segunda-feira, maio 30, 2011

Brilhantina

Hoje menti.
Bebi chá sem açúcar
Procurei um vinil sem sucesso.
Li centenas de páginas, romance esplêndido,
Usei tinta permanente, comi peixe, tomei um banho de imersão,
Acompanhado com legumes, é claro,
Respirei sais,
Fiz a barba, passeei o cão,
Ouvi Chopin, Litz e Bach,
Usei malhas, couro calçado, bombazine. Sobretudo.
Contemplei efémeros bichos.
Escolhi camisas para amanhã.
um filme com Bogard, ouvi o Anjo azul.
Fotografias todas a preto e branco. Recorte perfeito.
Fumei cachimbo, joguei cartas,
Telefonei em períodos!
Disquei o numero. Fiz a prova dos nove.
Estive sublimemente clássico.
Fleumático.
Recto, sério. Totalmente capaz.
De brilhantina

6/3/2006

Nota do autor:
Obrigado pelas mensagens sobre os textos anteriores. Voltarei ao assuntos da vossa preferência. Entre muito trabalho e a esquizofrenia do tempo, só tive vagar para abrir um caderno antigo e copiar versos sobre o cinzento. Espero que gostem.

quinta-feira, maio 26, 2011

Ensaio sobre a masturbação feminina - parte III


Senhores. Outro exemplo? Conhecem o mito do jacto de agua do chuveiro?
Provem-nos. Provem os vossos chuveiros. Saberão do que falo.
- Que nojo, isso é mesmo parvo - diz ela.
Sim, é assim tão frequente.
- E vê se paras de limpar a pila ao cortinado. Isto não se aguenta - termina em forma de ultimato.
Sim, é assim tão frequente. Provem os vossos cortinados.
Abusar da cabeça de um chuveiro é muito mais digno. Não para a associação de defesa das cabeças de chuveiro molestadas por mulheres masturabadoras, a famosa A.D.C.C.M.M.M.
Várias em cada dez cabeças de chuveiro são vitimas de abusos sexuais. Muitas delas mal saem das lojas dos chineses.
É um crime afastado dos olhares de terceiros que prevalece na nossa sociedade desde que existem chuveiros.

Agora a sério.
É assim tão frequente?
É

Como disse antes. Isto calha em conversa.
- Estou?
- Sim fala do apoio ao cliente. O meu nome é Susana Vieira, em que posso ser útil?
- Eu gostava de saber se a senhora se masturba?
- Com certeza. Diga-me só com quem tenho o prazer de estar a falar e o seu numero de cliente. Aguarde um momento se faz favor. Obrigada.
Musiquinha do costume. Ela volta.
- Obrigado por continuar em linha. Lamento, mas o seu tarifário não lhe permite aceder a esse tipo de informação. Deseja fazer o upgrade para o pacote mastubante pro. Apenas tem de pagar mais 12,90 por mês.

Eu acredito.
Metade das inquiridas afirmam que não se masturbam.
Eu acredito.
Eu algumas... outras tenham paciência.

Umas não têm tempo para isso. Abençoadas. Nunca param. Demasiado exercício.
Outras têm nojo.
Mas do quê perguntam vocês? Do próprio corpo? Terão algum problema de higiene?
Para mim tem nojo do que estão a imaginar!
Sim, é assim tão frequente.
Terá alguma coisa a haver com a igreja ou com as outras formas de repressão da sexualidade feminina?
Ninguém sabe.
Ninguém consegue explicar.
Há quem responda que não o faz, porque não tem necessidade disso. Porque toda a gente sabe que são os mais necessitados, que mais se masturbam. Pobrezinhos.
E mesmo que haja alguma verdade nisto, não é redutor pensar desta forma? Desejar, sentir prazer nisso e com isso, são coisas boas. É positivo. É sinal de estar vivo e de saúde.
Então e aparte lúdica da coisa? E a arte?
Necessidade? Posso assegurar que muita pouca gente caiu nas malhas da masturbação.
Uma voz distorcida, quadradinhos, contra luz.
"Eu comecei nisto da masturbação muito nova. Eu vinha da escola e tocava as minhas bonecas. Começas nisto devagarinho. Primeiro tocas na boneca, depois a boneca começa a tocar em ti, e quando dás por isso 'tás agarrada. Eu lembro-me de um vez ter vendido uma televisão aos meus pais para ir comprar um vibrador. Não fazia mais nada, era só esta vida."

Cuidado com estas bombas relógio.
Até os médicos o aconselham. Faz bem ao corpo e à cabeça. Arrisco-me a reafirmar. Essencialmente, bem aos cérebro.
Porque calha sempre em conversa e porque é sempre mais frequente do que se pensa.

Pelo menos num convento.

quarta-feira, maio 25, 2011

Ensaio sobre a masturbação feminina - parte II



Claro que arranjei tempo. Como não?
Este tema é como qualquer outro tipo de mitologia, espelha nas suas histórias e lendas, todas as características do ser humano.
Depois de começar pelo fim, acidentalmente revelando a conclusão dos meus estudos masturbatórios, devo fazer um ponto de ordem.

Volto ao principio.

Um homem debruçado sobre este tema?
Obviamente.
Conhecer os comportamentos sexuais das mulheres será sempre a ultima fronteira. Pura ficção cientifica.
Alem disso, para mim o tema é histórico. Volta não volta, surge no quotidiano.
- Quanto é que ficou o jogo?
- 3-1... ah e não te sentes. Eu acabei de me tocar. Tens de ir comprar pilhas que estas deram o berro.
Sim é assim tão frequente.

Quando pesquisamos no google - masturbação feminina - cedo descobrimos que não estamos perante coisa simples. Aliás, descobrimos ainda que muito possivelmente iremos começar a estudar o assunto, pela masturbação masculina.

Existem escolas para as senhoras mais desajeitadas aprenderem a nobre actividade. "Pague para aprender a se masturbar".
Só eu é que não tenho ideias como esta.
Mas prometo adaptar à realidade portuguesa. "Menina, aprende a fazer um felácio de excepção. Mensalidades acessíveis".
Descobri um mundo sobre este mito online, mas o grande suporte da amostra cientifica que usei, são das mulheres (meninas e moças) que conheço.
Muitas de vocês estão a ler isto.
Sim é assim tão frequente.
E sim, calha em conversa muitas vezes.

Por exemplo. É do conhecimento comum que os carros em segunda mão variam de valor consoante o género do anterior condutor.
Não por preconceitos ridículos, como o mulher ao volante perigo constante, mas por assuntos relacionados com os hábitos sexuais das mulheres. Concluindo, os estofos de um carro de uma senhora têm sempre de ser substituídos. Especialmente o banco do condutor. Isto porque os fluidos vaginais segregados pela masturbante faz um estranha reacção química com as toalhitas e deixa mancha. Como acontece com o esperma.
Um aviso. Próxima vez que comprarem um carro, escolham bancos em pele.
Sim é assim tão frequente.

Outro exemplo. Os massajadores faciais, vulgo vibradores, dildos, e outras coisas com formato de pila, são os itens mais comprados por mulheres fora dos supermercados. Há até que faça colecção.
Sim é assim tão frequente.

Este comportamento merece estudo, nem que seja pelas suas implicações clínicas.
Eu já tive namoradas enfermeiras, amigos e conhecidos, enfermeiros e médicos, que passam boas horas a retirar de vaginas desconhecidas, um numero infinito de objectos e frutas.
Sim é assim tão frequente.
E sim, elas são muito imaginativas.

Em baixo deixo uma lista de lesões mais comuns que resultam do uso abusivo da masturbação feminina.
- Cãibras
- Afrontamentos
- Síndrome do túnel carpico
- Dedo engelhado
- Vácuo
Consulte o seu médico se já lhe aconteceu algumas destas coisas mais que uma vez.

Mesmo por saber isto tudo é que confesso uma certa desconfiança, quando uma mulher nega, a sua actividade masturbatória.
Especialmente quando têm cara disso.
E quando sei que o parceiro da mesma, se tivesse metade da habilidade para fornicar da que tem para falar, seria um garanhão da lezíria.
- Então tocas-te à grande?
Calha em conversa! Acontece!
- Como? - Pergunta ela fazendo-se de parva.
- 'Tou a perguntar se gostas de brincar contigo? Se gostas de te dar prazer?
- Brincar?
É oficial. Ela tem 3 vibradores. Um na mesa de cabeceira, um no trabalho e outro no carro.
Até parece que nunca tive com ela bêbeda.
Insisto.
- Sim. Não te faças de despercebida. Fazes-te vir? Tocas pianinho ou não? Coças o sininho?
- Que nojo, eu não faço isso!
É o mal das coisas calharem em conversa.
Mas eu sei muito bem que ela toca-se à grande e até agarra as mamas com força quando o faz. Eu sei porque sei. Não faz ela outra coisa. Pega de merda armada em pudica. Até voas.
Esta é a parte que ninguém diz em voz, alta, mas toda a gente pensa.
E esta é a parte que não devia ter dito.
- Ah não? Deves 'tar a treinar para santa?
- Não?
- Ah não?
- Não, não faço. Isso é porco, nojento, sei lá.
- Ah sim?
- Sim.
- Então daquela vez que fomos para o mato com os copos, em que tu 'tavas aos gritos que nem uma maluca enquanto eu te dava por trás, no rabinho, não contou? 'Tavas a jogar gameboy? Aquele click que se ouvia era das teclas se calhar?
Silencio.
Sim é assim tão frequente.
Calha em conversa.

terça-feira, maio 24, 2011

sexta-feira, maio 20, 2011

A vida de uma M é andar a voar.

Manique do Intendente, 20 de Maio de 2011
03:47

Acabou de acontecer.
E como odeio que isto aconteça. Uma pessoa deita-se, ajeita-se, sente a alma e o corpo a agradecer. Glorioso conforto. Gloriosa cama. É tempo de respirar fundo e pegar num livro.
E ouvir.
Bzzzzzzzzzzz
Merda.
Tenho uma mosca dentro do quarto.
Santo e límpido silencio, longe do cacarejar das galinhas, dos veículos locais.
Merda, merda, merda. Esquece. De segundo em segundo.
Bzzzzzzzzzzz
Tudo em ti é paz e serenidade. Deitas-te de consciência tranquila. Levaste o cão à rua, telefonaste à avó. A louça está um brinco. Tudo foi destruído pela insolente mosca. Acabou de acontecer.
Conforma-te. Se queres sossego terás de a matar.
Mas é complicado.
O corpo está demasiado mole. Cansado de um dia quente e comprido. Os músculos estão fora do horário de serviço. A mente, essa está fragilizada por tamanho atentado. Tu sabes. Terás de matar a mosca.
Ela aproxima-se num provocador e habilidoso voo rasante. Tento acertar-lhe com o livro mas estou demasiado lento.
Ela insiste.
Enxoto, sacudo, abano e sopro.
Os meus sentidos estão fixados na porcalhona. Acompanho-a pelo quarto como um atirador furtivo. Tento a fatalidade, mas ao falhar o ataque descubro à esquerda, outra vilã.
É oficial. Terei de me levantar e caçar em trajes menores.
Jé escolhi a arma. Um chinelo vermelho parece-me bem. Prefiro o tradicional mata moscas mas o calçado terá de servir.
Repentinamente sou um predador. Hábil estratega que tenta encurralar a peça de caça, antes de desferir o golpe final.
O quadro é triste. Um tipo nu, de chinelo na mão, quieto como um faquir, seguindo com os olhos, os errantes trajectos dos insectos pedantes.
Indigentes. Formas diabólicas, seres de Satanás.
Cabronas das moscas. Estava tão bem estendido. Todo eu era prazer e ócio. Eu estava completo.
Isto acontece vezes de mais.
Começou o jogo. Com precisão trato das primeiras duas. Estou decidido a massacrar. Pau e pau. Dois cadáveres. Estas são as mais fáceis. Escolhem sempre o candeeiro, ou a janela para pousar. Depois existem as mais experientes. Geralmente escolhem sítios escuros para se acoitarem. Conhecem a arte da camuflagem. Movem-se apenas quando necessário. Mesmo assim sucumbiram. Uma abatida no armário. A quarta executada no tecto.
Agito os braços à procura de mais alguma. Pego numa camisola para fazer mais vento. Tento assegurar-me da extinção da espécie. Faço-o durante alguns minutos.
Vitória.
O povo saiu à rua. A luta deu os seus frutos. Estou livre das bestas insanas. Viva o meu reino.
Caçadas como esta, fazem de mim um homem. Adquiro experiência e glória. Encaro o sono confiante e tranquilo. Não terei pesadelos.
Ajeito-me novamente. Respiro fundo orgulhosamente e preparo o descanso do guerreiro. Lembro-me de todos os ex-combatentes e acaricio o livro impregnado pela cheirosa paz. Na página abandonada, procuro a frase quebrada e ouço:
Bzzzzzzzzzzz

quarta-feira, maio 18, 2011

Dúbia

O teu aspecto é dúbio.
Crias confusão na minha pequena. Ela me mente.
Deve ser dos nervos.
É sempre.
Restam-me poucas unhas.
Tudo se acentua e eu não quero que nada falhe. O teus aspecto é vulgar.
Evoluiu assim,
Gira como lixo, gira como o teu fundo,
A tua verdade e esquemas perdidos. Nasceste diferente.
Mentira.
Apenas gostas que o resto dos parvos tenham essa impressão.
Mas és pouco,
Como fado e jovens fadistas,
E a merda do voto,
Que é pouco.
Trocos pequenos.
Nada desempatas. Nasceste assim.
Dúbia e vulgar. Suja mas diferente.
Mentira.
Certamente viste-o em algum filme.
Algum filme de televisão, dos que passam à tarde.
Tudo em ti falha.
E que falhasse.
Não devias ser má pessoa.
Isso é que estraga tudo.

Assim sou como um monge

Assim sou como um monge. Continuo em clausura.
Longe dos pecados, num ermo e húmido sitio.
Pedra molhada, ajeitada por verdes, beijada pela chuva, cortada pelo vento.
Assim sou como um monge.
Mas dos que usam roupa interior.

Assim sou como a paciência, lenta e respirada.
Sem casos de policia.
Sem crimes de pele.
Sou uma parte espiritual de mim, outra de ti e outra de todos.
Pobre e comedido.
Deambulo pelo vale à procura de respostas, fugindo a pé.
Ficando de pé,
Mas sempre de roupa interior.

Tem de ser.

Um monge sem roupa interior é uma bomba relógio.
É um padre num baptizado.
Algo ferve naquela figura.
É uma adolescente num concerto.
É a namorada do outro que é tão pura como as outras mas pior que as demais.
Algo ferve dentro das veias.
Há algo que se controla. Há algo que se defende. Sempre com roupa interior.

Depende da alma.

terça-feira, maio 17, 2011

A Sara é uma parva como as outras

Aqui não há conversas, apenas sofá. Dos baratos. Com um tecido manhoso e sujante, também ele sujo.
Envia boas. Cerveja. Flash. Novelas. Euronews. Crime. Crime. Crime. Pensos higiénicos.
Aqui não há palavras. Só fumo e reflexos coloridos nas caras deles.
- Está estragada ela – interrompe o da sweat shirt cinza.
- Quem? - Inquire o companheiro sem desviar os olhos do ecrã.
- Armam-se em pegas e depois não querem grama-las. Escolhessem gajos à maneira. É feio dizer mas é verdade. É bem feita.
- Mas quem meu? – Insiste voltando-se para a indignação.
- E está estragada. As miúdas hoje em dia metem-se a tomar a pílula aos 10 anos para ganharem mamas e depois aos 23 parecem as mães delas. Grandes cus.
- Mas tu estás bem? Mas quem pá? Tas doidinho ou quê?
- A Sara, meu.
- A Sara? Mas estás a bater bem? Porque é que te lembraste dela?
Um riso alivia a sala.
- Estou aqui a ver estes anúncios. Lembrei-me dela. Não sei porquê?
- Tens sempre dois caminhos. Viver a vida dos teus pais, ou viver a tua vida. Olha para o pessoal da nossa idade.
- Já vi. Foi como a Sara fez. Faculdade, emprego, casar e filhos. Tudo como é suposto.
Tudo se ajeita no sofá.
- Mas o namorado bate-lhe?
- Então não. Achas que as pinturas tipo palhaço são só consequência do mau gosto? Isso sabe-se por ai – ajeita-se novamente.
- Olha, eu não sabia. Isso é mesmo uma vida de merda. Uma miúda com 20 e poucos anos a levar porrada. Oh meu. Parece... eu nem sei o que parece. Fico triste de viver num sitio onde acontecem estas cegadas.
- O que não falta para ai é disso. Esse pessoal é todo muito macho, mas farta-se de arrear nas mulheres. E elas ainda desculpam e se alguma coisa dá para o torto, protegem o gajo.
- É triste.
- Pois é. Viver a vida dos outros é mesmo muito triste.
Comprimidos para emagrecer, prestações, reabilitação de álcool e drogas, promo de novelas, crime, sexo, jogo da bola, tv shop, etc.

terça-feira, maio 10, 2011

Nem de propósito

Ontem escrevi sobre desperdício de tempo. Hoje o tempo desperdiça a minha energia.
Cá estou eu. Mais problemas com o computador. De repente e do nada. Puf.
Que se foda o windows.
Já chega. Não há paciência.
Que se fodam as bruxas e os bruxedos. Como é possível? Nem de propósito.
Mais um sobressalto.
Outra vez.
Qual é a graça? Querem nivelar-me convosco. Injectar-me fel e cólera. Desejam o fim do meu sorriso. Ora bem. Faço-lhes a vontade.
Se depender de mim não haverá referendo. Queimo-as todas e aprendizes também. Queimarei até os livros do Harry P. para ninguém desconfiar que ser bruxo pode ser fixe e do bem.
Se depender de mim os castigos medievais da inquisição serão pouco para os magos de agora.
E o que me surpreende mais, é haver gente que me liga assim tanto. Existem pessoas mais odiáveis. Nem eu me levo tanto a sério.
Alem de que não vou parar. Continuarei sempre, nem que seja pelo facto de não saber fazer mais nada. Posso demorar, posso perder ritmo, mas conseguirei. Já fiz pior e já vim de pior.
Podem embruxar-me o que quiserem. Quando tiver a minha oportunidade de vos chegar, não falharei.
E vocês sabem disso.
alea jacta est seus filhos e filhas da puta.

segunda-feira, maio 09, 2011

Se não os puderes vencer não te juntes a eles

Desabafo.
Uma das grandes tristezas da minha vida é desperdiçar tanto tempo com terceiros. Incompetentes ou estúpidos ou mal intencionados. Tanto faz.
Seguramente já passei mais de 8 horas ao telefone a reclamar com os meus serviços de Internet. Precisava disto? Não.
Já tive banda com pessoas que comiam maçãs enquanto gravávamos coros. Namoradas completamente loucas viciadas em coisas doidas. Provincianas mal vestidas que julgam o que digo ou o que faço no facebook. Etc. Acabo sempre por dispensar tempo com estas historietas. Acabo sempre por gastar dinheiro. Acabo sempre por responder.

"rudeness is epidemic" - Hannibal Lecter

É mesmo.
Quem pode e não tem filhos, tem um motivo muito simples para não os ter. Os filhos dos outros. Os pais dos outros.
Vive-se mal. O intelecto é perseguido. A inteligência não é bem vista.
Qualquer valor humanista, não é bem visto. Parte deste mundo deixou de apreciar tais coisas.

Mas a epidemia atingiu tal ponto, tal impacto na nossa sociedade, que soa a Apocalipse.
Que sei eu. Vivo num mundo protegido e não estúpido. Uma redoma social e humana. As minhas molduras são tão elaboradas comparando com retratos vizinhos.
Confesso.
Não atinjo o desgosto dos outros.
Não compreendo a inveja, o despeito, a integração.
Disso sou culpado.
Estou em inferioridade numérica. Para mim esta batalha é muito difícil de ganhar. A estupidez é demais. É grandiosa. É epicamente completa.
Ela surge. Irrompe pela minha vida e eu nunca estou preparado. Eu nunca estou à espera dela. É traumatizante. Tento ser estúpido e não consigo. Tento pensar como o adversário, mas é-me turvo. Foge-me da ideia. Escrevo-o muito sinceramente. Sinto-me emboscado.
Mas juro. Mesmo que não os possa vencer, nunca me juntarei a eles.
Custe o que me custar.

segunda-feira, maio 02, 2011

O resgate da minha alma

Desde que me transferi para o campo, os meus amigos lisboetas tentam persuadir-me a regressar à capital. Eles tentam resgatar a minha alma e o meu rasgo, como se estivesse preso noutra dimensão.

Eu também gosto muito deles e tenho muitas saudades. A sério.

A preocupação deles é legitima. Há muito totó que chega ao campo e calça logo uns botins. Os mais camaleões, deixam crescer as suíças, apagando o seu mal fadado e suburbano passado. Ganham novos modos. Ganham uma nova personalidade.
Ora eu não.
Sou puro.
Nado e criado dentro de Lisboa. Não faço parte desse gang.
Outra coisa que os preocupa é a ausência de "horizontes", de oportunidades.
O equivoco deles é normal. A cidade está cheia de campónios que saíram daqui descontentes com as perspectivas de futuro.
É muito mais fino ser escravo em Lisboa. Pelo menos há o bairro alto.
Ora eu também não dou para esse peditório.

E quando eles me perguntam pelo meu exótico e distante quotidiano. "Como é que é viver no campo? Como é que aguentas lá estar? Não tens saudades disto aqui?" Eu respondo:
- É simples. Imagina que vives em Alfama, mas sem policia, sem turistas e sem fado. De resto...

A Dieta - 5 - A Pesagem

IMC - 26,33 Sobrepeso Não me posso pesar todos os dias. Diz que torna a malta ansiosa e acho que a ansiedade engorda. Posso-me pe...