terça-feira, dezembro 14, 2010

Ela manda

Saio de outra vida. Saio composto. Bem vestido. Elegante e maduro.
Como num anuncio a perfumes.
Passa a passo na estrada molhada e brilhante. Mesmo no meio.
As mãos exibem luvas pretas, suspensas, longe do do quente do bolso forrado. Saio de outra vida. Mesmo a meio, e volto a pensar na minha jornada. Mesmo a meio.
Ao longe, quilómetros a frente, ecoa um motor, diesel.
Volto a apreciar o silêncio e o relógio que me acompanha. Que me envelhece. A minha viagem, mesmo a meio de tudo, difere de sentido. Tem vida própria e cenas de adultos. Cruza-se com o rebanho no pasto, mas insiste em pular a cerca. Ela não tem medo de lobos. Ocasionalmente até os ataca.
Cenas violentas, algumas chocantes. Algumas com sangue.
Algumas com graça.
Ele corre violenta como o galope de um cavalo, espezinhando à sorte outras vidas. Enfurecendo. Criando azar e outras metades. Mesmo ao meio.
Ela manda.
Não vale a pena contrariar, ou copiar pelo colega do lado.

segunda-feira, dezembro 06, 2010

"Se não usarmos os palavrões livre e inocentemente, eles tornar-se-ão em meras obscenidades. E para obscenidade, já basta a vida em si."



"Se não usarmos os palavrões livre e inocentemente, eles tornar-se-ão em meras obscenidades. E para obscenidade, já basta a vida em si."

Um grande actor. Um grande texto. Um enorme escritor

A vida em oleo vegetal

Lá está. Curiosamente descobri que, o factor determinante para o aperto em que os cadáveres de sardinha se apresentam dentro da lata - mesmo atingindo a estante de um vulgarizante supermercado - está intrinsecamente relacionado, com o preço do óleo conservante ser superior ao da própria sardinha.
Ou seja, apesar de necessário, o suporte acessório e complementar é mais importante que a matéria prima, condicionando a qualidade desta ultima.
É o que se passa com a arte em geral no meu país.
É o que se passa com tudo no meu país.
Mas se eu tivesse de comparar o meu país com um produto enlatado, e apesar da imagem de 3 sardinhas decapitadas parecer uma bela analogia quando pensamos politicamente, eu sem duvida que escolheria o sangacho de atum.
Algo negro, avermelhado e barato.
Algo que já esteve bem perto de uma espinha dorsal.
Uma coisa esquisita que nos põe a adivinhar? Carne desfeita, passada pelo tempo e pela chuva pesada.
Abro a lata, olho e questiono:
- Mas que merda é esta?
Nas minhas costas, uma voz trocista, assusta-me
- E devias ver o que ai vem!

A Dieta - 5 - A Pesagem

IMC - 26,33 Sobrepeso Não me posso pesar todos os dias. Diz que torna a malta ansiosa e acho que a ansiedade engorda. Posso-me pe...