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A mostrar mensagens de Maio, 2011

Brilhantina

Hoje menti.
Bebi chá sem açúcar
Procurei um vinil sem sucesso.
Li centenas de páginas, romance esplêndido,
Usei tinta permanente, comi peixe, tomei um banho de imersão,
Acompanhado com legumes, é claro,
Respirei sais,
Fiz a barba, passeei o cão,
Ouvi Chopin, Litz e Bach,
Usei malhas, couro calçado, bombazine. Sobretudo.
Contemplei efémeros bichos.
Escolhi camisas para amanhã.
um filme com Bogard, ouvi o Anjo azul.
Fotografias todas a preto e branco. Recorte perfeito.
Fumei cachimbo, joguei cartas,
Telefonei em períodos!
Disquei o numero. Fiz a prova dos nove.
Estive sublimemente clássico.
Fleumático.
Recto, sério. Totalmente capaz.
De brilhantina

6/3/2006

Nota do autor:
Obrigado pelas mensagens sobre os textos anteriores. Voltarei ao assuntos da vossa preferência. Entre muito trabalho e a esquizofrenia do tempo, só tive vagar para abrir um caderno antigo e copiar versos sobre o cinzento. Espero que gostem.

Ensaio sobre a masturbação feminina - parte III

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Senhores. Outro exemplo? Conhecem o mito do jacto de agua do chuveiro?
Provem-nos. Provem os vossos chuveiros. Saberão do que falo.
- Que nojo, isso é mesmo parvo - diz ela.
Sim, é assim tão frequente.
- E vê se paras de limpar a pila ao cortinado. Isto não se aguenta - termina em forma de ultimato.
Sim, é assim tão frequente. Provem os vossos cortinados.
Abusar da cabeça de um chuveiro é muito mais digno. Não para a associação de defesa das cabeças de chuveiro molestadas por mulheres masturabadoras, a famosa A.D.C.C.M.M.M.
Várias em cada dez cabeças de chuveiro são vitimas de abusos sexuais. Muitas delas mal saem das lojas dos chineses.
É um crime afastado dos olhares de terceiros que prevalece na nossa sociedade desde que existem chuveiros.

Agora a sério.
É assim tão frequente?
É

Como disse antes. Isto calha em conversa.
- Estou?
- Sim fala do apoio ao cliente. O meu nome é Susana Vieira, em que posso ser útil?
- Eu gostava de saber se a senhora se masturba?
- Com certeza. Diga-me só com quem tenho…

Ensaio sobre a masturbação feminina - parte II

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Claro que arranjei tempo. Como não?
Este tema é como qualquer outro tipo de mitologia, espelha nas suas histórias e lendas, todas as características do ser humano.
Depois de começar pelo fim, acidentalmente revelando a conclusão dos meus estudos masturbatórios, devo fazer um ponto de ordem.

Volto ao principio.

Um homem debruçado sobre este tema?
Obviamente.
Conhecer os comportamentos sexuais das mulheres será sempre a ultima fronteira. Pura ficção cientifica.
Alem disso, para mim o tema é histórico. Volta não volta, surge no quotidiano.
- Quanto é que ficou o jogo?
- 3-1... ah e não te sentes. Eu acabei de me tocar. Tens de ir comprar pilhas que estas deram o berro.
Sim é assim tão frequente.

Quando pesquisamos no google - masturbação feminina - cedo descobrimos que não estamos perante coisa simples. Aliás, descobrimos ainda que muito possivelmente iremos começar a estudar o assunto, pela masturbação masculina.

Existem escolas para as senhoras mais desajeitadas aprenderem a nobre …

Ensaio sobre a masturbação feminina - parte I

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Hoje resolvi tentar escrever sobre masturbação feminina, mas como não tenho tempo, este texto terá um final... precoce.

A vida de uma M é andar a voar.

Manique do Intendente, 20 de Maio de 2011
03:47

Acabou de acontecer.
E como odeio que isto aconteça. Uma pessoa deita-se, ajeita-se, sente a alma e o corpo a agradecer. Glorioso conforto. Gloriosa cama. É tempo de respirar fundo e pegar num livro.
E ouvir.
Bzzzzzzzzzzz
Merda.
Tenho uma mosca dentro do quarto.
Santo e límpido silencio, longe do cacarejar das galinhas, dos veículos locais.
Merda, merda, merda. Esquece. De segundo em segundo.
Bzzzzzzzzzzz
Tudo em ti é paz e serenidade. Deitas-te de consciência tranquila. Levaste o cão à rua, telefonaste à avó. A louça está um brinco. Tudo foi destruído pela insolente mosca. Acabou de acontecer.
Conforma-te. Se queres sossego terás de a matar.
Mas é complicado.
O corpo está demasiado mole. Cansado de um dia quente e comprido. Os músculos estão fora do horário de serviço. A mente, essa está fragilizada por tamanho atentado. Tu sabes. Terás de matar a mosca.
Ela aproxima-se num provocador e habilidoso voo rasante. Tento acertar-lhe com o livro mas estou…

Dúbia

O teu aspecto é dúbio.
Crias confusão na minha pequena. Ela me mente.
Deve ser dos nervos.
É sempre.
Restam-me poucas unhas.
Tudo se acentua e eu não quero que nada falhe. O teus aspecto é vulgar.
Evoluiu assim,
Gira como lixo, gira como o teu fundo,
A tua verdade e esquemas perdidos. Nasceste diferente.
Mentira.
Apenas gostas que o resto dos parvos tenham essa impressão.
Mas és pouco,
Como fado e jovens fadistas,
E a merda do voto,
Que é pouco.
Trocos pequenos.
Nada desempatas. Nasceste assim.
Dúbia e vulgar. Suja mas diferente.
Mentira.
Certamente viste-o em algum filme.
Algum filme de televisão, dos que passam à tarde.
Tudo em ti falha.
E que falhasse.
Não devias ser má pessoa.
Isso é que estraga tudo.

Assim sou como um monge

Assim sou como um monge. Continuo em clausura.
Longe dos pecados, num ermo e húmido sitio.
Pedra molhada, ajeitada por verdes, beijada pela chuva, cortada pelo vento.
Assim sou como um monge.
Mas dos que usam roupa interior.

Assim sou como a paciência, lenta e respirada.
Sem casos de policia.
Sem crimes de pele.
Sou uma parte espiritual de mim, outra de ti e outra de todos.
Pobre e comedido.
Deambulo pelo vale à procura de respostas, fugindo a pé.
Ficando de pé,
Mas sempre de roupa interior.

Tem de ser.

Um monge sem roupa interior é uma bomba relógio.
É um padre num baptizado.
Algo ferve naquela figura.
É uma adolescente num concerto.
É a namorada do outro que é tão pura como as outras mas pior que as demais.
Algo ferve dentro das veias.
Há algo que se controla. Há algo que se defende. Sempre com roupa interior.

Depende da alma.

A Sara é uma parva como as outras

Aqui não há conversas, apenas sofá. Dos baratos. Com um tecido manhoso e sujante, também ele sujo.
Envia boas. Cerveja. Flash. Novelas. Euronews. Crime. Crime. Crime. Pensos higiénicos.
Aqui não há palavras. Só fumo e reflexos coloridos nas caras deles.
- Está estragada ela – interrompe o da sweat shirt cinza.
- Quem? - Inquire o companheiro sem desviar os olhos do ecrã.
- Armam-se em pegas e depois não querem grama-las. Escolhessem gajos à maneira. É feio dizer mas é verdade. É bem feita.
- Mas quem meu? – Insiste voltando-se para a indignação.
- E está estragada. As miúdas hoje em dia metem-se a tomar a pílula aos 10 anos para ganharem mamas e depois aos 23 parecem as mães delas. Grandes cus.
- Mas tu estás bem? Mas quem pá? Tas doidinho ou quê?
- A Sara, meu.
- A Sara? Mas estás a bater bem? Porque é que te lembraste dela?
Um riso alivia a sala.
- Estou aqui a ver estes anúncios. Lembrei-me dela. Não sei porquê?
- Tens sempre dois caminhos. Viver a vida dos teus pais, ou viver a tua vida. Ol…

Nem de propósito

Ontem escrevi sobre desperdício de tempo. Hoje o tempo desperdiça a minha energia.
Cá estou eu. Mais problemas com o computador. De repente e do nada. Puf.
Que se foda o windows.
Já chega. Não há paciência.
Que se fodam as bruxas e os bruxedos. Como é possível? Nem de propósito.
Mais um sobressalto.
Outra vez.
Qual é a graça? Querem nivelar-me convosco. Injectar-me fel e cólera. Desejam o fim do meu sorriso. Ora bem. Faço-lhes a vontade.
Se depender de mim não haverá referendo. Queimo-as todas e aprendizes também. Queimarei até os livros do Harry P. para ninguém desconfiar que ser bruxo pode ser fixe e do bem.
Se depender de mim os castigos medievais da inquisição serão pouco para os magos de agora.
E o que me surpreende mais, é haver gente que me liga assim tanto. Existem pessoas mais odiáveis. Nem eu me levo tanto a sério.
Alem de que não vou parar. Continuarei sempre, nem que seja pelo facto de não saber fazer mais nada. Posso demorar, posso perder ritmo, mas conseguirei. Já fiz pior e …

Os meus videos são melhores que os teus - Foxy Shazam - Unstoppable

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Se não os puderes vencer não te juntes a eles

Desabafo.
Uma das grandes tristezas da minha vida é desperdiçar tanto tempo com terceiros. Incompetentes ou estúpidos ou mal intencionados. Tanto faz.
Seguramente já passei mais de 8 horas ao telefone a reclamar com os meus serviços de Internet. Precisava disto? Não.
Já tive banda com pessoas que comiam maçãs enquanto gravávamos coros. Namoradas completamente loucas viciadas em coisas doidas. Provincianas mal vestidas que julgam o que digo ou o que faço no facebook. Etc. Acabo sempre por dispensar tempo com estas historietas. Acabo sempre por gastar dinheiro. Acabo sempre por responder.

"rudeness is epidemic" - Hannibal Lecter

É mesmo.
Quem pode e não tem filhos, tem um motivo muito simples para não os ter. Os filhos dos outros. Os pais dos outros.
Vive-se mal. O intelecto é perseguido. A inteligência não é bem vista.
Qualquer valor humanista, não é bem visto. Parte deste mundo deixou de apreciar tais coisas.

Mas a epidemia atingiu tal ponto, tal impacto na nossa sociedade, que so…

O resgate da minha alma

Desde que me transferi para o campo, os meus amigos lisboetas tentam persuadir-me a regressar à capital. Eles tentam resgatar a minha alma e o meu rasgo, como se estivesse preso noutra dimensão.

Eu também gosto muito deles e tenho muitas saudades. A sério.

A preocupação deles é legitima. Há muito totó que chega ao campo e calça logo uns botins. Os mais camaleões, deixam crescer as suíças, apagando o seu mal fadado e suburbano passado. Ganham novos modos. Ganham uma nova personalidade.
Ora eu não.
Sou puro.
Nado e criado dentro de Lisboa. Não faço parte desse gang.
Outra coisa que os preocupa é a ausência de "horizontes", de oportunidades.
O equivoco deles é normal. A cidade está cheia de campónios que saíram daqui descontentes com as perspectivas de futuro.
É muito mais fino ser escravo em Lisboa. Pelo menos há o bairro alto.
Ora eu também não dou para esse peditório.

E quando eles me perguntam pelo meu exótico e distante quotidiano. "Como é que é viver no campo? Como é qu…