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A mostrar mensagens de Abril, 2011

A semana das trovoadas

Não há frio em semana de tempestade.
Todos os dias há trovoada. Há barulho e electricidade e mais barulho.
Há o que tem de haver.
Há sol calor, chuva parva depois.
Há ambição e sonho do meio do caruncho esfomeado. Que raio de coisa o caruncho.
Que um gelado não acompanhe depois.
Basta assumir as olheiras, ficar refém dos ecrãs e fazer pausas de duas em duas horas.
De duas em duas horas.
Até às televendas. Até babar almofadas. Até desesperar ao pensar na dificuldade que será arrastar o corpo do sofá para a cama.
Não há frio. Esse foi embora. Deixou-me de calções.
Não há noite ventosa que corta o osso e deixa a pele dura.
Não há peito retesado nem mãos nos bolsos. Esqueçam as poses encolhidas.
Relâmpagos furtivos. Divinos e poderosos.
Assustam-me
Encolho-me sempre. Como se fosse possível desviar-me de uma bala.
Como um super-herói.
Daqueles que adoro ler nos quadradinhos.
Eles que fazem tudo o que o nosso cérebro desejou fazer.
Serve ficar em pijama, agarrado à cor, com a poderosa luz da mesa de cabe…

Se o mundo acabar amanhã a culpa não é minha

Quando dou por mim a discutir loucura com um doido, alguma coisa me escapou.

Como é que explico a uma alma perdida que não há volta a dar?
Todos os loucos acreditam na repetição. Se é comum, é normal. Não, não é! Pode estar instituído e ser completamente anormal.

Grande parte das quezílias sociais que tenho passam por esse lado.
Eu tento provar aos "bichos" que estão dentro de uma "jaula" que os impede de experimentar outras realidades. Tento virar o urinol e fazer dele uma fonte. Mostrar outro lado. Expor outras verdades.

E pensa o leitor:
- Isso é normal. As pessoas são mesmo assim. Agem em conformidade independentemente do óbvio. O pior cego é aquele que não quer ver. Esses são os verdadeiros muros que prendem a humanidade...

Ora eu tenho outra teoria. Os cegos são realmente cegos e julgam ser normal sê-lo. Eles nunca estão desajustados. O mundo é que repentinamente gira ao contrário. Quando chega a decisão, há todo um hiato espaço-temporal ilógico que inverte o univer…

O mentiroso, o coxo e o infeliz

Devias saber que gosto de cereais com leite. Mas gosto de misturar diferentes tipos.
Gosto de os comer com violência e despreocupação.
Gosto de dormir com miúdas cheias. Raparigas comprometidas. Preferencialmente.
Gosto de mentir e passar horas no café. A dizer merda. A falar de nada e interessar-me por tudo o que não tem interesse.
Não sou ninguém.
Nem um ponto na história. Nada de positivo acrescento. Sinto nada.
Sou vazio. Inútil.
Qualquer pessoa inteligente despreza-me.
Sou mau e coxeio com os outros mancos. Todos nos apanham porque a infelicidade é fácil de atingir.
Basta ser cínico e amargo como eu. Pobre de espírito.
Basta ser nada.
Ser sombra dos outros. Fazer peso ao chão.
Sou manso apenas até ser traiçoeiro. Sou pobre até conseguir roubar e me vingar de todos os que são felizes.
Essa noção devia morrer. Esse pedaço devia terminar.
Coxeamos em manada e de rancor em punho. Juntos para parecermos muitos. Juntos para haver pertença.
Somos menos que merda.

O mentiroso que se apanha rapida…

As compras do mês

Agora troveja violentamente. O céu enche-se de água luz e electricidade. Clarões temidos.
Quando acordei estava sol. Um dia lindo para ir fazer as compras do mês.
Almocei tipicamente e dirigi-me sem lista a supermercados regulares.
Adoro fazer compras segunda feira à tarde. Sé eu e reformadas bem penteadas. Algumas jovens mães, outrora jeitosas, tentam chamar a atenção fingindo actividade. Cheias de calças de ganga e decotes "modernos".
- Nunca subestimar o fulgor de uma mulher aborrecida. Perigosíssimo.
Estou de óculos escuros e não tenho tempo para modas sociais. Sorrio às reformadas e apresso-me supermercado dentro.
Como sou um homem moderno e inteligente, procuro a minha arte. Desde que aprendi a cozinhar, ganhei a mania de comprar o meu próprio comer. Tal conhecimento obriga-me a deambular por diferentes estabelecimentos, fazendo de mim um peregrino gastronómico em busca do paladar mais refinado.
Sorrio às reformadas bem penteadas e passo decidido a indecisa porta automá…

Poucas coisas que ocasionalmente me seguem

Tenho um novo mostro em casa. Chama-se pilha de louça começa a ter seres vivos. Desejo anunciar que pretendo comprar uma maquina de lavar energicamente eficiente.
Também desejo outras coisas como guitarras e o fim da carreira do Nicolau B.

Estou a fazer o jantar. Sou um homem crescido por isso como Ovo cozido com batatas cozidas e peixe cozido. Pouco sal, poucas cores no prato. Se eu fosse uma criança começava já a fazer birra.

Tenho uns ténis novos. Aliás devo estar a regredir filosoficamente. É o terceiro par de ténis que adquiro este ano.

Por falar em crise. Procuro Vespa cheia de estilo e em bom estado. Ninguém tem um avô que se tenha retirado da vida de fazenda?

O Myspace está moribundo, não me adicionem com a vossa música de quarto. A música está cada vez mais longe das pessoas. Foi da garagem para o quarto, fechou-se e suicidou-se. Tal qual a inteligência de um Dj.

Procuro novas formas de ofender pessoas estúpidas porque as que uso são demasiado elaboradas. Podes ler isto novame…

Gay For Johnny Depp “Cum On Feel The Boize”

Só assim

Carta ao sr professor - Eu desisto

Sr professor.
É com imenso desgosto que sou forçado a comunicar que o meu trabalho e toda a investigação sobre aldeões, atingiu o ponto de não retorno.
A culpa é desta vil e perigosa sociedade paralela.
Cedo percebi que seria impossivel infiltrar-me. Seria mais fácil vender a alma ao diabo, que agir e pensar como esta gente.
Não vale a pena.
Está fora das minhas capacidades.
Ultrapassa-me.
Tal actividade seria mais fácil no estrangeiro. E não exagero. Posso até dar o exemplo da língua. Apesar dos locais usarem o português, ninguém sabe bem o que diz e como se diz. Muito menos como se escreve. Muito se deve ao facto de aqui não se usar o dicionário. As palavras podem ter múltiplos significados.
Os locais dominam habilmente esta revolução linguística. Chamam-lhe "desconversar". Há que faze-lo com mestria e sem conteúdo. No meio deste exercício é frequente falar-se muito e sobre o nada. Tal atribui uma nova ideia de valor à mensagem e ao respeito que o interlocutor merece tradicionalm…