sábado, julho 30, 2011

Saudades da Xungaria

Lembram-se quando andávamos na escola e conversávamos sobre que grupo é que iria dominar a sociedade no futuro? Que tipo de estratificação iria imperar no futuro.
É oficial. Posso afirma-lo seguramente:
A Chungaria ganhou.

E ganhou facilmente.

Quando muitos apostavam nos metálicos, com o seu mau aspecto e música de Satanás. Suburbanos de uma emergente classe média, com acesso a literatura subversiva e manuais bombistas. Nada. Também eles foram uma desilusão.
Os betos, pseudo-betos e os betos rurais. Cheios de juventudes partidárias e igrejas. Cavalos, motas e calças em baba de camelo. Oh meu Deus. Como angustiam eles agora, entre empréstimos e a procura de cunhas. Enfim. Também eles perderam.

A Chungaria ganhou.
São mais. Dividiram e conquistaram. Sem estratégia ou hipnose de massas.
Querem a prova?
Hoje não existe Xungaria!
Dizem vocês minoritários e a recuperar a lucidez - Ah isso é que existe. O que não falta para ai, são xungas.
Abençoado seja o xunga que não sabe que o é. Palavra do senhor.
E digo eu - Ok vocês têm razão. Mas o conceito desapareceu.
Acabou. Está extinto. É uma memória. Vejam como agora é comum. Ninguém se importa em ser xunga. Esse muro caiu.
Ide e espalhai a palavra. Espalhai o amor a coisas xungas. Espalhai a semente do xunguismo e de todas as xunguices. Espalhai a Xungaria e fazei dela a sua grande família. Palavra do senhor.

O movimento reformista dos anos 90, que lutou pela decência e pelos direitos das pessoas normais, foi aniquilado. Temos de assumir a derrota. A força do cérebro não chega para mudar este mundo. Lutámos contra um exercito massivo de estupidez e conformismo. Uma massa sem consciência ou qualquer noção do ridículo. O quotidiano é dominado por actos xungas de enorme extremidade. É a era do terrorismo xunga. Surgem novos ataques todos os dias. As baixas são incontáveis.

Tenho saudades da Xungaria. Dela existir. Seja numa festa de trance ou numa claque de futebol. Do tuning à libido de um padre de província. A merda das eleições, sempre elas cheias e xungaria. Numa camisola de alças ou nas férias de emigrante vindo "da França". Miúdas com tatuagens no fundo das costas.
Tenho saudades de notar algo xunga. Custa-me ter de viver neste limbo, cheio de zombeis mal amanhados.

Camaradas. Resta-nos o submundo e a esperança de um dia voltarmos a respirar o ar puro da liberdade.

Bem aventurado seja aquele que procura na xungaria a sua identidade, porque desse será o reino mais xunga. Palavra do senhor.

quinta-feira, julho 14, 2011

Rápidas considerações sobre uma noite de verão, a meio da semana, na Nazaré

Rápidas considerações sobre uma noite de verão, a meio da semana, na Nazaré

As ressacas existem.

Não existem Whiskys de 12 anos maus. Depende sempre do numero de pedras de gelo.

Na Nazaré ainda existem veraneantes que se vestem todos de preto, rematando com uns ténis brancos. Muita desta gente, fala francês e gosta de tatuagens de índole tribal.

Nesta altura do ano, é impossível fazer um concurso de beleza na Nazaré.

Os locais da praia reclamam junto das autoridades, uma maior contenção no uso de tinta para o cabelo por parte dos visitantes, afim de limitar os danos da poluição luminosa. As colónias de gaivotas vivem constantemente numa festa de trance.

Nunca alinhar numa noite de copos com um nazareno. Simplesmente não o podes acompanhar.

Ao pessoal da aventura e desportos radicais: Levem sempre par para uma noite deste tipo. Garanto que lá não se safam. Ou então não levem óculos.

Sabem aquele período da noite em que as mulheres começam a ficar bonitas, tudo lindo e apelativo? Lá, não existe esse momento.

Na Nazaré é possível que bandas de bar toquem José Cid e não exista uma rusga da "policia do tempo" no minuto seguinte. É trágico. A banda não tocava mal... Não tinham era talento... e parecendo que não, dá jeito.

Apesar de parecer sinistro, adoro a Nazaré e as suas gentes locais, recomendando esta localidade como um excelente destino para lazer e diversão. A comida é excelente e os ares são os melhores da região. Um mundo de coisas boas... tem é um lado "exótico-bimbo" muito pujante, aliás, como qualquer ponto do nosso Portugal que seja digno de registo.

sábado, julho 09, 2011

O Divã - III - Cada um foge do que pode



O consultório é de todas as cores menos da minha.
Eu tinha razão.
Eu avisei.
Isto é da terapia.

Tenho demasiadas coisas para fazer. Desta vez não existem listas. São histórias novas, algumas muito novas, outras novas demais.
Não procurarei papeis que perderei quando precisarei deles.
Aqui o futuro é outro tempo verbal.
Só por isto.
Imagine-se que existe destino e o tempo é inconstante. Delirante. Com vontade.
É por isso que não uso relógio. É por isso que chego sempre atrasado. Eu tenho o meu próprio tempo. Todos os que têm relógio estão mal.

Adivinha-me.
Farei tudo para não o fazeres. Sento-me com a mentira há tempo demais. Falo com este e com aquele. Vendo o que tiver e roubarei mulher alguma. Aqui não existem especialistas em malandrice. Estou reformado. Estou de férias e precisar de umas como deve ser!
Tenho demasiado para sofrer. Desta vez não existem listas. Só sonhos. Sonhos e trabalho. Tempos paralelos. Pesadelos e ataques de medo.
Há de tudo um pouco e made in china.
Como diria um amigo meu "pressões". Não das dele. Das minhas. Logo eu, já há tanto afastado do champanhe francês.
Tenho de dizer. A ela e a ele. Tanto faz. Conheces pilas demasiado pequenas. Incapazes. Sem capacidade para sodomizar um boneco da Lego! É triste e clássico.
Foda-se, como é clássico.
Há demasiadas tradições para matar. Ainda recolho quem carregue as bandeiras pretas com a inscrição "A tradição é para morrer".
Divago sem termo.
Eu juro que odeio este consultório. Odeio a terapia
Divago.
É maneira de não pensar naquele beijo.
Pobres bonecos. Abusados. Pedacinhos de plástico profanados por pilas inúteis. Pernas de Barbie. É do calor, das hormonas e do que não entendem.

Adivinha-me agora.
Experimenta em desafio. Tenho nomes para dar. Nada me sai. Tenho coisas para acabar. Nada me sai. Só coisas de adulto. Até sopa. Feijão verde, batata, cenoura, alho francês, entre outros. Não ficou nada de especial. Foi a primeira vez e sempre haverá tal desculpa.

Vou sempre gastar dinheiro com os vícios do meu cérebro.
Como adoro ser decadente.
Qualquer estrela gosta.
Cadente.
Molhar o papel com pressa. Com mecha! Nunca é tarde para mim. Mesmo que seja de manhã. Nocturno. Nunca é tarde para mim. Alguém que me diga alguma coisa. Preciso mesmo de companhia. De descarregar, de me esvair. Preciso de me acalmar. Pára-me por favor. Esquece os cigarros.
O que me acelera... esquecer e esquecer. Fugir e fugir. Não me quero confrontar. Perderei de certeza. Vai doer e não me apetece dor. Apetece-me tomar algo. Algo bom. Não um cigarro friamente. Apetece-me ir distante. Viver diante e beijar com luz. Com aquela luz que não se vê.

Adoro esse teu lado negro.

Desta vez sem flores e outros horrores, saio para a cama. Descuido-me no trauma. É o mal da vaidade. Outra vez. Chega a velha forma. Tudo o que me transtorna. Tudo o que me contém. Eu não sei de quem é a culpa.
Eu juro que não sei. Tenho um suspeito imperfeito. Tenho um culpado contado. Tenho um culpado cantado. Eu juro que não sei. Sei que tenho azar. É fácil ter azar. Mas tenho. Eu que não sou de coisas fáceis.
Mas tenho.
Chego sempre atrasado ao que desejo.
Tu também contas.
Esse é o mal. Tu contas sempre.
Com ou sem avisos. Com ou sem viagens. E as contas estão em extinção.
De vez em quando passo-me. Apesar de treinar para Buda, fica o aviso. Não quero saber. Eu tenho cá dentro aquele desespero. Aquele ritmo rápido que me dispara. Aquele nervo nervoso enervante que enerva! Que luta como um vietnamita. A entesar, a partir, a brigar.
Resta no fim de ganhar, aceitar as dores e descansar como um homem de barba.
Amanhã há mais.

O senhor doutor para a semana vai de férias. Quer marcar para quando?






Nota do autor - Este é o centésimo post que eu escrevo neste blogue. Muito obrigado a todos.

quinta-feira, julho 07, 2011

E sim, é sobre ti.

Odeio quando chego tarde demais.
Lamento que, me odeies por tal.
Como se tivesse a culpa, de ter vontade convulsa,
De querer parar por não ter sal.

Desculpa se te peço demais.
Desculpa ser, o teu nunca afinal.
Desculpa beijar-te a nuca, deixar-te rouca e nua,
Numa noite em espiral.

Nunca se esgota a vontade,
Nem nunca falha a verdade,
Quando te quero afinal.

Desculpa porque desculpa,
Desculpa porque tenho a culpa,
De te querer sem igual

terça-feira, julho 05, 2011

Partes moles, cerebros vazios

Hoje estive em Lisboa.
Tive de ir fazer uma ecografia às partes moles... do braço.
Quando à espera, ouço a "menina" da recepção:
- Sr Afonso Pereira?
Os meus olhos encontram um senhor indiano de óculos, já velhinho, andando com dificuldade usando bengala.
E diz a "menina" que já tem idade para ter juízo.
Em voz alta para toda sala de espera ouvir.
- Ah, é o senhor da colonoscopia.

A Dieta - 5 - A Pesagem

IMC - 26,33 Sobrepeso Não me posso pesar todos os dias. Diz que torna a malta ansiosa e acho que a ansiedade engorda. Posso-me pe...