sexta-feira, março 22, 2013

Uma Aventura (Parte III - O Pedro parece uma gaja)


A resposta é não.

Nenhuma pessoa no seu perfeito juízo, deseja que um filho seu leia Uma Aventura.
É um mal necessário.
O ensino publico a nível do básico tem sido tão fraco, tão desacreditado, tão sabotado, que as nossas criancinhas não conseguem ler mais nada que os livros em questão.
É que a alternativa passa pela televisão, redes sociais, bandalhagem e por ai fora.
Enfim.

Parece que estamos condenados a tolerar as pseudo aventuras dos mais imbecis e imberbes heróis nacionais.
Um conjunto de adolescentes mal educados que se metem em tudo o que é merda e em qualquer parte do mundo.
Metediços, abelhudos, respondões, teimosos, insolentes, inconvenientes, incivilizados e sem maneiras.
- Eles são assim porque são curiosos e dotados de um grande sentido de justiça.
Mentira.
Eles são uns atrasados que passam a vida em perigo porque falam com estranhos e metem-se onde não são chamados.
É que não pode haver um periodo de férias, ou uma "inesperada" semana em que a escola feche, sem que haja mais Uma Aventura.
- Sim porque tudo parte da Escola -
Escola.
Pelas minhas contas esta rapaziada já devia trabalhar há muito.

Teresa, Luisa, Pedro, Chico e João.
Os cinco arruaceiros.
Faial e Caracol.
Os cães dos indigentes.

Só na parte dos canina, a parvoíce é tanta que não me admira que o país continue a maltratar os seus animais desta maneira.
Começa logo pelos nomes. Faial e Caracol (neste as escritoras esforçaram-se bastante. É um caniche logo tem o pelo encaracolado. Presumo que não se chamasse Tarzan mas Caracol faz-me lembrar um cão de uma amiga minha que se chamava Urso. Eu decidi acompanhar a moda e baptizei dois cocós como Jibóia e Peixe-Espada)
Depois há outro detalhe.
Os cães não deviam já ter morrido? Presumo que a longevidade dos bichos seja um recorde mundial. Especialmente para uns animais sempre metidos em tropelias.

Mas são nos cinco virgens rebitesos que encontramos toda a sordida dimensão da colecção Uma Aventura.
No meio de 55 livros, quantos crimes foram cometidos por esta gentalha?
Se a primeira edição é de 1982, temo que a maioria dos casos já tenham prescrito.
É que esta rapaziada nunca passou umas ferias em sossego.
Acontece sempre alguma coisa.
Será que eles não se apercebem?

Será que eles não vêem que o Pedro é uma gaja?

Talvez o culpado seja Arlindo Fagundes (artista responsável pelos deliciosas ilustrações de Uma Aventura) mas toda a gente olha para o desenho do Pedro duas vezes.
A grande mente, o cerebro do grupo, o menino educado e encantador é dotado de uma androginia extrema.
Longas foram as conversas dos adolescentes sobre o genero da personagem. Num periodo da vida em que as questões sexuais são tão presentes, a imagem do Pedro introduziu o conceito androgeno a milhares de jovens portugueses.
Das duas uma: Ou é uma gaja, ou está a caminho.

Quem não gosta nada dessas mariquices é o Chico.
O bruto.
O musculo.
Rude como a palha, quer sempre andar à batatada e nunca sabe nada.
Ninguém sabe se alguma vez acabará o secundário.
Cá para mim ele queria trocar cuspo com as irmãs, mas as autoras - a bem da moral e bons costumes - cortam-lhe as vazas.

Teresa e Luisa são as gémeas monozigóticas. Hormonalmente descontroladas, estas galinhas tontas põe a cabeça em água toda a gente.
As miúdas são irritantes e têm um cão irritante.
Tudo irrita.
É que não se calam.
Passam a vida a teimar, a implicar e por este andar não devem casar tão cedo.
O que também não ajuda são os penteados playmobil.
Epá...
Já não se usa.

Por fim temos o João que é muito bom rapazinho e terrivelmente desinteressante.
Como é o mais pequeno, calha-lhe sempre a fava quando o bando decide cometer algum crime.
É muito agil.
Tem um pastor alemão muito bem educado.
- Eu em 82 também tinha um pastor alemão mas era meio tonto -

E pronto.
A canalha lá vai passeando pelo mundo.
Já fora a tudo quanto é lado e eu ainda não percebi, quem é que paga estas lindas vidas.
Analisando as ilustrações deduzo que eles poupem na roupa, já que usam a mesma desde sempre.

Mas nem tudo permanece estanque nas historietas.
As madames lá introduziram bruxarias, poções magicas, e uns lobisomens para "acompanhar os tempos". Fantasias para compor outros ridículos.
Afinal quantos raptores, contrabandistas, ladrões, traficantes e outros meliantes poderão ser apanhados pelo famoso quinteto?
Bem sei que eles têm sorte, mas um dia algum mau lhes fará a folha.

Mais uma vez, a juventude está perdida.

55 livros, séries de televisão e um filme depois tudo continuará igual.
Existirão aventuras recicladas, com o sensaboral travo do vulgar, no mesmo formato enfadonho.
A rapaziada, constantemente em acção desde 1982, nunca perderá a virgindade... simplesmente porque não há tempo. Essas poucas vergonhas não são próprias da literatura infanto-juvenil.

Especialmente quando os títulos usam o sistema "Anita".


  contra capa nova                                        contra capa antiga

 

  • 01- Uma Aventura na Cidade (1.ª edição, 1982; 18.ª edição, 2000)
  • 02- Uma Aventura nas Férias do Natal (1.ª edição, 1982; 17.ª edição, 2003)
  • 03- Uma Aventura na Falésia (1.ª edição, 1983; 15.ª edição, 2002)
  • 04- Uma Aventura em Viagem (1.ª edição, 1983; 13.ª edição, 2002)
  • 05- Uma Aventura no Bosque (1.ª edição, 1983; 15.ª edição, 2001)
  • 06- Uma Aventura entre Douro e Minho (1.ª edição, 1983; 13.ª edição, 2003)
  • 07- Uma Aventura Alarmante (1.ª edição, 1984; 12.ª edição, 2003)
  • 08- Uma Aventura na Escola (PNL) (1.ª edição, 1984; 17.ª edição, 2001)
  • 09- Uma Aventura no Ribatejo (1.ª edição, 1984; 12.ª edição, 2001)
  • 10- Uma Aventura em Evoramonte (1.ª edição, 1984; 12.ª edição, 2001)
  • 11- Uma Aventura na Mina (1.ª edição, 1985; 12.ª edição, 2003)
  • 12- Uma Aventura no Algarve (1.ª edição, 1985; 13.ª edição, 2003)
  • 13- Uma Aventura no Porto (1.ª edição, 1985; 14.ª edição, 2004)
  • 14- Uma Aventura no Estádio (1.ª edição, 1985; 14.ª edição, 2002)
  • 15- Uma Aventura na Terra e no Mar (1.ª edição, 1986; 11.ª edição, 2003)
  • 16- Uma Aventura debaixo da Terra (1.ª edição, 1986; 11.ª edição, 2001)
  • 17- Uma Aventura no Supermercado (1.ª edição, 1986; 11.ª edição, 2000)
  • 18- Uma Aventura Musical (1.ª edição, 1987; 9.ª edição, 2001)
  • 19- Uma Aventura nas Férias da Páscoa (1.ª edição, 1987; 10.ª edição, 2003)
  • 20- Uma Aventura no Teatro (1.ª edição, 1987; 9.ª edição, 2001)
  • 21- Uma Aventura no Deserto (1.ª edição, 1988; 10.ª edição, 2000)
  • 22- Uma Aventura em Lisboa (1.ª edição, 1988; 9.ª edição, 2001)
  • 23- Uma Aventura nas Férias Grandes (1.ª edição, 1989; 8.ª edição, 2003)
  • 24- Uma Aventura no Carnaval (1.ª edição, 1989; 7.ª edição, 2004)
  • 25- Uma Aventura nas Ilhas de Cabo Verde * (PNL) (1.ª edição, 1990; 9.ª edição, 2004)
  • 26- Uma Aventura no Palácio da Pena (1.ª edição, 1990; 8.ª edição, 2002)
  • 27- Uma Aventura no Inverno (1.ª edição, 1990; 6.ª edição, 2002)
  • 28- Uma Aventura em França (1.ª edição, 1991; 6.ª edição, 2002)
  • 29- Uma Aventura Fantástica (1.ª edição, 1991; 6.ª edição, 2003)
  • 30- Uma Aventura no Verão (1.ª edição, 1992; 5.ª edição, 2002)
  • 31- Uma Aventura nos Açores * (1.ª edição, 1993; 6.ª edição, 2003)
  • 32- Uma Aventura na Serra da Estrela (PNL) (1.ª edição, 1993; 7.ª edição, 2002)
  • 33- Uma Aventura na Praia * (1.ª edição, 1994; 5.ª edição, 2003)
  • 34- Uma Aventura Perigosa (1.ª edição, 1994; 5.ª edição, 2004)
  • 35- Uma Aventura em Macau (1.ª edição, 1995; 5.ª edição, 2002)
  • 36- Uma Aventura na Biblioteca (1.ª edição, 1996; 4.ª edição, 2000)
  • 37- Uma Aventura em Espanha (1.ª edição, 1996; 4.ª edição, 2002)
  • 38- Uma Aventura na Casa Assombrada (1.ª edição, 1997; 4.ª edição, 2002)
  • 39- Uma Aventura na Televisão (1.ª edição, 1998; 3.ª edição, 2004)
  • 40- Uma Aventura no Egipto (1.ª edição, 1999; 3.ª edição, 2004)
  • 41- Uma Aventura na Quinta das Lágrimas (PNL) (1.ª edição, 1999; 4.ª edição, 2002)
  • 42- Uma Aventura na Noite das Bruxas (1.ª edição, 2000; 3.ª edição, 2003)
  • 43- Uma Aventura no Castelo dos Ventos (1.ª edição, 2001)
  • 44- Uma Aventura Secreta (1.ª edição, 2002; 2.ª edição, 2006)
  • 45- Uma Aventura na Ilha Deserta (1.ª edição, 2003; 2.ª edição, 2006)
  • 46- Uma Aventura entre as Duas Margens do Rio (1.ª edição, 2004)
  • 47- Uma Aventura no Caminho do Javali (1.ª edição, 2005)
  • 48- Uma Aventura no Comboio (1.ª edição, 2006)
  • 49- Uma Aventura no Labirinto Misterioso (1.ª edição, 2007)
  • 50- Uma Aventura no Alto Mar (1.ª edição, 2008)
  • 51- Uma Aventura na Amazónia (1.ª edição, 2009)
  • 52- Uma Aventura no Pulo do Lobo (1.ª edição, 2010)
  • 53- Uma Aventura na Ilha de Timor (1.ª edição, 2011)
  • 54- Uma Aventura no Sítio Errado (1.ª edição, 2012)
  • 55- Uma Aventura no Castelo dos Três Tesouros

quarta-feira, março 20, 2013

Uma Aventura (Parte II - Cabecinhas pensadoras)

Sempre me disseram que não devemos misturar o autor e a obra, mas é habitual fazer-se o contrario.
Aconteceu com todos os grandes autores da lingua portuguesa.
Ora não podia analizar toda a magnitude da colecção Uma Aventura sem conhecer um pouco melhor a vidas de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada.

Um dos grandes méritos da dupla passa pela sua incrível capacidade de trabalho.
Num país onde a baixa taxa de produtividade é um problema estrutural,  as mulheres escreveram largas dezenas de títulos (em diferentes colecções e géneros literarios) tendo ainda arranjado tempo para casar duas vezes, ter filhos, dar aulas e desempenhar funções publicas ao mais alto nível.

Passando ao de leve pelas mais mundanas curiosidades devo destacar:

- Ana Maria Magalhães nasceu em Lisboa a 14 de Abril de 1946.
Docente de lingua portuguesa, é irmã do ilustre Tozé Martinho. É caso para dizer que o charme e talento para a escrita correm nas veias como um cavalo selvagem.
Já é avó, teve três filhos, tendo casado duas vezes, a ultima das quais com Zeferino Coelho (director da Editorial Caminho).
Huuuuuuummmmmm...
Não encontrei uma unica fotografia sua sem óculos.

- Isabel Alçada nasceu a 26 de Maio de 1950, no bairro onde nasci: Alvalade.
De primeiro nome Maria, a lisboeta que cursou Filosofia, teve um percurso académico assinalável chegando inclusive a ser ministra da Educação do XVIII Governo Constitucional.
Sucedeu a Maria de Lurdes Rodrigues (também ela adepta do uso de laca no cabelo) dando aso às conhecidas suspeitas sobre a influencia lobística da industria cosmética, nos governos de José Socrates.
Dotada de uma figura invejável, Isabel Alçada chama para si todas as atenções masculinas. A sua rectidão dorsal e o seu sorriso cativante não passam despercebidos.
Casada com Emílio Rui Vilar, Maria Isabel faz parte do mais famoso casal de ex-ministros socialistas.

E o que nos dizem os seus percursos pessoais e profissionais destas senhoras sobre os livros de Uma Aventura?
Nada.
Absolutamente nada.

Existe outra situação.
A obra é que nos expõe o âmago do autor.
Dos autores.
É facil compreender a mente das escritoras num livro de Uma Aventura.
Daí o seu perigo.
Daí o desassossego que tenho dentro de mim.
É alarmante.
Diria mesmo mais.
Estará o sucesso desta colecção directamente relacionado com a crise de valores que tem afectado os jovens portugueses sistematicamente?
Poderá ser a causa o efeito? E vice versa?

É nesta estranha simbiose que acontece magia.
O que aproximou estas pessoas?
- Alem do gosto pela laca.
O que terá nascido entre aquelas duas mulheres, no primeiro dia do aulas, a Outubro do 1976, na sala de professores da Escola Básica Fernando Pessoa em Lisboa?
Além do obvio.
Além de uma longa e rentável parceria.
Que danos terão causado estas senhoras, aos milhares de leitores de Uma Aventura?

A questão é séria.
Não digo que as professoras escrevam os livros enquanto dançaram nuas ao luar, em volta de uma fogueira, num transe criativo primitivo, baseado numa explosiva relação lesbiana.
E mesmo que o fizessem?
Qual era o mal?
Decerto que ninguém achará ilegítimo imaginar Isabel Alçada (agora Vilar) nua numa cadeira de verga, qual Emanuelle, escrevendo languidamente as aventuras que apaixonaram gerações.
Erotismo não é crime.
Não vou falar do valor artistico das obras, a qualidade da escrita, ou originalidade.
Escrevo sim, sobre o valor pedagógico dos livros - dirão os mais distraídos - cheios de referencias geográficas e históricas pertinentes para o publico alvo da colecção.

Porque não temos a mesma atenção moralista sobre os livros de Uma Aventura, que temos sobre os brinquedos de teor bélico, as mensagens das bandas de metal satânicas, ou a violencia nos espaços audiovisuais?

Algum adulto já leu um livro de Uma Aventura?
Um qualquer?

(continua)

terça-feira, março 19, 2013

Uma Aventura (Parte I - O fantasma, a saudade e a laca)

Muito recentemente ao sentar-me no sofá senti que a sala estava diferente.
Senti-me estranho.
Não era um problema de percepção. Nada havia mudado. Tudo se encontrava no mesmo lugar.
Inexplicavelmente, fiquei ansioso.
Talvez me estivesse a dar alguma coisa má, ou sentisse uma presença sobrenatural. Essa estranha energia inquietava-me compulsivamente, adensando o desconforto pré-panico.
Num sopro de lucidez decidi acalmar-me. Fechei os olhos e respirei fundo lentamente.
Quando os abri, como por instinto, deparei-me imediatamente com o motivo da minha exaltação.
O me causava tamanho constrangimento passava pela presença de um colorido livro, mesmo no centro do massivo móvel da sala.
"Uma Aventura no Comboio? Mas que está esta isto aqui a fazer?"

A minha prima tem 12 anos e inocentemente havia-me espalhado pela casa, vários livros da famigerada colecção.
Para mim foi a mesma coisa que ver um fantasma, já que a minha colecção foi-me expropriada pela senhora minha mãe no inicio do milénio vigente, sob um qualquer caridoso pretexto.
- Ela tem a mania de distribuir pertences meus a desconhecidos ou instituições, sem me informar. Pensando que... julgando que... achando que...
É comum.
Mas adiante.
Hipnotizado peguei no pequeno livro e voltei ao sofá examinando tão curioso achado.
Naquele instante recordei com ternura o meu 1º livro da colecção. Recebi-o num Natal longínquo. Sequer me lembro de quem me ofereceu o Uma Aventura na Falesia. É o nº3 - A história passa por uma gruta, uma praia, um puto escocês e as cegadas do costume.
Imbuído pela nostalgia, saboreando o prazer que a literatura juvenil me deu tantas vezes, arrisquei ler um paragrafo ao calhas da obra em mãos.
- Literatura juvenil como nas prateleiras das livrarias -
Assim foi.
Li um paragrafo e fechei o livro.

A principio nada senti. Uma completa sensação de vazio.
Eu que sinto tudo.
Nada.
Rigorosamente nada.

Fui à minha vida.
Distrai-me com o trabalho, estive ao telefone, fui comprar tabaco e voltei para a labuta habitual.
Num segundo, completamente vindo do nada, a meio de tudo e mais alguma coisa, fiquei abismado olhando o infinito através da janela.
Assim que o tempo voltou, exclamei em voz alta:
- MAS QUE GRANDA MERDA!

Que texto de merda. Como é que aquilo ainda existe?
Achei um absurdo.
Estarei eu a ficar doido?
Estava de certeza.
Comecei a rir sozinho.
As lágrimas divertidas corriam-me rosto abaixo.
Deixei o que estava a fazer e comecei a divagar pelo universo da saga.
Ri a bandeiras despregadas.
A cada detalhe recordado, a cada pesquisa feita online, a cada frase lida.

- Ora deixem lá ver se eu consigo explicar isto -
A colecção Uma Aventura é uma série de livros sobre as aventuras de 5 personagens (João, Pedro, Chico, Teresa e Luisa) e dos seus dois cães (Caracol e Faial ).
A escrita destas obras é da responsabilidade das professoras Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada.
Como descobri numa entrevista, as senhoras começaram a escrever histórias de aventuras para os seus alunos, tendo em 1982 lançado o primeiro livro da colecção, Uma Aventura na Cidade. As personagens principais são inspiradas em alunos das mesmas e o genero aventura foi decidido via inquérito.
Muito bem.
Falando de coisas sérias.

Os livros de Uma Aventura podem resumir-se numa palavra:
- LACA.

Isso mesmo laca para cabelo.
Daquelas que fazem pfffffffffffff.
Aerossol.
O delirante flagelo causado pelos efeitos secundários do uso excessivo de laca.
Como é do conhecimento comum, este tipo de produtos ataca essencialmente o juízo das senhoras impecavelmente penteadas. Entre os grupos de risco mais famosos temos as "velhas de cabelo lilás", as "velhas de cabelo roxo", "velhas de cabelo grená" e as professoras do básico no periodo pós PREC - caso das autoras de Uma Aventura.
- É que nada mexe. Pode vir o tornado mais ruim, que o "cabelo capacete" permanece.
Ali fica... impecável.
Escultural.
Arte pura.
Pouca gente sabe que a laca é um perigo do caraças.
Intoxica, dá pedra e é facilmente inflamável.
Chega a ser uma questão de saúde publica.
As pessoas que usam laca deviam ser obrigadas a usar o mesmo letreiro que encontramos em todas as bombas de gasolina.
- Desligar o motor, desligar qualquer fonte de ignição, não fumar, foguear ou utilizar telemoveis, etc.
 Ora lá está.
Basta olhar para uma fotografia do dinamico duo em questão para perceber tudo.
Estes devaneios criativo extremos têm sempre uma explicação toxica.
Só pode.

(continua)

segunda-feira, março 11, 2013

terça-feira, março 05, 2013

Dinosaur Love by Harry Baker

Na passada quarta-feira fiz Poetry Slam pela 1ª vez.
Fui a medo mas aprendi que se deve ir a pés juntos.
Para a próxima já sei.

Na sala do velhinho Sport Club do Intendente esteve Harry Baker (Actual campeão inglês e mundial de Poetry Slam) que nos encantou com este poema.



Dinosaur Love by Harry Baker
I want to say I love you,
But it seems it’s not enough,
Because when people say I love you,
It can mean a lot of stuff,
Like, “I’ll always have your back”
Or “I’m glad I’m not alone”
Or “to be honest I’ll say anything,
So you’ll hang up the phone,
‘Cause I’m kind of in the middle of something right now,
And these Doctor Who boxsets aren’t going to watch themselves”
I want to say I love you,
But it seems it’s not enough,
Because when people say I love you,
It can mean a lot of stuff,
And all I’m really trying to say is,
Raaaaaaaawwwwwwwwwrrrrrrrrrrrrrrrr

I wanna love you like a t-rex,
With a tiny brain, but a massive heart,
And if I was a t-rex, I could hold you in my t-rex arms,
And protect you from harm,
Because that’s dinosaur love.

It’s the way that you send spines down my spine like a stegosaurus,
Or how just like dinosaurs, no-one cares what came before us,
Because we’ve got a love so big it cannot be ignored,
Like if you’re with a dinosaur everything else seems secondary,
Dinosaurs are not mythical creatures they are legendary,
Plus, they’re just really cool.

The thing with dinosaurs is dinosaurs are kinda awesome,
More than that they actually existed,
Yes my love is real,
I ain’t talkin’ blindly walkin’ strings attached like Theseus that’s Minotaur love,
But this is dinosaur love.

This is no damsel in distress,
Trapped princess,
Dragon slaying quest,
‘Cause 1, dragons never happened,
And 2, most women don’t need rescuing (feminist dinosaurs) 
This is less prancing unicorns,
More two tonne triceratops,  
Or terrifying pterodactyls tearing terror from above,
It’s dinosaur love.

Molton rocket,
Meteoric,
Trust me I’ve got a love so old school it’s pre-historic.

So if you’re into Speilberg or hip hop with a classic vibe,
Then we could watch Jurassic Park,
Or listen to Jurassic Five, 
And if you like a bone,
I know some place where we could see ‘em,
I’m a lifetime member of The Natural History Museum.

I want to say I love you,
But it seems thats not enough,
Because actually like dinosaurs,
That could be quite scary,

Imagine hiding in the kitchen,
From a velociraptor pack, 
And if I stuck my neck out like a diplodocus,
What would you do back? 

Because I’ve got love for you like Dinosaurs,
But the thing with those kinds of thoughts,
Is they’re probably slightly more amazing in my head.
Because if dinosaurs did come back to life,
One of them might maim a politicians wife,
And then the government of said politicians country plus alies,
Worldwide for the protection of mankind,
Would bring policies to annihilate dinosaurs on sight, 
And mass extinction isn’t that romantic.
I want to say I love you,
But that might be awkward so,
Instead, I’m happy to let that stay in my head,
Where it can not go wrong.

If as time goes on my dino love dies out,
As you’d expect,
When it’s extinct I’d rather we remained friends,
Than became ex’s.

But if somehow,
Against the odds,
My dino love proves so colossal,
That it stands the test of time,
Perfectly preserved like a fossil,
Then one day,
When you’ve been left in ruins,
And need someone to help excavate through them,
Then it won’t take an archeological expert, 
To point you towards me,
And at that point,
I’ll point out that you’re like a brachiosaurus,  
Cause theres no-one above you,
And I’ll be able to look you in the eyes and say,
Raaaaaaaawwwwwwwwwwwrrrrrrrrrrrrrrrr! 

segunda-feira, março 04, 2013

Sem dúvida alguma


Eu não tenho por hábito comentar actualidade neste blog mas, após deparar com esta capa de jornal, é impossível resistir.
É o mal das redes sociais.
Estamos sempre a ler o que não queremos.

Muito honestamente passava muito melhor se ignorasse a frase de D. Jorge Ortiga - Arcebispo Primaz de Braga.
A frase, o momento e a fotografia. Parece uma piada de mau gosto. Um pedaço de humor negro à custa dos largos milhares de vitimas que a pedofilia tem feito.
Sequer me venham falar de contextualização. O que espera o Arcebispo quando se põe a jeito desta forma?

Aqui onde moro, é frequente o uso de um dichote, que tem por fim realçar o ajuste da acção à sua finalidade.
Hoje os velhos têm razão.
Esta primeira página foi mesmo "como picha em cu de padre".

A Dieta - 5 - A Pesagem

IMC - 26,33 Sobrepeso Não me posso pesar todos os dias. Diz que torna a malta ansiosa e acho que a ansiedade engorda. Posso-me pe...