terça-feira, junho 28, 2011

O Encontro - parte III

Claro que continua.
- Eu não acredito!
Exclama a Joana baixinho, enquanto tapa a boca.
- Ele está mesmo a fazer-se a ela... E ela gosta. Com o marido ao lado.
Um prato estilhaça-se no fundo da sal. Alguém se apressa a varrer os cacos.
Ela é linda.
É giro olhar para ela e ver aquela excitação infantil, de quem acaba de descobrir um segredo.
- Achas que a madama tem um caso com o Sandro? - Insiste a Joana divertida.
Não me agrada o facto de ele ter memorizado o nome do empregado de mesa.
E ela a dar-lhe.
- Será que ela é daquelas predadoras que persegue homens mais novos?
Olho na direcção da mesa ao lado e o miudo está quieto. Ar de tédio, de olhos enfiados na mesa, retorcendo lentamente a ponta da toalha.
Uma voz funda e grossa interrompe o quadro.
- Até aqui Fernanda? - Pergunta o senhor bem posto calmamente.
A senhora do cabelo pintado dirige o olhar para o inquisidor com desprezo.
Poucos segundos.
Muito fortes.
Mas pouco segundos, e volta ao seu prato colorido.
Que tensão. Consigo sentir daqui.
À minha frente o monologo prossegue.
- Isto agora é moda. Já uma mulher da contabilidade, lá do escritório, já na casa dos 50, mas ainda nos trinques, ali jeitosona, anda com um rapaz de 24, que é carteiro.
Ainda há minutos atrás, apenas desejava que ela não descobrisse que eu lavo os dentes apenas uma vez por dia. No banho e à pressa. Agora já não consigo estar a seguir a conversa dela.
- Estás a ouvir?
- Estou sim. - Minto novamente.
O casal ao lado está em silencio e apenas o pequeno Guilherme finge pilotar um avião. Com a boca faz o som de um avião deitando uma série de gafanhotos.
Parece um repuxo.
Aproximam-se pratos coloridos com o nosso pedido, e desta vez o Sandro não vem sozinho. Acompanha-o um colega baixinho, noviço nestas coisas. Nunca olha para nós.
- Ora este é para a senhora, e este... é para o senhor. Aqui está. Bom jantar, bom apetite e qualquer coisa é só chamar.
Diz o galã.
Diz, sorri e abandona em passo de trabalho.
A conversa salta para assuntos deliciosos e prazenteiros o suficiente para me habituar ao espaço. Tenho fome e o comer está muito bom.
- O vinho também é muito bom. - Diz Joana pousando o copo na mesa.
É bom que seja. Se soubesses o preço dele.
É bom que fiques impressionada.
Preciso que fiques impressionada.
Como nos filmes. Tento ser espirituoso e sorridente. Tento-a fazer rir.
Eu adoro vê-la rir.
Parece que o tempo pára.
- Pai. Porque estás chateado? - Pergunta inocente o Guilherme.
- Eu não estou chateado.
- Ele está sempre chateado - Interrompe Fernanda levantando a voz.
- Se a tua mãe não me tivesse que esfregar com o amante dela na cara - Grita o senhor bem posto.
Só o som ambiente.
Apenas se ouve o som ambiente. O tilintar dos copos e dos talheres quieto.
Tudo em pausa.
Todos os olhos encontram a mesa rapidamente.
Rodo a cabeça.
O Sandro está boquiaberto no canto da sala de bandeja na mão.
- Tu!
O senhor bem posto levanta-se e aponta na direcção dele.
- Anda cá!
A Joana com medo aperta-me a mão e diz-me baixinho para irmos embora.
Eu não respondo.
Eu estou petrificado. Tal e qual o pequeno Guilherme.
Estamos a ver um filme.
Toda a gente na sala está a ver a cena.
- Anda cá cabrão. Vem aqui! - vocifera o senhor bem posto.
Do outro lado e a tremer de medo, o galã pergunta nervoso.
- Está a falar comigo senhor?
O senhor bem posto baixa-se e tira uma arma do casaco.
De repente todo o restaurante se assusta num suspiro em uníssono.
- Toda a gente quietinha. Não se levantem. Não gritem. Não tentem fugir. Todos quietos.
A arma é pratada e tem aspecto de ser cara. Com o suor das mãos do senhor bem posto, parece ainda brilhar mais.
- Guilherme. Deita-te no chão.
O menino obedece-lhe rapidamente.
A Joana aperta a minha mão com tanta força que já nem a sinto. Está a ficar dormente.
Noutra mesa, alguém começa a rezar.
- Caluda com essa merda. Quero silencio. Tu - diz apontando a arma ao Sandro que imediatamente deixa cair a bandeja, assustando os clientes - anda vá.
A mulher do cabelo pintado está lavada em lágrimas, debruçada sobre a mesa de mão dada com o menino.
- Júlio. O que estás a fazer? - pergunta a senhora baixinho - Olha a nossa vida homem.
- Cala-te - responde no mesmo tom de voz.
Eu não me consigo mexer. Ainda tenho o guardanapo na mão direita e o desespero da Joana na outra. Não sinto medo, nem o coração bate mais rápido, nem nada.
Só quero ver o que vai sair daqui.
- Chega aqui meu filha da puta.
O Sandro dirige-se muito lentamente em direcção ao senhor bem posto e armado. Cambaleante.
Ocorre-me a expressão "dead man walking". Parece uma execução. Parece um filme.
- Despacha-te cabrão! - Grita a toda a voz o agressor.
Alguém volta a rezar muito baixinho.
O empregado de mesa chega a cabeça ao cano da arma. Como se fosse atraído para ali. Um palmo de distancia. Mãos ao alto e junto aos ombros. O rosto do galã transformou-se. Parece um miúdo da aldeia, suado e ranhoso, mesmo antes de ser sovado pelo pai.
- Como é que te chamas meu merda? - pergunta a arma.
- Sandro - gagueja.
- És tu que andas a comer a minha mulher... Sandro?
Atrás do inquisidor surge mais um apelo.
- Júlio, por amor de Deus. Pelo Guilherme.
Eu olho para o menino e ele está deitado no chão de barriga para baixo de olhos abertos. Não chora. Apenas escuta com atenção o que se passa.
A mãe dele completamente desarranjada. Desesperada. Insiste.
- Por amor de Deus.
Mas na cabeça do senhor bem posto nada entra.
- Sandro mais uma vez. És ou não o infeliz que anda a comer a puta da minha mulher?
É agora.
Já não sinto a mão esquerda, o restaurante soa como uma missa, a mulher de cabelo pintado chora desalmadamente, o Guilherme fechou os olhos.
É agora.
Ele vai-lhe dar um tiro.
- Sandro. Eu estou a perder a paciência.
- Espere, espere - apela o empregado de mesa completamente molhado e a tremer - eu digo a verdade.

Foda-se.

- Eu e Fernanda somos amantes.

O Julio respira fundo, olha para a mulher e diz.
- Puta do caralho.
Num segundo põe a arma na boca e dispara.
Que estalo!
O estrondo do tiro para o coração de todos. O corpo cai em camera lenta. O sangue e pedaços de crânio espalham-se pelas mesas, pelo rosto das pessoas, pelos pratos, pelo chão.
É tanto encarnado.
Eu não tenho tempo de nada. Sinto a arma a cair no chão. Metálica, pesada e dura. Sinto a Joana a desviar-se da cadeira, sempre em camera lenta, e o corpo grande do Julio cair em cima da minha mesa.
Estou imóvel. Como uma estátua.
Passo a mão pelo rosto e vejo sangue. O mais belo e vibrante sangue que alguma vez vira. Lindo. Melhor que num filme.
Ouço sirenes e desmaio.

Mas não é assim.

Foda-se.

- Eu e Fernanda somos amantes - diz o bravo empregado de mesa.

O Julio respira fundo, olha para a mulher e diz.
- Fernanda... Eu quero o divorcio.
Já não sinto a mão esquerda, o restaurante soa como uma missa, a mulher de cabelo pintado chora desalmadamente, o Guilherme fechou os olhos, ouço sirenes ao fundo.
O senhor bem posto tira a arma da cara do miserável empregado de mesa e pergunta-me.
- Pode-me guardar isto? Agradecia-lhe muito.
Na minha mão direita sinto o peso da arma. É linda.
À minha frente a Joana está sem pingo de sangue.
O senhor bem posto senta-se no chão junto ao filho, da-lhe um beijinho e diz-lhe.
- Desculpa o pai! Gosto muito de ti.
Lindo.
Melhor que num filme.
Ouço sirenes, entra a policia a correr de arma em punho e desmaio.

terça-feira, junho 21, 2011

O Encontro - parte II

Um bom romance tem sempre de meter algum crime.
Eu não conto. Prometo que não conto.
De rua em rua até chegar ao restaurante. Fino. Ele merece. Fino é como quem diz. É daqueles onde os novos ricos vão passear a pré-falência. Eles continuam afogados em empréstimos.
Ela sorri e comenta contente.
- Já tinha ouvida falar deste sitio.
À direita está um rapaz. Ele não veste como os empregados de mesa.
- Faça favor. A vossa mesa é já ali.
Vamos nos sentar e respirar fundo. Vamos voltar a acalmar , descontrair e comentar o aspecto dos pratos nas mesas ao lado. Vamos olhar para o menu e brincar com o nome dos pratos. Vamos discutir o vinho para acabar num "escolhe tu" simultâneo.
Risos
- A sério. Escolhe tu. Eu não percebo nada de vinhos - confessa ela enquanto ajeita o cabelo longo.
Eu também não. Eu estou aflito com os talheres. Repito mentalmente, de fora para dentro, de fora para dentro. O vestido é preto. De fora para dentro e eu não posso saltar nenhum prato... senão engano-me.
Abro as mãos, encolho os ombros e digo.
- Joana. Eu também não percebo nada de vinhos.
O sorriso de resposta tranquiliza-me.
- Vamos fazer como num restaurante normal e vamos pedir o vinho da casa - sugere brincando.
- Eu acho que estes restaurantes não têm vinhos da casa e doces da casa. Têm mousse de chocolate, mas nada é da casa.
- Boa noite. Está tudo bem? Já escolheram?
Ele é o Sandro, empregado de mesa, pinta de provinciano e cabelo encaracolado.
Eu desconfio de todas as pessoas que têm cabelo encaracolado. Quanto mais encarapinhado pior. O dele é bastante encaracolado e cheio de produtos brilhantes que deixam o cabelo brilhante, com um ar molhado.
- Ainda não - responde a Joana.
Ele sugere cheio de mil sorrisos e gracinhas parvas. Sugere a um de carne e um de peixe. O vinho sugerido não é muito caro, mas odeio vinhos ribatejanos. São os piores do país.
- Sem ser ribatejano não tem nada? - Inquire a Joana sempre simpática - Não me leve a mal mas não aprecio vinhos do Ribatejo.
Parecemos almas gémeas. Pelo menos no paladar.
O Sandro começa a demorar e assume que existem outras opções.
- Então de que vinhos gosta? Talvez assim eu possa lhe aconselhar melhor.
Ela responde e eu começo a ler francês. Escolho o 4º mais caro da lista. Tem números e tudo. Só quero que ele se vá embora. O perfume do campónio já me começa a dar náuseas.
- Excelente escolha senhor.
Tal e qual como os filmes.
- Vou já buscar.
Estava a ver que não. Chato de merda.
Ela da-me a mão e diz que gosta muito de mim. Eu também gosto muito dela. Isto tá a ficar muito lamechas.
Talvez fosse mais giro ir jantar à beira mar. Uma coisa mais simples e informal. Isto deixa-me tenso. Mais um bocadinho e entro em ataque de pânico.
Na mesa ao lado existe uma dinâmica muito peculiar. Uma senhora já bem senhora, com o cabelo cheio de tinta, tenta impor regras a um menino de 7/8 anos. O terceiro elemento, um senhor bem vestido e mais novo que a sua parceira, come tranquilamente. Alheio a birras e conversas sobre outras pessoas com demasiada tinta na cabeça.
São mulheres com dourados a mais. Quando a única coisa que brilha é o ouro, parece que estás no museu de arte antiga.
- Que tens? Parece que nem me estás a ouvir?
- Desculpa. O miúdo está-me a distrair. Ele é duro de roer. - respondo.
- É tão giro não é? Adorava ter um assim.
Oh não. A conversas dos putos. Não sei como responder... agora é que vou entrar em pânico.
- Gostavas? - pergunta ela linda.
Não.
- Sim. Claro que sim. Adoro crianças.
Minto com tudo que tenho. Vou parar ao inferno na mesma.
Uma voz um pouco mais alta puxa a nossa atenção para a mesa da família.
- Guilherme. Fica sossegado um bocadinho. Já me estás a enervar.
O homem bem vestido olha para o relógio, aconchega a camisa e volta a comer.
- 'Tou farto de aqui 'tar mãe.
- Já vamos. Deixa-me pelo menos jantar descansada.
A senhora até tem umas mamas bem jeitosas. Já foi muito mais bela do que agora. Para ela deve ser duro rever algumas fotografias de juventude.
- Bem ela está mesmo stressada - a firma a Joana.
- Aqui está o vosso vinho. E então? Já escolheram?
Pelo menos olha para mim estupor. Olha-me este merda.
Os meus olhos controlam a Joana e quando volto ao galã de novela mexicana, vejo o mesmo a piscar o olho em direcção à senhora com o cabelo muito pintado.
Olha-me este gajo!
Do outro lado a senhora sorri de volta, cúmplice e comprometida.
O senhor bem posto, continua a comer.
Quando o piroso abandona a nossa mesa, a Joana debruça-se rapidamente sobre a mesa, agarra-me o braço e pergunta.
- Viste?
- Ah pois vi - respondo.

segunda-feira, junho 20, 2011

O Encontro - I

Eu não estou à espera.
Vou esperando.
Eu estou sempre à espera. Como num filme.
Reflexo no retrovisor, um cigarro que acaba e mão procura uma nova estação de radio.
Merda para isto. São todas iguais.
No telemóvel escrevo: Estou no carro.Mesmo em frente ao teu prédio.
"Saio já."
Diferentes noções de "já". Acontece bastante.
Mais vale desistir do rádio. Fico com a poluição sonora. Vigilante e atento à porta que me deixa tão ansioso.
O prédio deixou de ser novo há pouco tempo. Talvez por ser uma rua muito movimentada. É uma zona de escritórios, bancos e restaurantes pequenos. Aqui há pouco tempo e tudo envelhece depressa.
O edifício é alto e parece bem cuidado.
Movimento. Pela porta principal sai uma velhota armada com um saco de plástico numa mão e a trela da fera na outra. É uma cadela pequenina. Parece portar-se bem. Não puxa. Parece passear a dona que já anda com dificuldade.
Nem sempre foi assim.
Olho para o relógio.
Preciso de comprar um relógio mais adulto. Estes bocado de plástico colorido com ponteiros que trago no pulso, são coisas de miúdos. Parece que nunca sai da escola.
Quando levanto o olhar, ai está ela. Espectacular e em camera lenta. Quando me encontra no meio do movimento, deixa um sorriso para encurtar a distancia. Vestido preto. Enérgica e contente por me ver.
O sorriso não desarma.
Penso em sair do carro como fazem os cavalheiros, mas a visão ocupou-me demasiado tempo. Existiram aparições divinas mais curtas e menos iluminadas.
Ela não liga a protocolos e entra no carro.
A porta do lado do pendura abre-se com um "olá" e um beijo alegre, sossega-me.
Tudo brilha. Tudo tem luz. Tudo vive e flui com ela.
- Então vamos? - pergunta enquanto toma posição no banco.
- Claro - respondo sorridente - põe o cinto.
Rodo a chave, abro pisca e mais não conto.

quinta-feira, junho 16, 2011

Linhas sobre miudas que pensam que são gordas mas não são


As miúdas, a gordura, a imagem. Tanto já se escreveu sobre isso.

Podemos por a culpa nas feiosas caixa de óculos, que escrevem em revistas femininas e minam a cabeça toda às raparigas. Nos executivos da televisão que babam com os implantes das suas vedetas suburbanas. Nos gays que gostam mais de figura e de mascararem que de pila.
Se eu fosse gay seria por gostar de pila e não para me mascarar. Para isso existe o Carnaval e por algum motivo só dura 3 dias.
Adiante.
Ponham o dedo no ar se já ouviram uma miúda linda dizer "ai eu sou tão gordinha!"
Não vale por mesmo o dedo no ar.
Fica ridículo estar de dedo esticado em frente a um ecrã de um computador. Tenham juízo.
"Estou tão rechonchuda!", "Não gosto do meu corpo!", "As minhas ancas são enormes!", "Este ano nem me dispo na praia!", Etc...
E agora diz a malta que ainda está de braço no ar feito urso.
- Ah, mas isso, elas querem é chamar a atenção. Isso é só para a gente dizer o contrario. Que elas são muito lindas e coise.
Certo. De facto essa queixa é histórica e geralmente pretende puxar um miminho,
mas existe um facto giro que todos os rapazes habilidosamente ocultam.
Todos eles gostam de Gordas.
É uma cena fixe! É uma cena milenar porra.
Existe mesmo uma facção de rapazes que vai engordando as namoradas à medida que a relação avança. Quem experimentou sabe que é impossível atingir o mesmo nível de prazer com uma fêmea ossuda. Um osso não excita. Se assim fosse implantavam-se ossos nas mamas.
Mulher que é mulher tem de ter zonas de generosa gordura.
Ninguém se importa que ela tenha mais curvas. Até convém. Mais truques se fazem.
Existem pessoas que pagam para serem engrandecidas nas mamas, no rabo, nos lábios.
Elas querem ser gordas. Pelo menos ali.

O síndroma do "tenho vergonha de estar com uma miúda gorda" é como tirar um macaco do nariz. Não o fazes em publico mas em casa estás constantemente nisso.
É muito fixe andar com uma rapariga capaz de ir à baliza. Dá para jogar aos penaltis.
- É mentira, estou a ser parvo.
Até os rapazes de nível "boneca 2000" que apenas se interessam pelas mais populares se transformam em fat lovers quando estas perdem a figura.
E todas perdem a figura.
Todas!

A culpa é da moda e da formatação de massas. É sim senhor. Mas se da próxima vez que uma rapariga vos disser "estou tão redondinha" vocês disserem a verdade, tudo vai correr bem.

Aprendam mas é a fazer o amor! Cambada de inúteis, ejaculadores precoces.

Podem baixar o braço.

terça-feira, junho 14, 2011

Deixa estar as coisas do cão no mesmo sitio, se faz favor!

Tenho uns telefonemas para fazer, mas como cá no burgo as horas de almoço são extensas, aguardo pacientemente... Afinal quem pedincha sou eu...

Tenho a casa num autentico pandemónio. Eu que nem tenho estado em casa.
São coisas da minha mãe.
Ela tem esta doença. Tem porque tem que desarrumar todos os sítios onde passa. Pior. Eu gostava de saber quem é quem foi a besta que lhe deu o compressor. Até a pintura da casa sofreu com o brinquedo.
"Fica para cair para a festa."
Eu saber sei.
Foi aquele trolha que faz as obras ao meu tio. Gajo engraçado, cheio de piadas. O único bacano das obras que vai trabalhar vestido por Hugo Boss. Se pensam que a família do Cristiano tem a mania das grandezas, deviam ver a minha. Até os trolhas são finos.

Apesar de tentar, investigando online, não consegui chegar ao nome cientifico deste comportamento desviante. Existem os maníacos compulsivos que procuram simetrias e ter tudo arrepiantemente arrumado, e existo o contrário. A minha mãe é o contrário.

Por exemplo. O Cão tem um sitio para comer, com as suas taças especiais e personalizadas. Se o animal tem sede ou fome dirige-se ao local.
Com a urgente participação que a senhora minha mãe tem na casa, dou com o cão a olhar por mim.
- Que foi? - Pergunto
Os cães ainda não falam e ele parece que está em exposição. Muito sério. Continua com aquele ar do "tens de me resolver um problema"
- Que foi lindo? Que queres?
Do outro lado. Nada.
É altura de comunicar mais detalhadamente. Vou dizer palavras que ele identifica e esperar que o bicho abane ligeiramente o rabo.
- Água?
tuc tuc
- Papa!
tuc tuc
- Foi a avó?
tuc tuc
Resultado: O Quentin tem um faro espectacular.
Quanto à minha mãe, e apesar da pancada, continua a ser a melhor. Sem esforço e por larga vantagem. Se houvesse um ranking de mães, a minha seria a numero um desde que nasci.

segunda-feira, junho 13, 2011

Rápidas considerações sobre um fim-de-semana prolongado

Rápidas considerações sobre um fim-de-semana prolongado

Estas frases não foram escritas num bloco de notas caro e presunçoso à venda numa loja francesa.

- Um amigo colocou-me esta questão e eu ainda não cheguei a nenhuma conclusão digna. "Porque é que os putos de hoje em dias têm todos vento por trás?"

- Depois de um breve paragem num café de província fiquei a saber que "os comunistas roubaram o dinheiro todo" e que "uma equipa de futebol tem de ser como um grupo de cães de caça".

- Na Feira de Agricultura de Santarém, o gado anda todo à solta.

- Frases como "tens mais cornos que uma panela de caracóis" podem ser grandes piadas se forem utilizadas no publico certo.

- Ainda no Ribatejo. Eu gostava de conhecer o campino de meia idade que fez um sprint de 80 metros atrás do touro em menos de 15 segundos. Fenomenal. Tudo de pau na mão, barrete colete e sapatinho fatela. Campinismo - Respect.

- Parem de me convidar para festivais de Reggae. Não gosto de Reggae. Não gosto da sonoridade, das cores, de ganzas e dessas cenas todas. Odeio que as pessoas fiquem espantadas por eu não curtir Reggae. Eu estou tão fora do Reggae, que até tive de ir ver como se escrevia Reggae, para não me enganar a escrever isto.

- Votar, no nosso país, continua a ser estúpido. Com as provas existentes espero que ninguém interponha recurso.

- Viajar é espectacular desde que o viajante possua um cérebro. Caso contrário é pura tolice.

- Um grupo de amigos convidou-me para realizar um filme. É um remake do Predador, mas em Portugal e com uma protagonista. Já andam a mandar e-mails para a estufa fria. Se não deixarem. Plano b. Jardim botânico.

- No ping pong do Wii Sports Resort, os adversários com nível superior 1300 são lixados. Contudo o braço já está menos dorido.

- Grande parte da cerveja nacional é um porcaria comparada com a estrangeira. Sem sectarismos. Sem nacionalismos. Se achas o contrario é consequência de beber muita cerveja rude.

- A minha marcha é linda.

quarta-feira, junho 08, 2011

The opposite

Há dias publiquei no mural da minha página de facebook a seguinte frase:
"Estou a escolher a vida sexual de alguém... para dissecar no blogue. sim podes ser tu..."

Pop, pop, pop, pop, pop.

Uma série de gente muito interessada, tentava saber qual a próxima aventura. “Pelo menos uma pequena sinopse. Diz-me ao menos sobre quem é. Peço-te.”
Confirmo. Os meus amigos são as maiores quadrilheiras da história. Autenticas velhas regateiras.
Quem interessa isso? Olha que se apenas me inspirasse em casos pontuais, muitas vezes não tinha o que escrever.
Mas houve quem sugerisse:
- Porque é que não escreves sobre a tua vida sexual?
Porque não? Pensei.
Qual é o mal? Se há coisa que tenho bem resolvida na minha vida é esta. Haja qualquer coisa.
(E isto não é uma boca para os meninos que obrigam as namoradas a estimular-lhes o ânus com... coisas)
- Então achas que escreva sobre que parte? – Perguntei.
- Olha. Pelo principio. Como é que alguém pode ter uma vida sexual.
Eh lá.
Um tutorial? Um guia? De todas as ciências esta é a menos exacta de todas. Em muitos casos não há mesmo ciência nenhuma. Vale “meninas”, brasileiras e cenas similares?
- Não. Fala só da tua experiência.

Isso dava um filme.
E dos longos.
Do Terror à ficção cientifica.
Cheio de efeitos especiais e boas performances. Poder-se-ia chamar “I’ll see you in my penis”. Um delírio cinematográfico sobre o poder da minha kavorka*.

Muito sinceramente e brincadeiras a parte.
Por vezes uma boa frase chega.
Enviem uma sms a 10 conhecidas com a frase: Queria fazer badalhoquisses contigo!
Ficarão surpresos com as respostas. (E eu garanto que eu conheço raparigas muito mais dignas que a maioria de vocês.)
Tentem.
(E a que não me respondeu de certeza que se está a tocar fortemente.)

Ou então explorem temas comuns.
- Gostas de música?
- Sim. Adoro – responde ela
- Tenho lá uns cds muito fixes. Se não gostares vestes-te e vens-te embora.

Simples.

Aliás, eu vou tentar simplificar ainda mais.
Todos temos um George Costanza dentro de nós.
É a magia desta personagem. Um homem atormentado pelo seu desajuste social e pelo seu aspecto físico que caminha numa insegurança ridiculamente poderosa. Do desespero à amargura em poucos anos.
What would George Costanza do?
É só fazer o contrário.

É verdade. Confiem no vosso mau instinto.

* The lure of the animal - Cosmo Kramer in Seinfeld

A Dieta - 5 - A Pesagem

IMC - 26,33 Sobrepeso Não me posso pesar todos os dias. Diz que torna a malta ansiosa e acho que a ansiedade engorda. Posso-me pe...