domingo, agosto 21, 2011

Um cão de caça chamado Chérie

O mal é que sou preguiçoso e deixo a camera em casa vezes a mais.

Basta me sentar numa esplanada. Começar uma qualquer conversa e ser absorvido pela dinâmica de um grupo de caçadores.
Rudes como a palha.
Brutos que "nim casas".
Usam aquelas camisas onde as famílias costumam fazer picnics. Usam minis e pouco mais.

Deram nas vistas porque falavam alto. Interrompiam-se numa animada conversa sobre o olho que usam para fazer mira.
- Há gajos que fazim o mira cuns dois olhes. Eu na percebe nada disse, mas eh na sê... come é queles fazim? Eh mude d'olho e acerto ai uns 20cm ao lade.
(De uma vez por todas - Mira é um substantivo feminino.)
- És esquerdo ou és direite?
- Na sê eu ponhe assim
- diz exemplificando com os braços.
- Atão és direite. Se fosses esquerdo punhas assim - explica da mesma forma.
(Destro ou canhoto)
Mas tudo isto, apesar de rude, apenas se debruçava sobre o tiro aos pratos , esse desporto tão exigente como o bowling.
(Boliche para a malta que vive na Costa da Caparica.)
A conversa passa por espingardas, carabinas e camuflados. Cartuchos, corrupção e guardas da caça. Reservas, terrenos e acidentes.
Eu sei que não é de bom tom estar a ouvir a conversa dos outros, mas eles falavam tão alto e com tanto entusiasmo, que era impossível fazer ouvidos de mercador. Não sei. Devem estar a ficar surdos dos tiros ou assim.

- E eh tenho lá uma filha desse Chérie que na presta pa nada. A mãe espetaclar. Ela na vale nada pa caça.
(Um cão de caça chamado Chérie. Masculino. Estes gajos passam demasiado tempo nas putas)
Interrompe outro colega.
- Ui. Ah...isso pra mim... Ah!! Cães que um gajo dá um tiro num coelho e eles vão busca-los ali a um metro... ah!! Isso pra mim não é nada.
E completa um terceiro caçador.
- Eh na use os cães pa irim bescar as peças. Eh quere é queles os espantin pa eh caçar.
Uma gargalhada colectiva invade o espaço comum da esplanada, mas eu continuo sem perceber a piada.
Prosseguem os bárbaros.
- Agora tejim chip, na tejim chip, eh pah eu não.... coise.
- Olha o Manel da Sarribanda teve um que aquilo lhe foi parar à injive e ainda gastou uma pipa de massa no veterinário.
- Té m'admira. Da outra vez que eles tiveram na se o quê, deu um tiro a cada um e resolveu o problema.


Este é aquele momento de lucidez em que os homens justos deixam de rir da pobreza. É quando se inteiram da dimensão da tragédia. É quando se baixa a cabeça fazer parte de um povo tão rude, tão bruto e tão estúpido. Um povo velho, supostamente capaz, que se trata tão mal a si e aos seus animais.

Mas "na tejim mede", a cobardia foi o que nos trouxe aqui.

Caçam tanta coisa... bem podiam caçar um cérebro.

sexta-feira, agosto 19, 2011

3 porquitchonas e uma praia sem areia

Este verão tem sido ridículo.

Todos os Verões são
Ridículos.
Não seriam Verões se não fossem
Ridículos.


Realmente ridículo. Houve apenas um real dia de verão com noite a condizer. Calhou a uma quinta feira, aproveitada para uma ida à praia com membros da máfia.
Mafiosamente chegamos. Mafiosamente nos instalamos com estilo.
Estava bastante gente e a praia pareceu-nos mais pequena. Com menos areia.
Seguramente com menos areia.

Já se começava a cuidar das nossas praias.

De repente juntam-se à nossa vizinhança duas porquitchonas. Daquelas meio tortas. Das que passam tempo a mais dobradas. Das que se despem com o olhar no horizonte, em camera lenta.
- Hummm - pensei - Já não vão para novas. A pele está comida pelo sol e pelo tabaco. Rugas no canto da boca. Cabelos pintados. Certamente já foram de muitas cores diferentes.
Tipo politico português.
Com alguma dificuldade plantam o chapéu de sol e algo falta.
- Olha desculpa - Diz a loura. E continua - Boa tarde. Nós vamos só ali ao café e voltamos já. Levamos as coisas de valor, mas é só para ir dando uma vista de olhos...
- Sim. Claro. Ok. - respondemos mafiosamente.
- Obrigado - agradece a loura.
Sorriso porquitchona? - Penso admirado.
Ah pois.
Sorriso porquitchonazona.

E o que é o sorriso porquitchona? Perguntam os velhos, as velhas, as miúdas e os gays?
Como resumir.
É quando o sorriso fala maliciosamente.
Calma. É toda uma linguagem corporal. Um tom de voz, um olhar, uma posição, um tique, um suspiro.
É muito mais que um mero sorriso.
Ninguém excita ninguém com dentes... ou com a falta deles... bem adiante...
É quando uma miúda na primeira abordagem deixa implícito, que nos "dava uma trinca". Em vários lados.
Enfim.

A máfia é experiente e funciona telepaticamente.

Minutos passados, chega uma terceira porquitchona. Telemóvel ao ouvido, óculos de sol de classe - os melhores que estavam na loja dos chineses - e cabelo demasiado preto para ser natural.

A máfia é experiente e funciona telepaticamente. Mas a máfia desta vez partilha: Cabelo ou muito preto ou muito louro atesta um nível elevado de vaquedo.
(Cuidado com as pinturas. Ninguém está em guerra e as cabeleireiras geralmente tem dificuldades com as cores. É da luz dos salões.)

Beijinhos e falsas amigas depois, o gang está completo.

A máfia sorri.

Estava a tentar descortinar quem seria mais branco que eu naquela praia quando começou o strip.
Que Trio fantástico. Uma loura, uma de cabelo preto e uma ruiva. Tudo falso.
E eu sou espectacularmente branco. De barba e cabelo comprido. Como diz a minha avó Alice "pareces mesmo Jesus Cristo".
Se eles descobrem a verdadeira cor de Jesus começa a terceira guerra mundial.
Mas é quase impossível...
Tal e qual como adivinhar a cor original do cabelo das porquitchonas.
Que Trio fantástico.
Tudo falso.
O strip decorre lentamente.
A loura é a líder e o elemento aglomerador. A "chefa". Tem mais estilo, maior sorriso, e sempre foi mais popular que as colegas. Tem aquele bronze dourado que fica bem nos flash das maquinas das gajas. Ela é baixa, magra e larga de anca. Tem uma barriguinha, mas nada que a comprometa no dia-a-dia social. É o peso da idade e os copos das noites loucas. Shots a arder! Dou-lhe 34 anos. O bikini é reduzido e jovem. A parte de cima é preta e tem folhos para fazer as mamas maiores. Equilibrar é o conceito. A parte de baixo é pequena. Ricas pretas e brancas. O rabo tem tendência a achatar.
Fuma e sorri com frequência. Dinamiza a conversa até se fartar do aborrecimento que a sua amiga ruiva tem estampado no rosto e deixa o sol fazer o seu trabalho.

A ruiva chegou com a loura. É a menos sorridente das três. Parece ser a que tem mais dinheiro e parece ser a mais velha. Tem muitas rugas na cara. É a mais alta e a mais magra. Não tem mamas nem cu, nem curva nenhuma que faça perder o olhar. É a que está mais queimada. É a que tem menos cabelo e menos alegria. O bikini é vermelho e transparente. A ruiva não tem pelos na coisinha!
Nota-se daqui.
A ruiva fuma muito e escreve muitas mensagens até o namorado surfista chegar.
É daqueles surfistas a caminho dos 40. Dos que têm mamas e têm sempre aquele bronze do xixi. Tatuagens à fajunto. Deve ter um cd de sublime cheio de pó, mas agora é mais electro. Longboard claro. Um barco para a morsa. Uns óculos caros cor de laranja. À puto do "ya e das cenas tipo fora, tas a ver"? Nota-se que eles não estão bem. Pouca troca de olhares e poucas palavras. Ele também está ocupado em conversas com a loura e com a do cabelo preto.

A máfia não entende o surf e não aprecia gente que faz xixi quando está dentro de agua.

A do cabelo preto tem um bikini rosa que parece roupa interior e é a mais branquinha. Tem umas mamas mas não tem mais nada. De porquitchona, e alem da cor do cabelo, mais dois atestados: tatuagem no fundo das costas e tatuagem tribal no pé.
(Golo. O publico rejubila. Os mafiosos estão sorridentes com tanto estereotipo junto. Para a loucura ser total só falta a rapariga conduzir um Seat.)
Parece ser trabalhadora. Daquelas miúdas da província que tentar organizar a sua vida. Independente. A mais nova das 3. A que está a usufruir mais da praia e a única que trouxe um livro. Daqueles grandes e cheios de páginas sobre o nada, escritos por ninguém. Nota-se que ela anda de volta dele há algum tempo e que tem algumas dificuldades em ler. Usa o indicador para se guiar e murmura as palavras enquanto lê.
Mas pobre livro. Só durou até o namorado da ruiva dar atenção à leitora.

A máfia adverte: Ler faz bem.

A ruiva não se importou. Continuou a exibir o seu monte de Vénus volumoso e rapado. Pneu de pista.
As restantes dividiam a atenção entre a praia, as conversas do surfista mamalhudo e a máfia. Com a sua atitude porquitchona.

Elas queriam porquitchonar, mas tivemos e abandonar a causa. Uma questão de bom gosto.
Numa praia sem areia, onde todos dão banho à prancha e empurram os banhistas para dois metros de praia, parecendo que não, aborrece.
Isso e pessoal a brincar com raquetes e sem rede. Sem rede qual é o objectivo? Qual é o propósito? Desculpem-me mas é estúpido.

Só de pensar nestas coisas dá-me logo vontade de voltar à praia.

A máfia saúda: Um beijinho a todas as porquitchonas! Antes vocês que os surfistas mijados.

Procura-se Fábio Gabriel

Procura-se este cabrão.
Fábio Gabriel.
Não é um cantor de música popular sequer o novo jogador de um clube pobrezinho da segunda divisão. Também não é ciclista ou cabo de uns forcados quaisquer.
Este é doutor. Trabalha para os chulos da tmn. Sozinho afastou-me deste blogue e de outros negócios. Estou há meses a tentar resolver os meus problemas com os imbecis da tmn.
Aquilo é um circo e eu odeio circos.
Apenas não publico aqui as dezenas de e-mails que trocamos, porque alem de extensos, a estupidez apenas deve ficar nos livros de história. Convém proibir a propaganda. Existe gente que acha graça a tudo.
Se duvidam do que digo, façam o favor de se dirigir à janela mais próxima.
Quanto ao Fábio Gabriel... esse atrasado mental... Apenas lhe desejo que continue por muitos e bons anos a trabalhar na mesma empresa.
Se alguém o encontrar, façam o favor de lhe dar o recado.

- Até esta data, a empresa em questão ainda não solucionou os inconvenientes que causou. Apelo a todos. Se tiverem oportunidade para o fazer, não usem tmn. Rescindam os vossos contractos com a tmn.

segunda-feira, agosto 08, 2011

O Verão esquizofrénico e a sua amiga Filomena Estupidez

Era uma vez um Verão esquizofrénico que vivia sozinho na memoria de todos.
Este Verão era pobre e previsível como as pessoas que têm falsos projectos.
Este Verão não o era.
Ninguém gostava dele.
Para os outros Verões, eles tinha vento a mais nas costas e borbulhas cheias de pus intelectual. Também os seus professores achavam que os os país deste petiz, nunca o desejaram.

"São tão maus pais como os demais. Assistimos a uma pobre era."

Realmente aquele Verão de 2011 era um coitado.
Um baralho de coisas mimadas. Um conjunto de modas tortas. Mascaras em 2ª mão made in china. Vidas vendidas ao desbarato.
Pobre Verão.
Não parecia longo à primeira vista. Não tinha calor para suficiente para a vinha. Numa fotografia não ficaria muito diferente do seu irmão mais velho. Tem coisas a mais e conteúdos a menos.
É como a maior parte dos putos de hoje em dia. Têm a mania que dizem coisas com graça, mas são apenas parvos.

Também isto é triste.

O pequeno Verão sentia-se deprimido. Consequência de quem apenas se realiza em função da comunidade. Triste e cabisbaixo. Procurou ajuda em quem não o queria ajudar e pagou para saber que era esquizofrénico.
Como qualquer putanheiro, apenas uma vez.
Apenas uma...
Somente para experimentar. Para não morrer burro. Para viver um pouco.
Foi assim que conheceu a sua cara metade.
Serviço de quartos.
Este Verão apenas tinha uma amiga. Era mais que uma amiga.
Ela era o sorriso dos adolescentes tardios. A fealdade do novo ricos. O reflexo da inveja. Ela era a capacidade extrema de tornar o conveniente em morte.
Ela era sua namorada. Chamava-se Filomena Estupidez.
Era feia. Muito feia. Muito mal educada. Muito feia.
Alimentava-se da amargura dos homens justos. É filha da Maldade, semente do Vazio. É devassa. Deitou-se com a juventude, com o sonho e com rasgo. Todos estes escaparam por pouco.
Envenenou intriguista.
Ali agoirou.
Ali se plantou.
E ali ficou. E ali ficará até a massa acordar.

Toda a gente sabe que eles não podem ser felizes para sempre.

Senão espero pela morte deste Verão bastardo e mesmo ali no seu funeral, dou um tiro na porca da Filomena Estupidez.


(N.A - Peço desculpa às Filomenas. Não foi de propósito :) )

A Dieta - 5 - A Pesagem

IMC - 26,33 Sobrepeso Não me posso pesar todos os dias. Diz que torna a malta ansiosa e acho que a ansiedade engorda. Posso-me pe...