO TEM PAI! NEM MÃE! NEM NINGUÉM QUE LHES DÊ EDUCAÇÃO!

A XUNGARIA DÁ MAU NOME À DROGA!

A XUNGARIA É ENCARDIDA! NEM COM UM ESFREGÃO DE ARAME SE PODE RETIRAR TÃO ENTRANHADO MAL! NEM COM UMA REBARBADORA!

A XUNGARIA TEM SEMPRE UM ASPECTO ASQUEROSO! DEVIAM SER LAVADOS COM UMA SOLUÇÃO DE LIXÍVIA E CREOLINA! E MESMO ASSIM DE NADA SERVIA!

A XUNGARIA CHEIRA MAL!


MORRA A XUNGARIA, MORRA!  PIM!

A XUNGARIA SABERÁ DE NADA, SABERÁ DO ZERO, MAS DE NADA QUER SABER!

A XUNGARIA SÓ USA A CABEÇA PARA SEGURAR OS CORNOS!

A XUNGARIA TEM NA ESTUPIDEZ A SUA MAIOR RIQUEZA!

A XUNGARIA NUNCA APRENDEU A LER, PORQUE DECORAR O ABECEDÁRIO ERA MUITO COMPLICADO!

A XUNGARIA TERÁ CONTEÚDO MAS NÃO SABE ESCREVER A PALAVRA!

A XUNGARIA MEXE OS LÁBIOS QUANDO LÊ LETRAS PEQUENINAS! SEGUINDO A FRASE COM O INDICADOR! TAL E QUAL OS ATRASADOS MENTAIS!

A XUNGARIA PODERÁ FAZER TUDO O QUE UMA PESSOA COMUM FAZ, EXCEPTO PENSAR!

A XUNGARIA É UM HINO À LOBOTOMIA DO EGAS MONIZ!

A XUNGARIA É A META DA DECADÊNCIA MENTAL!

A XUNGARIA É A EVIDÊNCIA DE QUE DARWIN ESTAVA ERRADO!

E AINDA HÁ QUEM NÃO SAIBA O QUE É XUNGARIA! QUE ACHE NORMAL SER XUNGA! EXISTE QUEM TEM PENA DE TAL GENTALHA!

E AINDA HÁ QUEM DUVIDE DA SUA EXISTÊNCIA! HÁ QUEM NÃO TENHA VERGONHA NA CARA! NEM NO CORPO! NEM NA ALMA! NEM EM NADA DE DECENTE!


MORRA A XUNGARIA, MORRA!  PIM!

A XUNGARIA PAGA AO DIABO!

E HAVERÁ QUEM OS VEJA NA MISSA! ARRASTANDO A PUTREFACÇÃO DOS SONSOS!

A XUNGARIA NÃO SE CONFESSA! ASSIM POUPA-SE A TESÃO AO PADRE E O VÓMITO A DEUS!

A XUNGARIA É O ANTI-CRISTO!

A XUNGARIA SÓ EXISTE PARA FAZER PESO AO CHÃO!

A XUNGARIA DEVIA SER ESTERILIZADA! A INTELIGÊNCIA ESTÁ EM EXTINÇÃO GRAÇAS AOS XUNGOSOS QUE DESTROEM OS HABITATS NATURAIS DA VIRTUDE!

A XUNGARIA É O EXEMPLO PERFEITO DE QUE AINDA SE ABORTA MUITO POUCO EM PORTUGAL!

A XUNGARIA TERÁ DIREITO À VIDA! A VIDA É QUE NÃO TERÁ DIREITO À XUNGARIA!

A XUNGARIA ENGRAVIDA COM FACILIDADE! GERALMENTE VÁRIAS VEZES! E CERTAMENTE VEZES A MAIS!

A XUNGARIA NADA MAIS É QUE UMA SÉRIE DE DESCUIDOS! TODOS FEITOS PELO LADO DO CÚ! AZARES DO PRÓPRIO MUNDO!

A XUNGARIA NÃO USA PRESERVATIVO! PARA ELES O COITO INTERROMPIDO É UMA TRADIÇÃO!

A XUNGARIA NÃO PERDE A VIRGINDADE! GANHA UM FUNGO! UMA INFECÇÃO! UM ARDOR! UMA VERMELHIDÃO! UM FURÚNCULO! UMA INFLAMAÇÃO!

A XUNGARIA COLECCIONA DOENÇAS GENITAIS!

A XUNGARIA VAI ÀS PUTAS!

A XUNGARIA VAI ÀS PUTAS! E NEM SEMPRE PAGA! MINTO! QUE COM PEGAS PAGA-SE SEMPRE! AS XUNGOSAS APENAS SÃO MAIS BARATAS! TÊM AS VIRTUDES E OS DEFEITOS DE UM CARRO VELHO! NUM STAND MANHOSO! SÃO FÁCEIS DE IDENTIFICAR - TRAZEM SEMPRE O UNIFORME DE PUTA VESTIDO - SIMPLES DE FUNCIONAR, MAS DE CERTEZA QUE FORAM MEXIDAS VEZES DEMAIS! EXISTIRÃO POUCAS PEÇAS DE ORIGEM! MUITAS DELAS FORAM BATIDAS E JÁ TÊM O CHASSIS EMPENADO! E HAVERÁ QUEM QUERIA SABER DA QUILOMETRAGEM! E HAVERÁ QUEM ACREDITE! AO QUE TÊM A INOCÊNCIA DE UMA CRIANÇA! AQUI LHES DIGO. ESSAS PECHINCHAS TÊM SEMPRE O CONTA QUILOMETROS MAFIADO!

AS XUNGOSAS SÃO PINDÉRICAS.!

AS XUNGOSAS SÃO A MORTE DO CHARME!

NUMA CENA DE ATAQUE, AS XUNGOSAS ESTÃO SEMPRE GARANTIDAS! SÃO AS RAINHAS DAS OPÇÕES DE MERDA!

AS XUNGOSAS NÃO SE QUEIXAM DO ASSÉDIO! CULTIVAM-NO!

AS XUNGOSAS OFENDEM-SE QUANDO LHES CHAMAM VACA, PORCA, PEGA, CADELA, POLDRA, ETC! MAS SÃO OS BICHOS QUE DEVEM FICAR OFENDIDOS!

AS XUNGOSAS GOSTAM DE SER FAMOSAS POR AS PESSOAS AS QUEREREM FODER! NADA MAIS!

E HAVERÁ QUEM DESCONHEÇA COMO EXISTE TANTA PORNOGRAFIA NA INTERNET!

A XUNGARIA TEM EJACULAÇÃO PRECOCE! A MENOS QUE A XUNGOSA SEJA LARGA DEMAIS! A MENOS QUE ESTEJA DROGADO! OU BEBADO!

A XUNGARIA NÃO FODE! NEM FAZ SEXO! NEM COBRE! NEM FAZ AMOR!
DESPEJA OS COLHÕES!

E HAVERÁ QUEM BATA PALMAS! E HAVERÁ QUEM GOSTE! E HAVERÁ QUEM ACHE MUITO BEM! HAVERÁ QUEM NÃO TENHA VERGONHA CARA! HAVERÁ SEMPRE PIOR!

A XUNGARIA LIMPA A PILA AO CORTINADO! E A RATA A QUALQUER COISA!


MORRA A XUNGARIA, MORRA! PIM!

A XUNGARIA PEGA-SE! É UMA EPIDEMIA!

É POLUIÇÃO! É ANTÍTESE DA CIVILIZAÇÃO!

A XUNGARIA É A NOVA CENSURA! EXERCITO DE ESCRAVOS INCONSCIENTES, PROGRAMADOS PARA DESTRUIR O QUE RESTA DE METAFÍSICA.

A XUNGARIA SÃO OS VERDADEIROS ZOMBIES! OS VERDADEIROS VAMPIROS!

A XUNGARIA NÃO RECONHECE ARTE! É INCAPAZ DE CONTEMPLAR QUALQUER TIPO DE IDEIA ABSTRACTA!

A XUNGARIA ESTÁ POR TODO O LADO MENOS ONDE DEVIA ESTAR! QUE É DEBAIXO DA TERRA.

A XUNGARIA PRECISAVA DE UM TIRO! OU DOIS! OU MAIS! DEPENDE DA PONTARIA!

O QUE A XUNGARIA PRECISAVA ERA DE UMA "SOLUÇÃO FINAL"!


MORRA A XUNGARIA, MORRA! PIM!

A XUNGARIA TEM SEMPRE A NECESSIDADE DE SER MAIS XUNGA!

A XUNGARIA É PANTOMINEIRA!

A XUNGARIA VESTE-SE MAL!

A XUNGARIA TEM TATUAGENS FOLEIRAS! E DEVIAM PERDER A VOZ ASSIM QUE COMEÇAM A CONTAR AS ABORRECIDAS HISTORIETAS, SOBRE OS PSEUDO-SIGNIFICADOS DAQUELAS PINTURAS RUPESTRES! ESTUPIDEZES!

COMO SE AS PESSOAS NORMAIS PRECISASSEM DE UM ATESTADO DE QUE A CARNE É XUNGA! E POBRE DE ESPIRITO!

A XUNGARIA É RIDÍCULA!

A XUNGARIA É INSOLENTE!

A XUNGARIA INVENTA VIDAS DE UM DIA PARA O OUTRO!

A XUNGARIA NÃO TEM SENTIMENTOS! É TUDO PLAGIO!

A XUNGARIA É COBARDE!

A XUNGARIA GOSTA DE ANDAR EM BANDO! ASSIM FAZEM MAIS DIFERENÇA À VISTA!

OLHAR PARA TAIS PAVÕES É COMO ME ESPETAREM DOIS GARFOS NOS OLHOS!

QUANDO ACABAR DE CAGAR A XUNGARIA PODE COMER À VONTADE!

A XUNGARIA NÃO OLHA UM HOMEM NOS OLHOS!

A XUNGARIA É POUCO DEMAIS PARA O CHEGAR A SER! É NEGATIVA.

A XUNGARIA NÃO AMA! NUNCA AMOU! NUNCA AMARÁ! ISSO É COISA QUE SE COPIA DAS VIDAS DOS NÃO XUNGAS! CENAS DE TELEVISÃO! TEMA DO UNICO LIVRO QUE TENTOU LER!

A XUNGARIA É O ESCARRO MAIS VERDE DA CONSCIÊNCIA!

SE A XUNGARIA É PORTUGUESA EU QUERO SER HESPANHOL!

A XUNGARIA NÃO TÊM FOTOS DAS PUTAS DAS MÃES NUAS, MAS SE ELES QUISEREM EU VENDO BARATO!

A XUNGARIA VOTA PORQUE É UM DIREITO E UM DEVER! PENA A PREMISSA NÃO SE APLICAR AOS SEUS CÉREBROS!

A XUNGARIA PRECISA DE AÇAIME!

E HAVERÁ GENTE QUE LHES TIRA DA CORRENTE! E HAVERÁ OUTROS QUE LHE QUEREM DAR UM BIDOM! E HAVERÁ APLAUSOS PARA TANTA IGNOMÍNIA!

A XUNGARIA É FEIA!

A XUNGARIA USA BONÉ!

A XUNGARIA É FASTIDIOSA!

A XUNGARIA PEDE EMPRÉSTIMOS PARA OSTENTAR MERDAS SEM INTERESSE ALGUM AO RESTO DOS VULGACHOS!

A XUNGARIA NÃO SE IMPORTA DE O SER! SIMPLESMENTE QUEREM SER ALGUMA COISA SEM NADA MERECEREM!


MORRA A XUNGARIA, MORRA! PIM!

"PORTUGAL QUE COM TODOS ESTA XUNGARIA, CONSEGUIU A CLASSIFICAÇÃO DO PAIZ MAIS ATRASADO DA EUROPA E DE TODO O MUNDO! O PAIZ MAIS SELVAGEM DE TODAS AS ÁFRICAS! O EXILIO DOS DEGRADADOS E DOS INDIFERENTES! A AFRICA RECLUSA DOS EUROPEUS! O ENTULHO DAS DESVANTAGENS E DOS SOBEJOS! PORTUGAL INTEIRO HA-DE ABRIR OS OLHOS UM DIA - SE É QUE A SUA CEGUEIRA NÃO É INCURÁVEL E ENTÃO GRITARÁ COMIGO, A MEU LADO, A NECESSIDADE QUE PORTUGAL TEM DE SER QUALQUER COISA DE ASSEADO!"

MORRA A XUNGARIA, MORRA! PIM!


Daniel Filipe


MEIO POETA RUDE
 FUTURISTA
 

e

TUDO


quinta-feira, outubro 17, 2013

Porno Amor e Xungaria - 10

Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és.

Eu avisei.
"Tem cuidado com as companhias".
Desculpa, mas ao mesmo tempo, não consigo parar de rir.
Eu sei que te irrita... mas não me contenho. Não aguento. É demasiado típico.
- Prometo que tentarei comportar-me devidamente.

Porém deves concordar comigo - nem que seja bem lá no fundo - que a velocidade com que as coisas mudaram, sugerem uma grande falta de elegância.
- Sugerir não é bem o verbo. Talvez "demonstrar".
Por maior que seja o teu lado sujo e maltrapilho, nunca irias atingir tamanha dimensão sem ajuda.
Conheço-te.
Sei que não caças. Esse não é o teu desporto.
- Tu és mais Bambi.
Não é da tua natureza criar tamanha confusão.
Sabes que sofres quando perderes o controlo do teu famoso desassossego. As ondas bravias de emoções, espetam contigo nas rochas. É dor a mais, para tão fragil ser.
- E sabe-lo por experiência própria.

Alguém te mostrou "como se faz".
Alguém com experiência de guerrilha.
Numa espécie de treino intensivo, fundamentalista e ideologicamente suportado.
- De que outra maneira se pode explicar tanto ataque e fuga? Tanto jogo duplo? Triplo até.
E que melhor recruta que uma pessoa perdida, desenraizada, frustada com a própria vida?
É uma questão de identificação.
Dinâmicas de manada.
- Sociologia pura e documentários do National Geographic.
Estando eu longe da vista, que melhor inspiração que outra alma atormentada?

Eu que fui o teu escritor favorito.
Acabei trocado por um bando de imberbes plagiadores de frases de facebook. Preferiste novelísticos clichês, cheios de verdades absolutas e sentenças de morte. Esses que tão católicamente apontam o dedo, julgando sob o seu próprio desígnio. Gente que escabrosamente encontra na tua infelicidade, o mais sórdido dos confortos.
(É menos uma coisa para invejar. É a raça dessa gente.)
- Soubessem eles da verdade...
Mesmo sabendo da tua ingenuidade e do teu duvidoso gosto, escusavas de ser tão pindérica.
- Chega a ser kitsch.

Sei-o porque depois de tanto me vulgarizares lá te escapou:
- És a excepção à regra.

Sentido e conformado, rio-me para não chorar.
Divirto-me porque te imagino a bufar, mexendo no cabelo nervosamente, desviando o teu olhar do meu.
Sempre com o corpo numa posição esquisita. Evitando que ele te denuncie ainda mais.
Tentando pensar em alguma coisa, que te desvie dos ouvidos, as palavras que entram bem para o fundo do teu cérebro.
Rezando para não acreditar.
Desviando a conversa para assuntos paralelos, que nada têm a ver, com os versos que te deixo no peito.
- Pudesses tu fechar esse coração.

Mas não podes.

Por mais que fujas e vidas que inventes. Por mais que esperneies e que grites.
Não podes.
Lamento informar-te, mas ao contrário do que os antigos dizem, uma mentira repetida mil vezes nunca chegará a ser verdade.
- Até eu já tentei. Aliás, melhores que eu tentaram e não tiveram sucesso.
E não há nada de triunfal nisto.
Só dor.
Nem tempo que a cure.
- Diz novamente a experiência.

Mas não podes.
Tem de ser de outra maneira.

Pára de fugir!
Não adianta dizeres que "falamos amanhã", ou "conversamos depois". Por mais que te custe falares comigo é a única maneira de resolvermos isto.
- Eu preciso de resolver isto. Não quero pontas soltas. Fazes parte da minha cura. Não preciso de outra tatuagem. São muitos anos desta merda. Tenho mais que fazer que passar a vida a gostar de ti.

E vais respondendo na confusão do costume.
"Um dia falamos e ficamos amigos. Quando conseguir."
"Já não me reconheço. Já não sei quem sou nem o que quero."
"Quero que me esqueças e não quero ouvir mais nada. Só fico pior. Não me faz bem. Não quero falar contigo. Deixa-me seguir a minha vida."
"Fomos os dois culpados. Eu sempre quis demasiadas coisas, sonhei demais e não me soube por no meu lugar. Resta-me ser uma miúda simples como sempre fui. Tentei ser mais, cheguei a acreditar que o era, mas parece que me enganei. E também não há mal em querer menos. Se calhar desejei mais do que queria e podia."
"Vou ver o que resta de mim. Nem sei o que pensar."
Eu com a minha - até agora desconhecida - paciência de Jó, depois de acalmar a fera, ainda tenho de ouvir olhos nos olhos
"Gosto tanto de ti. Se imaginasses o que gosto de ti. Eu odeio-te por te amar tanto."
(É impressão minha ou ela está doidinha de todo?)
Se calhar são aquelas coisas de gaja que nenhum homem compreende.

Então falamos, em território neutro e com tempo contado.
- Mas gostas de mim?
- Sim, gosto muito de ti - respondes
- Mas tu não tens namorado?
- Ele não é meu namorado. Simplesmente não nos escondemos.
- E amas o rapaz?
- Não! - Dizes com a frieza dos tiranos.
- Então porque estás com ele?
- Não sei. Por nada. Que te interessa isso? Não tens nada a ver com isso.
Estás completamente fora de ti, mas insisto até fazer ferida.
- E porquê quer ser menos? Porque desistes dos teus sonhos? Porque deixaste de acreditar em ti?
- Porque queres que seja mais? O que te interessa isso agora?
Eu respondo:
- Eu acredito em ti. No teu potencial. Conheço-te. Não quero ficar assim contigo. Quero paz. Quero que contes comigo. Quero redimir-me por todo o mal que te fiz. Quero ter contigo uma relação verdadeira e pura, como nunca tivemos antes. Porque estaria aqui a sujeitar-me a esta conversa? Achas que é fácil para mim?
Do teu lado só silêncio e prossigo o monólogo.
- Eu necessito de uma solução. De estar bem contigo. De falarmos de vez em quando. De sermos amigos.
Começas a roer o lábio.
- Eu não me vou meter em nada. Não me intrometerei na relação que tens com o outro miúdo. Eu nem tenho nada contra ele. Nem contra ti. Se tivesse mau fundo imagina só as coisas que podia fazer.
Começas a lembrar-te. São tantas que nem contas consegues fazer. Sequer te dou tempo para chegar a um número e contínuo.
- Não te quero para mim. Já não consigo. Estou incapaz de te tocar. Ainda achas que te desejo?
- Acho. - Respondes arrogantemente - Tu ainda me desejas.
Bem no fundo do que resta dos teus olhos, te respondo com toda a certeza. Com a voz firme e muito calmamente.
- Não. Já não sou capaz.
Sinto-te a ficar mais pequena. Mesmo me custando o Mundo. Sabendo que a verdade te magoará, desfiro o golpe final.
- É a história do Santuário. Ele já não existe.
Sopras, gaguejas e suspiras com fúria.
Apanhas os cacos, viras costas e partes apressadamente para o teu canto, sem te despedires.
(Sempre muito mal educada.)
Mas sempre.

Eu levo o meu tempo.
Com o peito aliviado, olho a paisagem. Está um belíssimo final de dia de Outono. Todas as cores do céu, embaladas por um vento morno.
Que belo calmante!
Sem nervos, nem cigarros, até a noite chegar com as suas perguntas.
"Será que lhe ficou alguma coisa naquela cabeça? Será que ela percebeu?"

Depois destas duas, outras vão chegando.
"Mas porque é que ficaste lixada?"
"Que digo eu que te enerve assim tanto?"
"Que faço eu para que não consigas suportar um simples conversa comigo?"
Mais três se acercam de repente.
"Para quê tanta invenção já inventada?"
"Porquê tanta mentira e deslealdade?"
"Porque haverás tu de desistir dos teus sonhos?"
E uma grande para arrematar
"Por raio de carga de água é que não me respondes a estas merdas?"
Foda-se.
Mas custa assim tanto?

Valerá a pena perderes a identidade só para estares acompanhada?
(Mal acompanhada.)
Por pessoas que há dois meses desprezavas.
Fartavas-te de dizer mal.
Julgavas a sua pobreza de espirito. De como era ridículo o funcionamento desses grupinhos de Xungaria. Como eram vazios e tristes. Como te sentias mal nas suas conversas e interesses. Como abominavas tamanho fluxo de banalidades. Que não te identificavas com tais valores, criticando veementemente quem se aproximava dessa "gentinha".
Hoje pousas com eles, usando o teu sorriso mais falso, para uma fotografia forçada, num pardieiro qualquer.

Tudo por uma fuga à tua realidade.
De onde vem esse súbito fascínio da vulgaridade?
Porque não assumes a tua desconformidade?
(Conheço-te. Sei que ela existe. Sei que está lá.)
A diferença é um posto com custos e responsabilidades. Uma condição natural.
Não pode ser forçada.
É na diversidade que está a riqueza do espirito. Lidar com tudo isto exige tempo, e é difícil, mas a recompensa é sublime.
É uma benção.
Porque haveria alguém de a renegar?
Em nome do quê?
É fenómeno que não compreendo.

Foi demasiado rápido.

Bem sei que contigo toda a psicologia é inversa.
Estas linhas em nada te vão ajudar. Este alerta terá o efeito de extremar a tua posição.
- A tua infantilidade assim o deseja.
Aposto que vais fazer finca-pé e redobrar o empenho na tua "causa".
Faço-o porque nos teus momentos de lucidez, contactas-me, e deixas escapar toda a mágoa que a tua nova vida te trás.
Assumes a derrota do teu sonho, não te reconheces no espelho, e por mais mais luz que esteja à tua volta, nada em ti brilha.
Pior.
Sabes que nada disto, foi ideia tua.


n.a - Para a semana serão publicados os últimos cinco textos da série "Porno Amor e Xungaria". Serão bombásticos.




 



quarta-feira, outubro 16, 2013

Porno Amor e Xungaria - 9

Vou ser um 9

Serei um nove porque nunca conseguirei ser um dez.
Tentarei, mas reconheço que as condições naturais que apresento, não são as ideais.

Além disso já não vou para novo.

Vou para outro lado qualquer.
Um sitio onde aceitem hedonistas, desequilibrados e com tendências egocêntricas.
Existir tal lugar dava-me jeito.
- De preferência perto da praia.

Dava-me jeito uma casa ampla e luminosa, em tons de branco, com janelas enormes, cheia de guitarras por todo o lado.

Um novo Santuário onde pudesse imaginar um novo Mundo.
Seria ainda mais feliz se tivesse essa oportunidade.
(Se o puder ser. Se o mercer.)
Seria o que quero ser.
Um nove.

Na verdade - e como me tinham vaticinado - lá me vou recompondo, numa dolorosa peregrinação até à redenção.
Passo a passo, palavra a palavra, lá vou exorcizando estas invejosas maldições.
É caminho que devo fazer sozinho.
- Dizem.
Só eu me posso salvar de mim mesmo.

Curo-me com Porno, Amor e Xungaria.
Todos os dias, minuto a minuto.
A cada passeio ao vento. A cada gole. A cada comprimido. A cada sorriso.
- Desta vez já não me enganam.
Faço-o sem me pressionar. Ao meu ritmo.
De canção em canção.
Sinto a minha nova cadência.
Um novo tempo e as suas subdivisões.
Lavando a alma carinhosamente, em longas conversas sobre afecto.
Aos poucos, recupero a capacidade de contemplar e de me partilhar.
Saro com Amor.

Do fundo do coração, muito obrigado.









terça-feira, outubro 15, 2013

Porno Amor e Xungaria - 8

Um poema por dia.

Da última vez que me falhaste pediste-me.
- Um poema por dia.
Pediste com aquela voz de menina meiga. Puxando-me o braço com o sorriso mais querido.
- Prometes?
Eu sorria de volta olhando para o longe, de lado para o teu ataque de ternura.
- Promete - insististe.
Com o coração derretido pela esperança, cedi.
- Está bem. Eu escrevo-te um poema por dia.
- Todos os dias?
- Sim - disse arrastando - Todos os dias.

Ora.
Promessas são promessas.
As minhas para cumprir. As tuas para quebrar.
- Tens a mínima noção de quantas promessas e juras falhaste ?

Devia ser como tu.
Por vezes temos de nos contentar com menos.

Mas não queria falhar o compromisso.
Tudo por ti. Somente para te deixar feliz.
Tolices.
As merdas que dizemos quando estamos apaixonados.
Mas de que escreveria eu, dias a fio, sem descanso ou excepção?
- És habilidosa. Pantomineira.
Mas, promessas são promessas e as minhas são para levar até ao fim.

Horas mais tarde, confessaste sem arrependimento ou compaixão, outra das tuas vulgaridades.
Ordinarices.
Mais uma promissão gorada.

E eu que já devia estar habituado apenas pensei:
- Por mais que fume, nenhum maço de cigarros me avisa que: Amar... "pode provocar uma morte lenta e dolorosa".


Morra a Xungaria, morra pim.








segunda-feira, outubro 14, 2013

Porno Amor e Xungaria - 7

A fuga.

Quando eu faço uma pergunta a alguém, apenas procuro duas reacções: A verdade, ou o silêncio.

- A autenticidade por estar em extinção.
É como uma espécie em risco. Uma busca filosófica. A relação entre a causa e o efeito, no seu sentido mais profundo.
Isto tem tanto de bruto como de abstracto. O Mundo mente por sistema. Reconhecer o que é verdadeiro é, por si só, um desafio tremendo.
Além disso nada nos faz crescer mais que realidade.
(E crescer dói.)
Parece-me que esta demanda é cada vez menos apreciada. A exactidão é coisa que incomoda.
(Matemáticas.)
Para a maioria, é preferível copiar formulas, a criar novas maneiras de resolver os problemas.
Já para não falar que está fora de moda. É desinteressante. Ninguém dá importância a isso.
- Se podemos mentir a nós mesmos tão facilmente, porque não fazê-lo a outros?
O custo beneficio da verdade é demasiado baixo e adjectivar compromete.

Todavia eu gosto de aprender.
(Sempre gostei.)
Por mais bruta e cruciante que ela seja, conforta-me senti-la.
Exige coragem.
Reclama para quem a diz, ou para quem a ouve, dignidade e respeito.
São mariquices de quem tem vergonha na cara. De quem precisa de dormir à noite descansado. De quem ainda acredita "nas pessoas".
Valores.


Quando faço uma pergunta a alguém, e do outro lado nada ouço, existe algo dentro de mim que me empurra para um confronto.
- Fiz-te um pergunta!
As excepções à regra passam pelas simples trocas de opiniões, onde a retórica é moeda de troca. Estes momentos mudos têm valor quando num debate alguém não consegue argumentar mais, melhor, ou simplesmente reconheceu e se identificou com a tese do "adversário".
Tomar em consideração uma opinião divergente ou antagónica à nossa, é um acto de grande inteligência e humildade.
São precisos dois para dançar o Tango.

Eu sou crente mas não sou ingénuo.
Muito raramente existe a mesma atitude entre os interlocutores.
É extremamente difícil encontramos "um jogo" limpo e nivelado.
Toda a gente sabe o que é a "má fé". Sente-se. E é nesse contexto que surge o cotejo.
(A batalha. A luta. A briga - O que lhe quiserem chamar.)
- Ouviste o que te disse? Fiz-te uma pergunta!
- ...

Apesar de saber que existem outras soluções para ultrapassar o mal estar, ainda não sou capaz de me preservar. Reactivo como sou, não consigo dosear a situação. De respirar.
Passo-me.
Sinto-me ofendido. Mal tratado. Desprezado.
Não é justo ignorar.
Não é nobre. Não é coisa de gente de bem. É o oposto. É próprio de índole mal formada.
Falta de caracter.
Falta de educação.
Esta violência chega-me à alma como a das maior das desonras.

Lamento, mas sou incapaz de respeitar quem a mim não me respeita.
Não o tolero. Não admito.
Mesmo sabendo que o pior de mim virá ao de cima, e que facilmente perderei a razão, não consigo fingir estupidez.
(Consigo sê-lo... e muitas vezes... mas fingir não.)

- Mas se já sabes que és assim, e que reges de uma maneira que no final te faz sofrer, porque é que não cagas nisso? - perguntam vocês.
- Cada pessoa com a sua bandeira! - Respondo teimosamente orgulhoso.

Morte à Xungaria






domingo, outubro 13, 2013

Porno Amor e Xungaria - 6

O Santuário

Não pode chover mais.
A iluminação publica faz o alcatrão brilhar.
As águas irrequietas apontam-me o caminho de tua casa.
Até lá é sempre a descer.
A cada passo que dou em tua direcção, tudo fica mais escuro.
Tudo se torna incerto.
Como se fosse para um fundo de um poço vazio e frio, onda a única luz que me pode acompanhar é a ponta de um cigarro aceso.
(Respiro fundo para me compor.)

A cada passo que dou em tua direcção, o peito aperta com mais força.
Algo me diz para voltar atrás. Para evitar aquele entrar naquele nevoeiro à minha frente.
Mas não consigo deixar de andar.
Numa angustiada compulsão, irrequieta e obscurecida.
Na ideia infantil que para alem da névoa húmida, estarás à porta de casa, acolhendo-me serenamente.
(E vejo esse o teu rosto sentido. Resignado. Compadecido pelo meu esforço.)
Na ilusão de perceberes finalmente o que é a verdade. O que é o Amor.
Fantasiando com o teu abraço, longo e apertado. Num beijo torto cheio de lagrimas e soluços.
Respiramos fundo para nos recompor. Partilhando um olhar de alma a alma, enquanto as mãos afastam os cabelos que temos na cara.
Em silêncio e sem camuflagem.
Num momento que nos cure de toda a mágoa.
Um milagre.
Um momento mágico onde tudo passa.
Onde as roupas desaparecem com pressa. Encostados até nos colarmos. Encaixados perfeitamente. Sentido sem limites, no teu Santuário dourado e livre.
Fervendo infinitamente até adormecermos exaustos e plenos.
(A nossa maneira de estarmos em paz. De aquietarmos as nossas guerras interiores. Talvez a única.)

Talvez?

Mesmo que a descrença me tolhe a mente, já estou dentro do nevoeiro.
Ninguém aqui me vê e daqui nada vejo.
E "Talvez" para mim é pouco. Sempre foi.
Resta-me orientar e atravessa-lo até chegar à tua porta cheio de esperança.
Eu sei que ela não se abrirá.
Eu sei sei que não me esperas.
Eu sei que não me queres lá.
Tudo sei, e mais que possas sequer imaginar.

Quando chegar à tua porta sentir-te-ei. E isso basta.
(Terei de passar por muito mais que a merda de um nevoeiro para te deixar de sentir.)

E quando subo. Ao regresso respirado. Renovado por triunfar uma batalha mais, começando a ver a luz novamente, em força e sem escorregar.
Penso para os meus botões!
- Foram muitas noites. Tantas mesmo que acabaram por ser poucas para preservar tão magnifico Santuário.




quinta-feira, outubro 10, 2013

Porno Amor e Xungaria - 5

O pesadelo.
Apesar de estar um dia lindo, não me sinto quente.

Porém tudo se move com energia lenta, numa típica manhã campestre.
Mas eu não amanheço.
Nem aqueço.
Não amoleço.

Dormi pouco e dormi mal.
(Como tenho sempre dormido.)
A desgraça é tanta que me deitei a pensar em ti. Contigo sonhei e finalmente acordei ainda preso. Despertei sobressaltado num pesadelo lancinante.
Contigo.
Nunca me fizeste bem, mas daí a chegar a stress pós traumático, é obra.
São 69 dias de guerra dura.
Sangrentas batalhas do bem contra o mal. Do puro contra o profano. Da verdade conta a falsidade.
(E com honras de estado e as devidas homenagens, já se enterraram muitas coisas.)

Para mim és como uma cruzada.
Nunca perderei para tão petulante causa. Mudarei o mundo se for preciso. Recorrerei a todos os métodos para assegurar o triunfo final.
E sobre desígnio divino, nunca recuarei.
Por mim e pelos meus.
O meu coração deixará de ser território ocupado. A minha cabeça libertar-se-à da tua propaganda e o meu corpo reanimará em todo o seu esplendor.

Como é que o sei?
O porquê de tanta confiança?
Por mais que tente... Não me lembro do teu cheiro. Esqueci ao que sabes. Não reconheço a tua voz. Sequer te consigo agarrar ou tocar - fico enojado - e por fim, como por magia, vou esquecendo o teu rosto lentamente.
A tua figura começa a desvanecer-se na minha memória.

E tenho medo.
Muito medo.
Dou-me mal a combater fantasmas. Ao te tornares numa alma penada, atormentarás o que resta da minha.
Já o sei.
Já o faço há tempo demais.
Precisarei de tudo o que é truques e magias - E de Mana... bué dela - mas conseguirei derrotar esse mal que trazes dentro.

Morte à Xungaria!


P.S - Muito obrigado pelos elogios e pelas mensagens. Prometo responder a todos. Domingo há mais Porno Amor e Xungaria. Não esqueçam 22:30h. Até lá ;)








quarta-feira, outubro 09, 2013

Porno Amor e Xungaria - 4

Tem cuidado com o que desejas.

- Então? Como estás?

Muitas vezes não estou.
Simplesmente não me aguento.
Não me suporto.
Fico impossível de aturar.

Assim que fico sozinho "ponho-me" em modo de espera. Segurando o telefone com a cabeça contra o ombro.
A ouvir mil vezes uma musiquinha de merda, de uma banda rasca qualquer, que ninguém conhece, mas certamente virá a um festival de verão cheio de entulho.
- É o pacote. Venda por atacado. Ferro velho -
Assim que fico sozinho.
Naquele instante.
Impossível de aturar.

Chega a altura de fazer a cura com punkrock - São machezas minhas - Um álbum puro. Daqueles mais míticos geralmente faz o truque.
Arranco sem plano.
- Porque nasci assim e a mania de ser livre corre-me nas veias -
É sem destino.
Tenho pontos de passagem, mas não faço ideia de onde, com quem e em que estado vou acabar a noite.
Apenas apareço e espero que alguém me convide para fazer algo realmente estúpido.
- É só atinar no desatino. Fácil! Fazer o que toda a gente faz -

Contudo.
Há que ter cuidado com o que se deseja.

Há dias arranquei para um karaoke manhoso com uns amigos.
O habitual. Umas mamas dentro de um vestido vermelho oficial de puta, acabada de ser judiada por uma cabeleireira de mal gosto, a cantar os Jardins Proibidos, nos intervalos daquelas "brasileiradas" xungosas para abanar a peida.
(As poderosas, as fogosas, as piradinhas, as que rebolam, as que são de top, popozudas, que desfilam, as que ficam loucas com dedos na boca, que querem ser "pegadas", as que matam o pai, as "funkeiras", etc.)
Lá estou eu.
Dou por mim "na balada". no meio de aquilo, "vendo todo o mundo tirando o pé do chão", e "perdendo a linha". Minutos depois, duas ou três "gatinhas assanhadas", me "estão olhando" pensando que eu sou um "pegador, namorador, que me chamam de safado" e eu quietinho, com "uma gelada" na mão, só pensando "ocês tão querendo o quê?"
Felizmente há sempre quem goste intervalar estes momento de erudição, com as animadas baladas do nosso cancioneiro.
Não há como evitar as actuações das Dulces Pontes, Adelaides Ferreira e Ritas Guerra, locais. Estas são engraçadas, porque as artistas, desconhecem o conceito de "desafinação" - Que explico muito rapidamente - Estão a ver o som de um gato esquizofrénico durante o cio a brigar?  Vocês devem afastar-se desse registo.
"Levanta o vestido". "Danza Kuduro", "Suavemente" e eu prometo a mim mesmo, que se ouço mais um acordeão "sertanejante" dou um tiro nos cornos.
Se não fosse cá por coisas, até interrompia o evento e explicava às moças, que a estupidez, a vulgaridade e o "vaquedo" são como o crime - Simplesmente, não compensa.
(Enfim.)
Devo aligeirar.
Acalmar-me.
Afinal de contas ando em terapia para ser uma pessoa "mais completa", "mais resolvida", "mais inteira". Repousar a mente. Não ligar tanto ao que o instinto me diz. Devo aprender a dosear melhor a intensidade nos meus contactos sociais ou emocionais - e escrevo isto com um sorriso de todo o tamanho.
Conclusão: Embebedei-me!
Copos seguiram copos e até chegarmos à paneleirice do Gin. (Sim estes Gins "modernos" são uma mariquice... Mas do tipo ter brinco na orelha direita. Não me refiro aos "tipos" que fazem depilação no nível "perna completa".)
Como tenho "bom vinho", a coisa começou a compor-se, e não há nada como mudar de capela para agradar aos vários santos.

Mesmo com a benção divina, o que começa mal, tem tendência a ir piorando.
Minutos passados, estava numa festa cheia de estrangeirada de beleza e estilo duvidoso, onde um puto um norueguês de cabelo comprido, vivia os seus 15 minutos de fama, tentando tocar o Raining Blood de Slayer.
Obviamente aquela missa não era para mim e segui peregrinação resignado.
( Só para avisar que essa malta do metal - e muito especificamente - os lá de cima dos países ricos e civilizados - mas onde não se toma banho assim tantas vezes como cá - tem a mania de largar o fogo a tudo o que tem cruzes. Se querem que haja procissão para o ano, olho nele, que essa gente não é certa.)

Nitidamente a solução para tanto aborrecimento passava por beber mais Gin. Às duas por três estou às escuras dentro de um carro com um copo na mão enquanto um amigo me pergunta:
- Então migo? Como estás?
- 'Tou melhor! Agora já estou um bocadinho melhor.
- Desculpa por não ter aparecido a semana passada mas bla bla bla, tal e coise... E meteram-se uma cenas... E já sabes que agora bla bla bla. É que o bla bla bla do bla bla não me deixa muito bla bla bla.
O rapaz está em loop. Num fade out progressivo. O som parece ser sempre o mesmo, baixando muito lentamente até eu ouvir a noite.
Calma fria e linda como o Outono me acostumou.
(Deve ser dos copos).
- Então faz ai uma nota! - diz-me despachado.
(Eu enrolo 5€ dos novos e não encontro fonema ou interjeição para o som que fizemos a seguir).
O som volta de repente.
- As gajas são mesmo assim. Eu já passei por isso. Acho que toda a gente já passou por isso. Eu sei que é fodido mas tens de cagar nisso. Mas é na boa.
(É na boa. Afinal quem arranjou isto foi "não sei quem" que adora o "não sei quantos" e que tem "cena" de grande qualidade, por "não sei quanto" e "não sei o que mais".)
- Mas é na boa.

É na boa porque agora todos são xungas.
O próprio conceito de Xungaria morreu.
Sendo normal, quão xunga se tem de ser, para para que uma pessoa comum ganhe vergonha na cara?

Isto da Xungaria até pode ser querido. Há xungas sensíveis. Xunguices de Amor.
A conselho de um amigo e prevenindo-se contra um eventual problema de ejaculação precoce, um rapaz ingeriu uma droga qualquer - Daquelas das letras e siglas, que a malta da música electrónica gosta muito - apenas para certificar a sua durabilidade durante o coito. Questões de performance.
E conseguiu.
Isto tem o seu valor... Mas no fundo é imbecilidade gigantesca e a prova de que os cérebros não se podem comprar.

Continuando.
Era eu que precisava de falar mas soube-me muito melhor ouvir.
É o bom de ter amigos de verdade.
Existe algo de belo, quando a pureza de dois estados de alma distantes, se fundem num só.

A conversa alastrou a mais experiências e partilhas.
Trocaram-se cigarros e palavras sem tempo. Sempre até ser tarde demais para ir para casa com aqueles sentimentos tão presentes.
(Aqui é que a porca torce o rabo.)
Existe sempre alguém - mas sempre - que tem uma ideia parva e descabida para a próxima romaria, mas que curiosamente é aprovada por unanimidade.
- Então vamos. É agora.
- Vá 'bora.
A meio caminho ainda tive a lucidez de perguntar:
- Mas o que é que vamos p´ra lá fazer a esta hora?
A resposta chega com sorrisos e divertidos encolher de ombros.
Ninguém sabe ou quer saber.
É a hora das fomes. Dos desassossegos. Se pudéssemos voaríamos para chegar mais depressa.

O problema foi a dura aterragem numa pista de dança que mais parecia um matadouro de identidades.
Poderia haver mais Xungaria reunida numa pseudo festa?
Quero acreditar que não.
Preciso acreditar que não.
Deve ter sido do meu estado menos próprio. Efeitos colaterais do Vicks inhaler. Quando o "monstro" se apodera de mim, não há nada que me consiga desentupir a cabeça.
(E o cerebro dispara.)
- Mas que merda é esta? Mas o que é que faço aqui?
Para me certificar da realidade da questão perguntei a uma barmaid mais normalzinha.
- Onde é que estamos?
Sorridente, respondeu cordialmente.
O meu instinto de auto preservação esqueceu o nome da localidade no segundo seguinte e virei costas ao balcão.
Masoquistamente voltei a passar a mente por toda aquele vazio.
"Será isto música? Serão estes seres pessoas pensantes? Quando é que o mundo se tornou isto?"
Assumindo a derrota, retirei-me do espaço na esperança de esquecer que a Xungaria tinha triunfado sobre os exércitos da inteligência.
"Farei como os grandes revolucionários do século XX. Refugiarei-me nas montanhas, com um ideal no coração e iniciarei um movimento de guerrilha."

Passado uns minutos, foi arrastado dali para fora pelo resto do pelotão, que me depositaram são e salvo em casa.
Deitei-me na cama totalmente exausto e cometi o erro crasso de fechar os olhos por um segundo.
Foi fatal.
Felinamente salto da cama, tendo apenas tempo de me apoiar na porta do guarda fatos, regurgitei violentamente toda aquela noite.
Como se de um exorcismo se tratasse.

Agora, no chão do meu quarto, tenho um tapete com uma imponente e orgulhosa família de leões.
Foi o que a minha desgostosa mãe conseguiu arranjar à pressa, para eu não ficar com os pezinhos frios, quando me levantasse do meu vergonhoso leito.


N.A - E eu sei muito bem que xungaria se escreve com CH, mas toda a gente diz a palavra com X.

Morte à Xungaria.



















terça-feira, outubro 08, 2013

Porno Amor e Xungaria - 3

A profecia.

És a excepção às minhas regras.
A melhor amante.
Fazes-me sentir livre.
Fazes-me sentir vivo.
E um dia...

Um dia vais ficar irritada por gostares tanto de mim.



segunda-feira, outubro 07, 2013

Porno Amor e Xungaria - 2

As quatro quadras de um dia ruim

Tudo o que dizes e mandas dizer
Corta o sentido e rompe o querer
Somes perdida, fingindo para mim
Tão distraída, mentiras enfim.

Olho o cigarro que teima em queimar
Mas o telefone nunca vai tocar
Cobras verdades e explicas depois
E eu fico acordado sentido pelos dois

Não mata mas moi e fica a doer
E vai consumindo até o sol nascer
Aflito imagino o que trazes dentro
Um novo achado, e o resto invento

Fico exausto de te procurar
E fecho-me em copas para respirar
Abro os olhos, que dia ruim
Aceitando de vez a chegada do fim



domingo, outubro 06, 2013

Porno Amor e Xungaria - 1

A história de um homem morto

Ninguém mais o pode contar.
Bastava que existisse um monge piedoso, de escrita fácil e tempo longo.
Um homem de Deus.
(Daqueles que se tornaram Santos.)

Mas não existiu.

Esta é daquelas histórias, que só os mortos podem contar.

Numa noite de luar, juraste que eras princesa.
Sem castelo ou realeza, mas com verdade e a certeza, de o seres desde nascença.
Juraste o teu encanto, o final do eterno pranto por um príncipe de verdade.
Ofereceste-me sorrisos e sabores. Prazeres e perfumes. Repentes e calores. Cantigas de Amor, sem queixumes.
Tudo o que pudesse em mim ficar.
E mais noites se seguiram, até se tornarem dias, até fazer do impar... par.

Eu que só feitiços queria, de magia e alegria como podia recusar? Apesar de prometido, mal tratado e meio torcido, tinha sempre de arriscar.
Me deixei levar a medo.
Fraco por não ser cedo, para voltar amar.
Então.
Fiz-me acompanhar do segredo, construindo tamanho enredo, que o Diabo não conseguiria superar.

Mas tu tinhas um lado negro. Ambição para o que não merecias.
Havia qualquer coisa que dentro de ti que te diminuía.
A fome de ter um trono, ser senhora de quem não tem dono, era o que te consumia.
E toda a corte foi culpada, julgada e mal amada por não teres lá posição.
Todos te fizeram confusão.
Mas todos.
Até os teus.

O meu Amor não te chegava.
Sem casamento não podias reinar. Viver o teu conto de fadas.
Subir o ultimo degrau.
Não entendeste que o tempo, dá-nos sempre aquele momento, só para nos fazer crescer.
Não podias mais esperar. Não conseguiste alcançar que a noite acaba sempre.
Aproveitando as minhas aventuras, convocaste as tuas bruxas, cozinhando mil venenos.
Pragas para todos os terrenos.

Cega pela vingança e desprezando o nosso único tratado, lá deixaste apunhalado o meu fiel escudeiro.
Que mesmo usado e enganado, gritou-me em pasmado silêncio, a tua primeira traição.
Ora o que podia eu esperar de ti dai em diante?
Tu que só tinhas de me dizer a verdade.
A única coisa que alguma vez te pedi.
A verdade e nada mais.
Nada menos.
Só isto.
A verdade.
Como podia esquecer tamanha má fé? Como lidar com tão vil perfídia? Como confiar em ti depois de teres agido tão aleivosamente?
A resposta foi dada à chegada.
- Com Amor.

O tempo correu e a dor foi passando.
Fui tolerante.
Com pose e calma, fui me agarrando aos momentos bons que partilhávamos. Fechei os olhos. Quis acreditar que um dia desistirias da vulgaridade. Talvez o apelo natural que tens ao sórdido se desvanecesse. Haveria de chegar o momento de voltarmos às luz e esquecermos as trevas.
Meses passaram, anos continuaram. Sempre que surgia uma contrariedade, soube que resolveria a quezília com a força da mais pura e sentida paixão.  
Mas o Amor nunca te bastou.

E a quem não basta o Amor não basta a vida!

A verdade é que o monstro dentro de ti, continuava acordado.
Ganhava força com o passar do tempo.
Cansada de tanta espera. Todo o mal da tua raça começou a vir ao de cima. Tomou conta de ti.
Crescente. Exigente. Cada vez mais impositivo. Invejoso e voraz, como se de uma doença se tratasse.

Tomada pela descrença e pela maldade, adquiriste novos estratagemas. Veio a fuga, a manipulação, a mentira, a falsidade e a mesquinhez.
Embalada pelas infames companhias, sucumbiste a intrigas.
Culpa dessas carpideiras interesseiras e manchadas pelo desgosto, de se sentirem menos vivas que tu. Essas que preferiram que voltasses ao rebanho. Essas que nunca saberão o que é o Amor. Essas que insistem em te empobrecer o espirito, apenas para fortalecerem através de números ridículos, ilusões de crianças imbecis.
Ao descontrolo chegou tua natureza.
E desde que assumiste a tua natureza, não cumpriste uma promessa.    
Uma única.

A verdade é que com tudo isto, desististe de ser a minha rainha.

Eu senti-o.
Logo te perguntei porquê.
Na verdade sentia-me cada vez mais próximo de ti.
A verdade - e só porque apenas conseguia dizer a verdade - é que nunca te quis tanto como nessa altura.
A verdade - e só porque conseguia adormecer sentindo a verdade - é que sentia que o Amor iria vencer todas essas trivilialidades. Tudo o que fosse banal e comum.
Estaríamos tão alto, tão felizes, tão plenos que nada nos atingiria.
Não to disse.
Fiquei à espera da tua resposta.
Mas tu não respondeste.

Na altura não percebi. Nunca esperei o que vinha a seguir. Fui ingénuo.
Acreditei que o teu sentimento por mim apesar de ferido, era verdadeiro. Que havia dimensão. Que existia beleza. Algo a tocar o espiritual. Algo sublime. Um laço sagrado que nunca podia ser conspurcado.
Deixei-te partir para respirares. Para voltares a ti. Aguardando o teu bilhete.
Ele chegou numa tarde sem cor.
Pedia ajuda e Amor (como todos os bilhetes que me mandaste ao longo do tempo. Sempre amachucado, sempre imperfeito e totalmente inodor).
Montei o meu melhor cavalo e galopei para ti.

Quando te abracei senti que já não eras a mesma pessoa.
Nada estava bem. Alguma coisa tinha mudado.
Vim-me embora preocupado. Com uma sensação esquisita. Como se a terra rodasse mais devagar.
Durante essa noite senti frio.
Senti algo a sair de dentro de mim.
Levei a mão à barriga e senti um corte fundo na pele. Esfreguei os dedos e senti um liquido espesso. Apressadamente acendi uma vela e vi as minhas entranhas, avermelhadas, balançantes, jorrando Amor devagar. Agarrei-me à barriga e comecei a empurrar as tripas para dentro de mim.
Estava frio.
Tão frio.
No chão, uma adaga cor de prata com as tuas iniciais. Tingida pelo meu sangue.
Para me aguentar, bebi aguardente e cozi-me a frio.
Sozinho.
(Já tinha visto coragens idênticas ante piores situações.)

Parti para o teu solar.
Só para te falar, tive de insistir.
E muito.
Só para me responderes outra lamina me talhou.
Ao me confessar tu não acreditaste.
(O plano já ia a meio. Que as coisas do asseio começam pela cabeça)
Disseste o que dizias sempre, num passado sem presente, apressando a sangria.
Não houve pena nem perdão, por sentires meu coração, bater a desfalecer.
Sabendo das minhas obrigações, juraste com malvadez, que esperavas pela vindoura batalha, para me matares de vez.
Mal virei costas senti a forquilha, trespassar-me os pulmões. A espinha estalou e cai olhando para ti.
- Foste tu.
Primeiro choraste e depois sorriste. Riste até gargalhar. Por me teres ali moribundo sem poder os olhos fechar. Sem me poder mexer. Sem poder falar.
(O plano já estava em marcha e não havia escapatória.)
Chegara a hora da tortura.
Primeiro, contaminaste o sal sagrado que afastava os espíritos maus do nosso santuário.
Para dentro de ti trouxeste o podre. Embeiçada pelo nojo. Lodo sujo e pestilento.
Por ti merda esfregaste, e até te agoniaste, mas fechaste a boca a tempo.
Engoliste o próprio vómito, só para teres tempo de limpar a cona suja ao meu rosto imóvel.
(Choroso.)
Depois roçaste-te outra vez, para rasgares de vez, o que já não sentia calor.
Debruçaste-te sobre o meu corpo, com um mal cheiro tonteante, afagando-me o rosto.
- Eu nunca mais vou chorar por ti - dizias com a voz mais decidida.
Meteste os dedos à garganta e vomitaste-me a cara. Uma e outra vez.
Eu lutava para respirar. Para ao acido me escapar. Pensava num campo de flores para fugir aquele azedo.
Sem força e sem medo.
Senti-a continuar.
Senti entrar-me pelo cabelo e à cara voltar. Até não se notarem as minhas feições.
Apesar de nada mais poder respirar, e ter em mim todas aquelas misturas, confortava-me com o sabor do sangue que tinha na garganta.
Pedi a Deus que acabasse com aquele tormento.
(Era sentir demais. Era uma violação. Que ela me largasse o fogo. Que me matasse à paulada)
Mas não.
Nem Deus me podia salvar de tanto ódio. De tanto desprezo pela alma de alguém.
- Misericórdia - gritei dentro da minha cabeça
Mas o que veio seria indigno.
- Não adianta. Eu nunca mais vou chorar por ti - dizias com toda a certeza.
Nua escorrida e porca, pegaste na marreta e esmagaste-me os pés.
- Nada senti.
Depois as pernas, o sexo e os braços.
- Nada senti.
Em seguida pegaste numa faca ferrugenta e cortaste-me articulações. O fim das pernas, atrás dos joelhos, as virilhas, os pulsos e o meio dos braços.
Quando me beijaste...
Quando me passaste a faca pela garganta já estava morto.
Na tua cara restava um vazio e o meu sangue ejaculado daquele último golpe.
Capaste-me e deste a carne aos cães famintos.
Prendeste nos meus restos a uma besta para arrastares o meu cadáver pelo chão do teu inferno.
Exibindo orgulhosa a tua façanha. Para tudo o que é reles e torpe me poder cuspir em cima. Para que toda a populaça se pudesse alcançar, puxando-me as vísceras, arrancando-me os olhos, e o mais imundo e funesto que uma alma atormentada possa imaginar.
Mas que parada.
Uma homenagem à deslealdade, à traição ao perverso.
Ao doentio, ao insano e ao profano.
Um desfile pela maldade humana.
(Ela que só existe para exterminar a ideia de Amor.)
Nada senti.

Ontem quando de noite, passaste pelo que resta do meu corpo empalado, no teu coche corrompido.
Tudo senti.
E morri novamente.

Apenas espero, que quem leu até ao fim esta história, acredite na ressurreição.












quarta-feira, outubro 02, 2013

Outubro e as dores de crescimento

Olá.
Voltei.

Foram-me diagnosticadas recentemente "dores de crescimento".
Crescer doi.
(E doi-me como o caraças)

As sentenças sucedem-se.
Há quem diga que sou um mariquinhas mimado, viciado em sentir qualquer coisa, apenas para fugir ao tédio em que as vidas se vão tornando.
Outros dizem que arrogantemente me demarco em demasia do que é comum.
Que não sei perder.
Que sou doido.
(É de família certamente)
Que estou embruxado.
Que estou traumatizado por viver com a intensidade que vivo.
Exausto de tanto confronto.
Rouco de tanto segredo.
Que sou demasiado exigente comigo mesmo.
Que quero demais.
Que acredito em excesso.

Que estou a mudar...
Bem o sinto.

Ora coisas doidas dão-me para escrever.
(É uma cena minha)
Assim, devo comunicar aos interessados, que megalomanamente exorcizarei este meu momento, e todos vós, poderão constatar que sou um caso perdido.
Ou não.
Depende dos comprimidos
:)

P.S - O Amor ainda existe.




A Dieta - 5 - A Pesagem

IMC - 26,33 Sobrepeso Não me posso pesar todos os dias. Diz que torna a malta ansiosa e acho que a ansiedade engorda. Posso-me pe...