terça-feira, setembro 27, 2011

A paz e o pão nem sempre estão no mesmo verso

Às padarias e profissionais do pão da zona onde vivo:
Existem pessoas que gostam de comprar pão da parte da tarde. Não me serve de nada ter pão duro às 5 da tarde. Devem usar um endurecedor especial que ajuda a enrijar o pão mais depressa.
Mais.
Não é por andarem pela aldeia a buzinar feitos estúpidos uma data de tempo que eu vou sair e comprar pão buzinado. Aliás essa estratégia de marketing funciona sempre - vamos incomodar e irritar o cliente de uma forma predominantemente rude.

E muito sinceramente o vosso pão não é grande espingarda. Nem textura nem sabor. Esta a anos luz dos pães que tenho provado pelo país fora. Apenas tenho usado quando me falta a flor de sal em casa. Devem ter uma parceria com uma funerária com certeza.

Ah
Outra coisa senhoras que pedem coisas nas padarias locais. Não são Pauns. Na língua de Camões usamos a palavra pães.
A sanidade agradece.

terça-feira, setembro 20, 2011

As velhas da minha rua

Muitas vezes tenho de trabalhar ao fim-de-semana.
Não há outra forma.
Porém guardo sempre umas horas semanais para descansar.
Desta vez tentei aproveitar o sol e estendi-me lá fora em meditação ligeira até ouvir:
- Ó Ilízia.
Grita uma velha esganiçada, que insiste segundos depois mais alto e mais esganiçado
- Óooooooo Ilíiiiiiiiziaaa.
A velha é baixa e de óculos. Já tem o cabelo grisalho. Arrasta o passo curto com a maior pressa possível e apresenta-se estilosamente de bata. Botões e um padrão capaz de endoidecer qualquer sensor de alta definição.
Do outro lado do muro, a resposta vem em forma de urro.
- UUUUUUUUUUUUUUUHhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
Parece uma sirene gay.
- Tás ai melher?
De repente uma cabeça desgrenhada surge espreitando ao muro.
- 'Tou pa'qui ó óhgar estes vasecos. Atão? Qu'andas a fazer?
- Vinha aqui a passar. Fui ali à farmácia comprar estes cumprimidos? - diz a velha de óculos, mostrando à outra um saco de plástico branco, cheio de cruzes e cobras a verde.
- 'Tão p'ra quê?
- Olha noutre dia fui ao centro de saúde e o médico novo c'agora lá tá, disse-me que eu tinha a atinção em alta.
- Ahhhhhhhh - admira-se a outra - Pois isto é mesmo assim. 'Tá tude velhe.
- Ai nim me digas nada. Tenho passado os dias a caminho dos medecos.
- Atão, que fizestes tu?
- Na fiz nada - responde num guincho - na terça fêra tava a comer uma talhadica de belancia, partiu-se-me um dente tive d'ir pó dintista. Tenho aqui a inginve num horror.
- Ahhhhhh, pois - admira-se novamente a cabeça no muro.
Como explicar. O cabelo da muralhada senhora parece um ouriço caixeiro tingido de uma cor que nem todas as vistas alcançam.
- Olha priga, iste 'tá mem temivle - dizem as dioptrias esganiçadas abanado a cabeça.
- 'Tão e o mais piqueno. Já arranjou trabalho?
- Tivestes na prai muito tempo. Já anda pra lá. Mas já é afectivo. - diz orgulhosa.
- Ah é? Atão entrou assim logo?
- Foi o primo do mê homme que o pôs lá. Ó principe não 'tava a dar, mas ósdespois lá deu.
- Tão antes assim que pior - Diz o ouriço da dance music.
- Ai... mas já se livrou da da Juvenala. Tava a ver que não.
- Ah já se deixaram.
- Deixo-a ele. Ai Deus me perdoe mas eu na gostava nada dela, nin da família. Aquela tia dela que fugiu pá França mais o da Arminda, mais o pai dela...
- Na 'tou a ver quem é - diz o ouriço semicerrando a expressão.
A resposta vêm indignada e cheia de guinchos intoleráveis.
- Ora na sabes. Tão na sabes? O Romeu das âmblancias. O que era casado com a da Mari do serrador. Ai santo juizo. Tão na 'tás a ver? De bigode com uma granda barriga...
- Ahhhhhh já sê, ele é sebrinhe do do cochicho, não é?
- Mem ele.
- E o que lhe aconteceu?
- Oh, mas tu andas mem fora da graça de Deus. Tão na meteu uma brasileira de vinte e poucos anos dentro de casa?
- Ai Jasus, Deus nosso senhor. Parece uma praga.
- Dizim que era menina ali numa casa no Vale de Santarém, mas eu na sê se é verdade ou não. O do Manel coniche, é que disse. Ele tamem é muito amigo dessas coboiadas.
- Qualquer dia é tudo brasilêro. É esses dos brasis e dos cranianos. Fui a Ri Maior era tanto craniano, tanto craniano.
- Mas à conclusão, o mê Renato lá pôs um bocado de ideia na cabeça e deixo-a. Ela também anda ai sempre toda despida, foi o melhor.
- Isso agora é memo assim. Metem-se debaixo de qualquer um. Elas na conhecim limite. É só comichão no bico do pardal.
- Ai melher - diz a de óculos com as mãos no peito e saco da farmácia sempre a ramalhar - se ê soubesse... Ai jure por tudo o qu'é mais sagrado. Nunca deixava.
- Deixa 'tar atão. Já passou. Quizessim eles outras coisas. Agora na querim nada. Nin trabalhar.
- Ah por falar nisse. Tenho de me ir embora fazer o jantar ó homme que ele daqui nada tá ai. Béjinhes e té manhim - dizem os cabelos grisalhos já a subir a ladeira afastando-se do muro.
- Também pra ti. E onde anda ele?
A velha alpinista pára olha pra trás e grita.
- 'Tá na vindima do Toino Carlos. Anda lá a fazer a jornada.
- Ahhhhhhhh - admira-se novamente - Adeus. Também vou tratar do mê jantar.
- Adeus - grita a outra já de costas.
São 17 e 24.
O silêncio regressa, mas o sol já foi embora

N.A - Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência!

segunda-feira, setembro 19, 2011

O Divã - IV - O irmão gémeo




- Sabe Sr. Doutor, eu tenho um irmão gémeo.
A sala cheira a produto para as madeiras. Tudo brilha impecavelmente com antigamente. Como dantes.
- Sério? - Pergunta o homem enquanto se debruça em direcção ao divã. - Não me recordo desse irmão. Sequer anotei tal parente nas minhas notas. Já me tinha contado?
A surpresa é genuína.
Estes gajos passam tempo a mais a escolher carros caros para as vacas das filhas. Pequenas pegas oxigenadas.
- Não. Não lhe tinha contado. Desculpe.
Tenho de disfarçar este sorriso. Não quero que este gajo desconfie de nada.
- Antes de mais peço-lhe... como direi? Não se ofenda com a pergunta que lhe vou fazer, mas tenho de saber... e não querendo fazer julgamentos de valor, sem lhe atribuir qualquer sentido de má fé...
- Desembuche homem - Interrompo eu tanta atrapalhação.
Estes tipos são mesmos atadinhos.
- O seu irmão gémeo não veio aqui em seu lugar pois não? - pergunta muito sério.
- Não. Se nós trocamos? Não. - respondo sorridente.
- Ah... Que alivio. Isso explicaria muita coisa - responde brincalhão.
Eu já te lixo.
-Quer dizer. Nunca se sabe. - Escondo o sorriso e volto a atacar - Ele é de travadinhas.
Alguma coisa me distrai e procuro o que desconheço do outro lado do divã.
É só um brilho que enfeita a madeira.
- Quer me falar desse irmão?
Ele está a alinhar. Ele não é parvo. Apenas puro de coração.
- O Sr Doutor sabe que estou a brincar consigo? Não sabe?
- Mas fale-me dele. Vamos experimentar - diz com voz grave e calma.
Ele quer-me hipnotizar. Ele vai saber. Ele quer me acalmar.
O que é que ele quer com esta brincadeira?
Do outro lado a insistência.
- Vamos. Não tenha medo. Não lhe vai custar nada.
Este merda quer que eu lhe fale de uma pessoa que não existe!
Também não me vou ficar.
Começo com um suspiro.
- O meu irmão gémeo é mais magro que eu.
- Como se chama ele? - Interrompe a voz grave e calma.
- Não sei. Não me lembro - respondo bruscamente
- Muito bem. Continue...
Suspiro novamente olho para a frente sem focar a prateleira colorida que tenho à minha frente no fundo da sala. Mesmo que eu quisesse focar, não conseguia ler nenhuma lombada.
- Quando estiver pronto - relembra o homem de papeis na mão.

- O meu irmão tem os dentes todos. Ganha bem e faz desporto várias vezes por semana. Está no exercito, mas odeias mulheres com tara por fardas. Diz que são todas umas parvas de mau gosto.
A caneta começou a rabiscar.
- Ele tem várias namoradas... e tem tempo para todas. Felizes, contentes, estão satisfeitas. Elas não interferem. Não falam sobre a vida dele, nem o chateiam. São bem comportadas. Ele não. O cabrão vive o que pode e não olha a limites... ou melhor, mesmo que os mire, não se deixa amarrar pelos mesmos. Ele tem coragem.
- Acha-o muito parecido consigo?
- Em algumas coisas! Ele é o tipo que me passa para o computador os textos que escrevi... à mão... à pata. Como deve ser... É o gajo que me faz as cosias chatas.
- Então ele ajuda-o? - Diz ajeitando com a mão direita, a meia da perna esquerda.
- Nem por isso... às vezes deixa-me pendurado. É preguiçoso. Demora muito tempo para resolver seja o que for. Vai ajudando.
A caneta não pára. Parece sôfrega.
Continuo
- E fuma. De vez em quando lá o apanho fumante e escondido. A pensar num plano qualquer para dominar o universo como na banda desenhada. Nem lhe preciso de perguntar nada. Já sei como ele é...
A estante é alta como o caraças. Chega ao tecto e organiza livros densos. Parecem cheios.
E continuo enquanto me endireito no divã.
- Nunca me deixa sem noticias. Deixa-me sempre espaço para pensar. Conhece-me e isso basta-me. Levanto-me ágil. Ajeito a camisa o cabelo e esfrego os olhos com as duas mãos. Sorrio para o rabiscador e despeço-me.
- Boa tarde Sr Doutor. Vemo-nos daqui a quinze dias. Para a semana folgo.
- Mas vai já embora? - Pergunta surpreendido - O seu tempo ainda não acabou.
Meto a mão na maçaneta e explico-me
- Lembrei-me mesmo agora. Tinha uma coisa combinada com o meu irmão gémeo e é melhor não me atrasar. Resto de boa semana.
A porta fecha-se
O meu irmão gémeo espera-me com um abraço junto à secretária da recepcionista.
Enquanto esperamos pelo elevador pergunta-me.
- Viste as mamas da gaja da recepção? Grande par de chuchas.

quinta-feira, setembro 15, 2011

Blog Rude no Facebook - Gostar e partilhar

http://www.facebook.com/bloguerude

Caros leitores.

Venho por este meio pedinchar para me ajudarem a divulgar a página deste blogue no facebook.
A treta do costume. Façam "gosto" e depois "partilhem" no vosso "mural" a página.

Agradecido

Tudo de bom

p.s- Se tiverem sugestões, ideias, ou simplesmente querem que eu escreva sobre algum tema em particular, deixem um comentário.
Vale tudo menos arrancar olhos.

quarta-feira, setembro 14, 2011

Todas as palavras em francês são sexualmente dúbias

Dei por mim a preparar a rentrée deste blogue em ambiente adverso.
Não há nada divertido para celebrar.
As férias foram uma categoria mas acabaram cedo demais. Tudo está mais difícil. Até rir está mais complicado. Resta-me sofrer deprimido com os apocalípticos telejornais, olhando o verão tardio que insiste em Setembro.
Dei por mim a pensar:
Rentrée soa tão gay.

Portugal é um pais mariconso.
Portugal é apanleirado e já todos se habituaram.

Deve ser da influência da sobrevalorizada cultura francesa. Os meus pais na sua "juventude" ouviam "som" francês. Não sei bem o que mas soava mal. Soava como qualquer tipo de música francófona. Mais um bocadinho e era uma merda.
(Só uma questão. Quem é aquele preto do MC Solar que aparece em todos os manuais de francês? Quem é a besta que acha que nos vai sensibilizar para o estudo da língua francesa, através de hip hop medíocre? Perdoem-me. É trauma. Em todos os anos do liceu lá ouvíamos aquela merda. Mais valia por na capa o grande Zinédine Yazid Zidane. Tão francês como o Eusébio é português.)

Portugal deve ser tolerante.
Portugal deve ser alegre e colorido.
Não se deve é votar.
Demasiados paneleirotes. Quem é que vota numa laranjinha?
Este primeiro ministro fez uma audição para um musical. Se existisse um tribunal da machesa ele tinha apanhado pena máxima.
(É mais fácil ser-se primeiro ministro em Portugal que conseguir um papel num musical de 5ª categoria.)
 Ou numa rosa? Não? Então o outro símbolo...
- Doida, eu vou votar num punho fechado?
- Porca, gostas deles grandes.
Ou numa estrelinha, ou num martelo.
- Camarda, chupe-me o falo.
- Avante. Viva o fellacio cooperativista.
Eles gritam slogans abraçadinhos.
E a malta do centro? Habituados aos padres e outras coisas. Demasiado óbvio. Um beijo ao Paulinho.
Em caso de muito molho de tomate, há que repetir a formula.
Vale conspirar e usar farda. Patentes, G3, chaimites e muito estilo.
Esses não respondem ao alerta. Só se o novo 25 de Abril estivesse inserido numa festa de moda no bairro alto.
- Querida. Os camuflados são o novo preto.
Se calhar precisamos de alguém com mais visibilidade, como os futebolistas.
Pfffffffffffffffffffffffff.
Era só para gozar. Toda a gente sabe que não existem futebolistas homossexuais.
Pfffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffff.
Pronto, em termos de masculinidade, eles nunca poderão dar o exemplo. Depois das prostitutas, são a classe profissional que mais pilas vê. Superam mesmo os profissionais de saúde e enfermeiras taradas.
(Alguém me explica porque é que todas as jovens enfermeiras são assim? Libidinosas e smi-ninfomaniacas. Algumas gostam de carpetes e tudo.)

Enfim.
O país precisa de homens a sério.

Gostava que o nosso país se parecesse menos com um rapazinho da Madeira que conhece muitos estrangeiros.


E sim. A sonoridade do francês é amaricada à brava.

A Dieta - 5 - A Pesagem

IMC - 26,33 Sobrepeso Não me posso pesar todos os dias. Diz que torna a malta ansiosa e acho que a ansiedade engorda. Posso-me pe...