quarta-feira, fevereiro 23, 2011

O verdadeiro ninja não usa colãs

- É como te estou a dizer pá. O Verdadeiro ninja não usa colãs. Usa os tomates.
Do outro lado uma mão tenta segurar os risos descontrolados.
- Usa os tomates e ataca com pujança. Olha-me este gajo a rir.
Escorre uma lágrima. Compõe-se a camisa fora de moda. Com a mão direita acentua-se o tradicional risco ao lado.
- Epá mas tu tens que me dar razão. É o poder do ninja. É o código de honra do ninja. Apensas se sendo ninja, podemos ser nós mesmos.
Andando em direcção do divertido par, chega uma miúda Loura. Com as suas próprias singularidades. Vem distraída com tecnologias, abanando-se o suficiente. Vem de passo inocente, completo e estudado para não se notar. Não são horas. Tão retesadas curvas nunca chegam aos olhos de mansinho.
O sol e a roupa não ajudam. Contornos, sombras e brilhos demais. O vento malandro embala e envolve. Aproveita-se da sua força, para espalhar aos mortais, aquele perfume de amor.
Como uma pedra no vidro.
- Olha pá'quilo. Foda-se.
- Muito jeitosa a menina. - Reforça o não-ninja.
Seis passos depois.
- Bom dia. Eu venho para a minha 1ª aula de condução.
- Ah, é comigo mesmo. O carro está ali. Venha comigo se faz favor. - Responde o ninja.
Enquanto os dois se afastavam, depois de ter sido confrontado pela piscadela de olho do colega desabafa baixinho.
- Há gajos com sorte.

É só uma cena.
É só a cena do costume.
Ontem à noite li por pensamentos alheios: Amanhã. A minha 1ª aula de condução.
Em baixo os batidos e imbecis comentários machistas do costume. "A ver se amanhã não saio do passeio", "Mulher ao volante perigo constante", "Isso vai ser a que horas. Homem prevenido vale por dois".
Lembrei-me de outra coisa.
Lembrei-me que existe um fenómeno de classe associado aos instrutores de condução. São todos completamente tarados.
Rebarbados.
Estão sempre com a fantasia que param o bólide num sitio escondido, e que a sua sensual aluna lhes sugere cenas brutas. Sexo. Pornografia sem cameras.
Não é preciso ser sensual. Eles não são esquisitos. Pode ser uma qualquer.
Toda a gente que tirou a carta refere que o seu instrutor de condução "era um tarado da pior espécie"
Mas há algo mais grave. É que se aceitam trocas, e há pagamentos em géneros. Não é assim tão invulgar subornar um instrutor, ou um examinador e quando não há dinheiro, há sempre o corpinho.

O assédio sexual é coisa normal. Ninguém liga.
Mãozinhas na perna, festinhas no braço, sorrisinho de lobo mau, frases tipo "há mais manetes".

Cuidado.
Cuidado que eles têm comichões em sítios esquisitos
Eu imagino. Conhecendo as vestes da rapariga em questão. Trapos ondulantes. Simples.
Vê-se demasiada pele para um carro de instrução. Os volumes são por demais insinuantes. Num tribunal talvez, mas ali... numa proximidade física tão intensa e urgente.
Eu imagino

É por causa disto que os ninjas não usam colãs

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

As pilas dos outros

Ontem à tarde desliguei a razão por segundos. Quando dei por mim estava a ver televisão.
Mau impulso. Perigoso impulso. Destruidor.
Um momento de loucura?
Nunca saberei.
Sei apenas que uma apresentadora envelhecida, questionava cautelosamente um especialista.
Quais eram os objectos de estudo do homem?
Disfunção eréctil e ejaculação precoce.
O senhor doutor explicava que estas "situações" afectam uma percentagem elevada dos homens em Portugal. Não tenho os números e as percentagens presentes mas sei que fiquei impressionado com dimensão dos dados expostos.
Atenção.
Se bem entendi, a disfunção eréctil, ou impotência está associada ao avançar da idade, à hipertensão, às doenças cardíacas, a patologias como a diabetes, ou ao stress. Simplificando. Uma doença que é resultado, de uma série de coisas que afectam o português comum.
O problema da ejaculação precoce é um pouco diferente.
Na televisão e para meu deleite juntava-se à conversa o Júlio Machado Vaz.
(Eu imagino as mulheres que foram seduzidas por aquele malandro.)
Desde miúdo que o ouço na radio e o vejo na televisão. Certamente que não era o dia em que o iria ignorar. E mais. Adoro comparar as minhas teorias com as dos especialistas
Ora segundo os especialistas a ejaculação precoce afecta pessoas mais jovens, e, o problema da coisa passa essencialmente pela parte psicológica.
(AH AH. O busílis)
Segundo Júlio Machado Vaz, os homens de hoje sofrem enormes pressões sociais e culturais. Actualmente, e para muita gente, sexo é performance. Se a competência em termos de desempenho sexual, não for satisfatória, podem surgir elementos de grande frustração. Muitos jovens sentem-se diminuídos ou incapazes. Deprimidos. E tudo isto "apenas" porque o papel sexual da mulher, sofreu uma enorme mutação nos últimos 40 anos.
(Aqui é que ela impeça)
Tendo as mulheres um papel mais activo - tanto nas relações como a nível sexual - alguma coisa teve de mudar na cama dos portugueses.
Note-se ainda que o passado erótico de cada mulher aumentou. Hoje em dia as jovens acumulam mais experiências sexuais que as suas mães e que as suas avós - salvo raras excepções é claro, eu bem sei que elas não eram santas - e essa matemática pesa no homem português comum. Esta pressão e esta competição é a grande causa dos imponentes números que a estatística da ejaculação precoce em Portugal apresenta.
Mais. Eu conheço bem o meu vizinho - e afirmo que vizinho não está no sentido literal, mas como o meu par, a minha gente, os costumes e defeitos do meu povo - sei muito bem que está muita boa gente fora desta estatística.

3 pontos:

1 - "Passado erótico" é uma expressão deliciosa. Fantástica.
Diz ele:
- Querida. Como foi o teu passado erótico?
Responde ela:
- Como assim?
- Quantas vezes é que... coiso.
- Hum?
- Quantos parceiros tiveste?
- Parceiros?
- Sim. Sexualmente? Quantos parceiros tiveste?
- Hum... Não sei. Deixa ver. Mas mesmo para coiso?
- Sim, sim. Quantos é que tu... Tu sabes.
- Deixa ver... Uns 211?
Diz ele boquiaberto
- 211? Tens a certeza?
- Sim. Mas calma. Desses 211, 53 foram apenas orais e outros 27 lá atrás. Os restantes tiveram direito aos três pratos.
(O autor deste texto desaconselha qualquer tentativa de questionar o passado sexual das parceiras dos leitores. Há coisas que mais vale ignorar. Alem disso elas não vos vão contar "toda a verdade". Podem crer. Não tentem isto em casa)
Mas imaginemos outro caso:
- Então a irmã do Pedro é doidona? Atiradiça é ela. Pinta de vaquedo a gaja.
- Digamos que têm um passado erótico vasto e um futuro erótico em expansão... ou emergente.

2- A ejaculação precoce está a condicionar a vida sexual de uma geração inteira.
Confesso que à medida que fui conhecendo a realidade sexual das pessoas "à minha volta", sempre apontei o dedo à ligeireza com que se abordava o tema.
- Ontem aguentei-me dois minutos.
- Oh meu, caga nisso. Acontece.
Admito ainda que conheço um significativo número de homens, perfeitamente saudáveis, que sofrem regularmente de ejaculação precoce. (Estejam descansados que não vou dizer nomes)
"A tua virilidade têm a duração de um foguete". "Anda meio mundo a ejacular precocemente outro meio". (Se eu vir t-shirts com estas frases vou cobrar os meus direitos de autor)

3 - Conclusões:
- Ainda tenho a capacidade de destingir a diferença entre o comum, e o normal.
- Se aparecer um pessoal mais velho a dizer que estes jovens machos de hoje, cheios de penteados, de Erasmus e de cursos desnecessários, são, inseguros, mal-formados, frustrados, incompetentes, incapazes, negligentes, cobardes, desleixados e complexados, não se admirem. "Nem para cobrir prestam!". O que é triste é que mesmo com este problema, a maioria das pessoas não procura solução ou ajuda.
- Uma amigo meu de longa data tem toda a razão quando afirma... e passo a citar "Fode-se pouco e mal. Fala-se muito, mas foder que é bom, tá quieto".
- Que este estado de coisas explica muito sobre os comportamentos dos jovens adultos. Basta relacionar. (Isto dava outra tese, muito extensa para dissertar sobre isto agora).
- Que quando se pensa nas pilas dos outros é normal que a tua não funcione devidamente.

Sejam homenzinhos. Ganhem "machesa".

terça-feira, fevereiro 08, 2011

Acordo desacordar com o acordo que acordou estas parvoices todas

Como brioso profissional da escrita que sou, estive a analisar e aprofundar os novos horizontes que o famoso acordo ortográfico impôs à nossa língua. Esta semana vai ser assim.
Vou blogar... Vocês também deviam ir blogar. Quem bloga agora tem outra capacidade de blogueamento e blogueará melhor num futuro cada vez mais blogueante. Os mais críticos podem dizer que o futuro é blogueoso, mas eu acho que é bloguista.

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Tudo está calmo. Até no funeral de um rato

Dizem que é frequente confundir fome com sede durante a noite. Aqui não há confusões e só percebi isso 3 copos de agua depois. É agua a mais e comer a menos.
Bolachas e iogurtes.
Tudo está calmo. A noite de 3ª é a melhor da semana. É a mais tranquila.É um descanso.
Tudo está calmo.
Disseram-me para escrever sobre a minha vida. Existem pessoas que gostavam de saber mais sobre o meu fantástico quotidiano.
Disseram-me para escrever sobre a minha vida e desejo anunciar que a minha maquina de lavar, avariou. O CSI das maquinas de lavar já veio cá a casa e disse-me que a culpa era de uma rato do campo chamado Inácio. Um activista rebelde habituado à guerrilha. O rato Inácio - el ratito como é conhecido junto dos guerrilheiros ratitos de lo campo - Tem sabotado equipamentos domésticos de valor elevado. A luta passa por devolver o espaços campestres aos seus habitantes originais, aos seus povos nativos. O inspector que me esclareceu, sabe ler ratês e uma vez interceptou o manifesto dos terroristas. Foi numa rusga em casa de uma prima minha. "Liberdade à fauna e flora - Fora com os humanos"; "Veneno mata - Fim à guerra química."; "Roí com prazer, Luta com alma."
O sacana do rato aniquilou a minha capacidade de lavar grandes quantidades de roupa em pouco tempo. O sr. inspector pediu-me para deixar tudo com eles mas eu não acredito no nosso sistema de justiça.
Fiz uns telefonemas.
Telefonei a um gato chamado Bixe, um mercenário aventureiro com um problema de jogo, que conheceu a boca do meu cão por dentro. Salvei-lhe a vida. O Bixe já passou muito tempo a viver na rua - antes de ser adoptado pela mulher adultera de um GNR coxo - facilmente achou o rasto a esse revolucionário de meia tigela. No entanto falhou a segunda parte do serviço e ficou entalado num motor de uma Ford Transit. Não houve funeral.
Tentei ratoeiras, pesticidas e venenos em geral. Havia de apanhar o infame.
Um dia ao ver uma série de ratos de luto descobri: El ratito, Inácio para os amigos, morreu.
Foi o jantar de uma família de corujas.
A força aérea é lixada.
O tipo do CSI nada pode fazer contra as corujas porque estão fora da sua jurisdição.
Viver no campo é agitadissimo.
Se as historias dos animais são assim. Imaginem as das pessoas.

A Dieta - 5 - A Pesagem

IMC - 26,33 Sobrepeso Não me posso pesar todos os dias. Diz que torna a malta ansiosa e acho que a ansiedade engorda. Posso-me pe...