sábado, janeiro 22, 2011

Felizes como o nojo

Eu costumo ter ideias espantosas.
O Facebook devia ter uma aplicação, onde fosse possível bloquear fotografias com casais do nojo.
Bebés feios, gajos em moto-quatros, forcados e outras ideias parvas ao dinheiro, ainda vá que não vá, mas casais do nojo mete espécie.
Ela toda gordurosa e sorridente, com óculos tipo secretária porno, penteada com uma maquineta que uma tia-avó lhe ofereceu no casamento, comprada às 6 e meia da manhã na tvshop. Toda torta. Parece que não tem espinha dorsal. (Essas gajas devem viver em sítios onde faz uma ventania desgraçada). Brincos pega-rabuda, fios pega-real, decotes mega-pega, cintura pega-porca, ventre papo-de-pega, cuecas pega-puta, coxas pega-colante, tornozelos pega-maço-de-bater-calçada. O sorriso do nojo, aprenderam numa foto da revista Maria, ou com as outras felicidades e objectivos de vida, adquiridos juntamente com as doenças venéreas, durante o tempo da faculdade. A fêmea nojenta anda em grupo e fuma com estilo. Fala alto durante a época de acasalamento (todos os dias do mês) e gosta das novas tecnologias como os vibradores sem fios, smartphones, "cenas" para ouvir música e cinema 3D. Ter conta no facebook é essencial para sociabilizar.
Ele queria jogar a bola mas o joelho não deixou. O joelho e o treinador dos iniciados que percebeu logo que talento havia muito pouco. Ele todo justo. Todo ele são números abaixo. (aviso: A organização mundial para o funcionamento e saúde dos testículos informa - Usem calças para homem. Não vale a pena prender os genitais. Eles não caem. Por muito pequenos que sejam, os próprios não se desprendem do resto do corpo e abandonam o individuo. Com a sua cara romântica encostada às luzidias bochechas da "melher", com o cabelo cortado por 4,50€ no senhor Armindo (78 anos, cataratas, careca) na passada 3ªa feira, nojentamente feliz. Eu sei porque é que o sacana está feliz. É dia de ir às putas com os amigos.
- Vou-lhe fazer aqui um penteado novo. Uma coisa mesmo muito jovem, como se usa agora. Já viu o Tony Carreira? - Inquiriu o Sr Armindo (Viúvo, duas filhas casadas, paga 20€ por casa serviço à Marianne. Uma brasileira "jeitosa para fazer bigodes" lá no bairro.
Eles na foto. Nojentos. Com uma merda de uma paisagem qualquer atrás. "Lembras-te querida? Fomos ao cabo Espichel..." Como não. Foi a primeira vez que lhe chegaste a roupa ao pêlo. Mas felizes. Ela porque depois comeu o melhor amigo dele; Ele porque vai às putas. Têm a mesma fotografia nos Jerónimos, na Costa da Caparica, em Mafra, na Nazaré, no Portugal dos pequeninos, no Gerês, na Serra da Estrela, em Albufeira. Os casais do nojo vão sempre de férias viscosamente. Arrastam as suas panças na caça às almoçaradas, a ver recém-nascidos como os Reis Magos, a visitar famílias e amigalhaços. Procriarão e propagarão a palavra do senhor. Pregarão a palavra da senhora sua mãe e da vizinha. Criarão as crianças na mesma dinâmica e tudo será igual ao que foi.
Serão sempre aborrecidos e felizes como o nojo.
Sim porque eles amam-se.
Amam-se que até mete nojo.

quinta-feira, janeiro 20, 2011

Nunca gostei de palhaços.

Não tenho histórias sobre a liberdade, e ainda bem.
Não tenho camaradas. Não conheço homens pequenos, nem homens grandes. Conheço poucos homens
Conheço pouco e sem aflição.
(É próprio da minha gente.)
Conheço o que me interessa e o que não me faz falta... E às vezes, ainda bem.
Não há luta, nem ideais. Isso são stocks de teorias para o outlet das ideologias. Vende-se, 80% de desconto. Peças com defeito. Não se aceitam devoluções. Trocas só com o talão.
Não tenho censura ou policia politica.
Tenho banco, impostos, lobbies, corrupção e redes sociais online.
É doentio na mesma, mas é mais colorido.

terça-feira, janeiro 18, 2011

O Divã - II - A tradição é para morrer




Nos meus tempos de anarquista de liceu fartava-me de escrever a frase "A tradição é para morrer". Paredes, cadernos, nada escapava. Queria mesmo que o mundo lesse a frase e despertasse da apatia em que se encontrava.
Actualidade da obra? É total.
Na ultima noite de natal depois de alguém finalizar um discurso com a afirmação "A tradição é para manter", assisti ao resto do "partido" acenar afirmativamente e repetir baixinho. Tão convictos quanto possível.
A tradição é para manter, porque sim e porque é tradição manter a tradição. Por cá tentar-se-à manter o costume mesmo que o hábito seja ridículo.
Mesmo que seja estúpido.
Mesmo que nos atrase e que nos deixe ao lado do mundo.
Nada será tão importante como continuar a fazê-lo.
Nunca como hoje será importante vingar a inteligência e rebentar com o instituído. É hora de enaltecer a personalidade e abandonar os rebanhos de lugares comuns. Foram estas convenções que aniquilaram o espírito humano, que desagregam sociedades e os seus valores
Que morra a tradição.

O mocho concorda comigo. Nota-se pelo seu olhar.

- Mas explique-me. Que tradições quer você matar? - questionou com voz baixa.
- As touradas, os ranchos folclóricos, a ganga, a violência doméstica, as bandas de covers, a cunha, as eleições, a igreja, os trajes académicos, as prestações, o bacalhau cozido no natal... Eu sei lá... Gostava que as pessoas tivessem um cérebro activo. Que pensassem... Merda... que pensassem...
- Você acha que as pessoas que apoiam esse tipo de tradições não são seres inteligentes? - perguntou provocador.
- Deixe-me adivinhar. Você trajou na faculdade. Andava mascarado de pinguim-morcego a fazer serenatas as miúdas que queria comer - disse enquanto me ria.

Eu já percebi que o meu terapeuta é maricas.

- Não é isso...
Levantei-me num só movimento sentando-me no divã.
- Trajou ou não? - insisti interrompendo.
- Trajei, mas não é por causa disso que...
- Eu sabia - disse interrompendo novamente - Você é daqueles que têm de estar integrados. Tem de fazer parte. Você é pedaço de um todo. Uma generalidade. Um pobre que apenas se realiza através dos outros... Da imagem que terceiros têm de si...
- Aqui quem faz análise sou eu - disse irritado - O que eu estou a tentar exprimir é que as tradições são, num ponto de vista social, o que nos destinge... O que nos difere. Sem elas não temos identidade.

"Ela" está louca... uhhhhhhhhhhhhh...
Confesso que a minha atitude foi rude e provocatória.
Mas também lhe pago para me divertir.
E ataco aproveitando embalado pela reacção do meu interlocutor.

- Identidade em relação a quem? E de um ponto de vista inteligente? O que são as tradições? Tenha dó. Se tivéssemos de manter a tradição para tudo estaríamos na idade da pedra. Para torturar um animal já podemos alegar que é tradição. Que é cultura. Que é arte. Filhos-da-puta. As tradições têm de morrer.
- Deixe-me só perguntar. Como é que as vai liquidar?
- Com o cérebro doutor. Com o cérebro.

O mocho concorda comigo.
Solidariedade com todos os da sua espécie, que foram abatidos para ornamentar uma sala de estar. Embalsamados e em eterno desgosto.

- E se nos deixássemos destas picardias e nos focássemos em si - atirou com honradez.
- Desculpe - respondi sincero - Eu sei que sou viciado em retirar reacções das outras pessoas.
Ele riu e disse calmamente:
- Sim é verdade. E é muito bom nisso. Mas é altura de me contar o que veio cá fazer afinal. Certamente não me paga para me atiçar e por em causa o meu profissionalismo.
Um silencio escurece a sala.
A minhas mãos esfregam-me a cara, ajeitam o cabelo, engulo em seco e com o ar mais sério do mundo digo:
- Sr. doutor. Porque é que eu sinto que este Mundo não é para mim?

Do outro lado um suspiro fita-me intensamente.
Coloca o caderno bordô em cima da secretária, debruça-se em minha direcção e diz-me calmamente:
- Então vamos descobrir porquê.

sexta-feira, janeiro 14, 2011

A crise é uma coisa lixada

Antes da crise comprava camisolas com 30% de caxemira.
Actualmente só consigo comprar malhas com 10% de caxemira.
(Acho que a palavra caxemira fica bem no final das frases)
Actualmente as pessoas votam.
Antes da crise também.
Se mudarmos de sistema politico poderei a voltar a adquirir camisolas com uma percentagem de caxemira significativa.
Se continuarmos a votar neste sistema "representativo" vamos continuara passar um cheque em branco a um provinciano vaidoso qualquer, sedento de fama, que "organizará" em conjunto com os restantes comparsas, a vida actual e futura de um país.
Faze-lo é estúpido.
(Tal e qual o novo acordo ortográfico. Demasiado estúpido para ser europeu.)
Votar é estúpido, e dizer que devemos sempre exercer o nosso direito, o nosso dever, é mesmo muito imbecil. Quem não quer votar também tem direito e o dever de não o fazer.
Antes da crise, os velhos falavam-me de tempos com fome, num país rural, sem hospitais, sem liberdade e sem força para falar em voz alta.
Depois da crise os velhos falam-me de um pais que será sempre rural, sem a fundamental justiça - porque o que será da saúde, da economia e da educação ou de outra coisa qualquer sem justiça? - uma pátria cheia de comunistas neo liberais socialistas ecologistas cristãos, com muita irresponsabilidade e com uma sociedade civil que sofre de ejaculação precoce.
Não votarei e continuarei a comprar camisolas de caxemira.

Será que sou oferecida? - Estratagema bardajão

Se te queres pavonear o ano todo, numa de espalhar moist online, modernamente é claro, deixa estar a tua foto em bikini que exibes via facebook.
E não te esqueças de mudar a legenda para: "Saudades do verão"

quinta-feira, janeiro 13, 2011

quarta-feira, janeiro 05, 2011

Resoluções para 2011

Sempre que começa um novo ano farto-me de fazer resoluções.
Promessas.
Juras de amor, escárnio e mal dizer. Cantigas.
O que é engraçado é que o prazo que demoro a "rebentar" com as jovens resoluções.
Só para começar. Em 2011 vou comer melhor, vou passar menos tempo em frente ao computador e vou ter a casa mais arrumada. Ou seja, já comi duas vezes atum enlatado, instalei uma série de aplicações e estou desde segunda a editar som. Quanto à arrumação, ainda não fiz cama. Estou a dormir em cima da cobertura há 3 noites.
Isto começa bem.
Só para acentuar... Ando a ouvir Every Time I Die. Música para brigar.
Estou dentro da moda. 2011 há muito que tem o destino traçado. Anda certamente alguma congregação secreta a boicotar o ano menino.
Há meses que não se pode ver um telejornal. Crise, crise e mais crise. Alarme, escândalo, pobreza, eleições, mau tempo, corrupção, politica, violência, e outros dramas afins.
Dá vontade de perguntar: Se estes tempos são difíceis, como eram os antigos? Deixem-se de merdas. Não há paciência.
Feliz 2011
Isto realmente só pode melhorar.

P.S - O teu voto é pura ilusão. Não votes.

A Dieta - 5 - A Pesagem

IMC - 26,33 Sobrepeso Não me posso pesar todos os dias. Diz que torna a malta ansiosa e acho que a ansiedade engorda. Posso-me pe...