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A mostrar mensagens de Setembro, 2013

Ando a olhar vezes demais para o telefone

É verdade.
Ando a olhar vezes demais para o telefone.
Vejo todas as horas.
Elas passam sem fim, sem meiguice e sem paz.
Estou ansioso.
E coisas destas não me fazem bem.

Faço balanços.
Faço listas.
Faço tudo e fumo ainda mais.
Vou coleccionando todas as coisas que angustia me oferece.

(E eu preciso tanto de um exorcismo à antiga)

Por mim e pelo meus, aqui deixo uma dessas listas.
Uma lista para cumprir um sonho.
Para acabar com esta guerra.
Uma lista para começar algo novo, fresco e inspirador.
Uma lista para um assumir um velho Amor.

(A todas e todos que me apoiaram até aqui. O meu mais sincero, humilde e puro obrigado. Volto em breve.)

Lista 13 | 14 | 15 de Setembro de 2013
- Guitarras.
- Baixos.
- Cordas.
- Pedais.
- Cabos.
- Palhetas.
- Transpositores.
- Afinadores.
- Transformadores.
- Combo Fender.
- Fazer mala.
- Viveres.
- Necessaire.
- Maquina.
- Saco cama.
- Bloco de notas.
- Tabaco.
- Headphones.
- Carregador de telemovel.
- Computador.
- Chaves da casa 1.
- Chaves da casa 2
- Chaves de casa 3.
-…

O Divã - VI - Podem ser mentiras, mas são as minhas mentiras

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Estou cansado. Farto de andar.
Ando sem destino até não ter mais um passo para dar.
Nada para percorrer, nada para descobrir.
Continuo porque a noite está quente e até tem uma brisa viva.
(As verdadeiras noites têm sempre brisa.)
E como a verdade das noites passa sempre pelas mentiras de alguém, desfaço a marcha.
- Agradeço o convite.
Sento-me no banco para fazer um bocado de companhia à mais velha das minhas vizinhas.
Ela mesmo. A arvore grande e torta que me vê passar todos os dias.
Está marreca. Farta e cheia à espera do fim do Verão.
Sempre à espera.
(Coitada, ela não se pode ir embora. Se o fizer, morre.)
Recosto-me como fazia quando era miúdo. Lembro-me de passar horas em bancos como este.
Lembro-me de uma data de coisas boas. Lembro-me até ficar feliz. Lembro-me até ficar com saudades, e de repente, fico triste.
Fuma-se.
(Fogo à peça para acalmar o nervo.)
- Anda a fumar muito?
Interrompe o camarada de camisa cor de rosa.
Ao lado da cor, em cima da secretária, uma revista…

O Divã - V - Setembro é poliamoroso

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Chego exausto ao consultório.
Na minha cara vêem-se todos os males do mundo.
Campainha.
A porta abre.
- Bom dia - diz calmamente enquanto me estende a mão - Está melhor que há bocado?
Nego, renego e depois de fazer o favor de entrar.
Sinto o fresco que embala a casa.
Respiro.
É que na rua está um calor abafado. Daqueles que enlouquecem as pessoas.
Respiro com gosto.
- Por favor - diz-me indicando para me sentar.
A pele do divã está ainda mais fresca. Sinto-a nas pernas.
Vim de calções
(E pelo olhar deste paneleiro, já vi que não aprecia a minha indumentária. Acha que já não tenho idade para estas coisas)
Maricão de merda.
Ali está.
Fresquinho e fofo a um Domingo de manhã. Bem dormido. Bem tratado. Depois do seu treino e da sua meditação.
Bastou atender-me o telefone e vestiu algo mais casual para me vir dar consulta.
- Água ? - pergunta ele.
Aceito.
Sabe-me bem. Leva-me o sabor do tabaco embora. O peito refresca. Já não me parece tão apertado. Já não sinto aquele nó enorme.
Pulsante.