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A mostrar mensagens de Outubro, 2010

A crise dos pinguins

Direito, Economias, Gestão, sempre tive facilidade neste tipo de ciências de pinguins. Só por teimosia e má fé é que estas coisas têm funcionado mal.
Ganancia e mau carácter, vá.
É próprio de gente mal formada.
Magotes de professores e os senhores doutores enchem os nossos ecrãs com concelhos e pareceres sobre a catástrofe que se abateu sobre o sistema financeiro ocidental - fatalmente é claro... ninguém lucrou com isto tudo - Os telejornais e especiais de informação parecem o BBC vida selvagem. Ali está a colónia... Todos a fazerem sons estranhos e desesperados para acasalarem com uma pinguinha toda muito bem posta.
Só que os olhos não mentem. Quando cruzo olhar com a fêmea sei de que raça é ela. É dada. É secreta. É bandida.
Ao lado e ao fundo vem alguma coisa para cá, muito lentamente e num andar esquisito. Tenho dificuldade em ver quem é porque sou míope.
- Ah é o teu par. Está na hora de me retirar. - gracejo com um sorriso.
- Eu já te digo coisas. - Responde a pinguinha insinuan…

A minha música é melhor que a tua - The Flatliners “Count Your Bruises” (acoustic at Riot Fest)

As listas estão fora de moda

Dizer estilismo está fora de moda. Também as palavras têm popularidade flutuante.
Com as ideias passa-se o mesmo. Felizmente e por mais que tentem, não se consegue catalogar ideias. O rasgo não se troca por pontos acumulados. Não há carregamentos de sensibilidade.
Manta "Dralon". Lençol em flanela. Lençol com elástico. Manta polar. Cobertura de colchão. Almofada de penas. Lençol em micro-fibras. Edredão. Colchão 140x 200 cm.
Perder continua fora de moda. Perder nunca será o novo preto. Se perdemos um sonho, perdemos um pouco de nós.
E se perdermos... nunca existirá um nós.
Casaco com capuz. Sapatos casuais. Carregador de bateria. Extensão eléctrica.
Exercer poder está fora de moda. Reclamar sim, mas decidir não! Isso é coisa de quem quer mandar e querer mandar é hábito muito mal visto. Escolher nunca. Há que ficar no mesmo sitio e esperar que o vento mude.
"Se todos são imbecis, não sou eu que me vou armar em esperto."
"Pralinés" crocantes. Peitorais. Queijo …

O Divã - I - As madeiras

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É esquisito estar deitado neste divã.
Em plena luz do dia. Acordado e a falar do que não quero.
Os meus olhos viajam por todos os pontos do consultório.

- Não o irrita? A mim tira-me do sério. Os escritores nunca dizem mal uns dos outros. Alguém que venha dizer que Os contos do Gin-tonic é o livro mais parvo de sempre.
- Tenha calma. Dificilmente o livro terá esse recorde - respondeu divertido.
- Sério - insisti - Você já leu aquilo? Se eu fosse escritor ficava envergonhado. Desprestigia toda a literatura nacional.
- Mas lembre-se que o livro teve bastante sucesso.
- Isso depende da noção de sucesso de cada um.
- E você? Acha-se uma pessoa de sucesso?

Na ultima prateleira da estante, está uma estatueta de loiça. Um mocho que tudo vê e que tudo ouve.

- Lá está. Isso depende da noção de sucesso de cada um - brinquei.
- Vá lá. Faça um esforço. Acha que o sucesso está condicionado pela opinião de terceiros? Fale-me disso. - pediu pacientemente.

Atrás da ave, uma colecção de imponentes li…

A senhora doutora

Há dias apareceu-me um caroço no antebraço.
Como bom hipocondríaco que sou, fiquei cheio de medo. Entrei em modo doente. Imaginei todos os cenários que consegui.
Fiquei ansioso. Ansioso pelo dia de hoje. Ansioso por ir ao médico.
Consciente cidadão, dirigi-me a um centro de saúde publico e fui atendido com prontidão e eficiência. As coisas corriam bem demais. Como não desconfiar. Só 2,50€. Então e as mirabolantes histórias do nosso serviço nacional de saúde que inundam telejornais? Queres ver que vou ser atendido antes do tempo e tudo?
Assim foi.
Ao fundo, uma senhora diz o meu nome em voz alta.
Entrei no gabinete senhora dona médica, cheio de civilização e boas maneiras. Sentei-me após pedir licença.
- Então? - Perguntou uma senhora gorda.
Nem bom dia, nem nada? Mas que é isto?
Em fracções de segundos vi o filme todo. Médica a caminho da reforma, sem orgasmos há anos, descontente e aborrecida, com a atitude típica da maior parte dos médicos em Portugal. O síndroma, "Eu sou important…

A conta no banco

Como todas as pessoas ricas, também eu tenho conta no banco. Aliás. Tenho contas em vários bancos porque sou rico e não acredito na crise. Tenho riquezas.
Na semana passada dirigi-me a uma sucursal de uma banco qualquer com logótipos verdes e um ar modesto.
"Isto é demasiado simplório para uma pessoa tão rica como eu." Pensei.
Há que diversificar. Assim saltei a barreira do preconceito e fui atendido por uma pessoa com óculos.
Vê mal. Talvez seja míope. Se calhar é de trabalhar com notas e ecrãs de baixa qualidade. As letras são muito miudinhas. Os bancos devem ser geridos por pessoas muito sovinas que tratam mal os olhos dos seus colaboradores.
Uma pessoa com óculos. Não muito caros. Tem pinta de mulher casada e com filhos.
"Boa tarde" disse olhando para mim.
Expliquei que queria abrir uma conta à ordem no banco e que tinha ido lá essencialmente para isso.
Sempre quis assaltar um banco, como se faz nos filmes americanos, mas aquele balcão tem um ar demasiado pobre. N…