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A mostrar mensagens de 2010

Ela manda

Saio de outra vida. Saio composto. Bem vestido. Elegante e maduro.
Como num anuncio a perfumes.
Passa a passo na estrada molhada e brilhante. Mesmo no meio.
As mãos exibem luvas pretas, suspensas, longe do do quente do bolso forrado. Saio de outra vida. Mesmo a meio, e volto a pensar na minha jornada. Mesmo a meio.
Ao longe, quilómetros a frente, ecoa um motor, diesel.
Volto a apreciar o silêncio e o relógio que me acompanha. Que me envelhece. A minha viagem, mesmo a meio de tudo, difere de sentido. Tem vida própria e cenas de adultos. Cruza-se com o rebanho no pasto, mas insiste em pular a cerca. Ela não tem medo de lobos. Ocasionalmente até os ataca.
Cenas violentas, algumas chocantes. Algumas com sangue.
Algumas com graça.
Ele corre violenta como o galope de um cavalo, espezinhando à sorte outras vidas. Enfurecendo. Criando azar e outras metades. Mesmo ao meio.
Ela manda.
Não vale a pena contrariar, ou copiar pelo colega do lado.

A minha música é melhor que a tua - Os melhores 5 albuns de 2010

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Sempre quis fazer isto.
Sempre gostei de falar de música com os meus amigos de um modo apaixonado. Fico sempre com inveja quando leio revistas e jornais com este tipo de listas. "Só a mim é que ninguém me paga para escrever parvoíces sobre música."

Assim, cá vai a minha lista com os 5 melhores álbuns lançados em 2010.

Nº1 - Against Me! - White Crosses

Org punk Royalty


O fenomenal algum da banda da Florida chegou ao mundo a 4 de Junho do corrente ano.
Logo na primeira audição um pessoa fica com a sensação que tropeçou numa obra-prima. - Os Against Me!? - Sim.
White Crosses, é um álbum para toda a gente. Mesmo para o pessoal que veste cores e que não é viciado em org Punk. 50 minutos, cheio de canções boas, melodias únicas e uma simplicidade desarmante. 14 faixas onde quem a banda brilha como nunca.
Esta exagero nasceu do casamento feliz entre o talentoso songwriting de Tom Gabel (vocalista e guitarrista da banda) e a visão de um dos maiores produtores mundiais, Butch Vig. Este senh…

"Se não usarmos os palavrões livre e inocentemente, eles tornar-se-ão em meras obscenidades. E para obscenidade, já basta a vida em si."

"Se não usarmos os palavrões livre e inocentemente, eles tornar-se-ão em meras obscenidades. E para obscenidade, já basta a vida em si."

Um grande actor. Um grande texto. Um enorme escritor

A vida em oleo vegetal

Lá está. Curiosamente descobri que, o factor determinante para o aperto em que os cadáveres de sardinha se apresentam dentro da lata - mesmo atingindo a estante de um vulgarizante supermercado - está intrinsecamente relacionado, com o preço do óleo conservante ser superior ao da própria sardinha.
Ou seja, apesar de necessário, o suporte acessório e complementar é mais importante que a matéria prima, condicionando a qualidade desta ultima.
É o que se passa com a arte em geral no meu país.
É o que se passa com tudo no meu país.
Mas se eu tivesse de comparar o meu país com um produto enlatado, e apesar da imagem de 3 sardinhas decapitadas parecer uma bela analogia quando pensamos politicamente, eu sem duvida que escolheria o sangacho de atum.
Algo negro, avermelhado e barato.
Algo que já esteve bem perto de uma espinha dorsal.
Uma coisa esquisita que nos põe a adivinhar? Carne desfeita, passada pelo tempo e pela chuva pesada.
Abro a lata, olho e questiono:
- Mas que merda é esta?
Nas minhas …

Morte aos Genéricos

Gosto de folgar à 2ª feira. É o meu dia de descanso.
Os Genéricos estão todos de mal humor e eu aproveito para ficar a recuperar dos meus atribulados fins-de-semana.
A vida de artista cansa muito.
Da minha janela vejo-os. Observo toda a sua malícia e incompetência. Todos os maus-fígados, toda a maledicência, sempre muito pouco decente.
Merda para eles. Um genérico nunca tem uma alma única. É parte de um rebanho. Não há pastor que os guie, nem fado que os lamente. No máximo podem ser residuais.
Reclamo méritos para mim. Reclamo superioridade. Reclamo direitos de autor no manifesto anti-estupidez. Morra o Genérico, morra já.
E sem Pim.
Que morra porque o mundo não precisa de mais tristes a fazer o mal. A propagandear o mal, a fazer do que é ruim, moda.
Porque fazer o mal é coisa de gente pequena.
Porque ser pequeno é coisa de gente mal formada.
Porque ser-se mal formado é epidémico.
E porque as epidemias existem para acabar com a raça humana.
Pelo menos para manipular o funcionamento da mesma.
-…

O meu tédio é pior que o teu

Isto é como tudo.
Acordas usas peúgas com chinelos, pensas no que vais fazer para o almoço, procuras um casaco porque está frio. Está frio e está feio. Na boca tens um sabor esquisito. Procuras comprimidos. Procuras a casa de banho e sentas-te. Como uma rapariga. Sentas-te porque tens sono e passaste a noite com dores de dentes. E tu não sabes porquê. Feijão frade e atum. Ovos não que já comeste ontem.
Farmácia, estúdio, banho e jantar de anos com amigos... Muitos mesmo. Na farmácia lembra-te de procurar um genérico como dizem na televisão. Coisas do governo.
Acendes a televisão para te irritares e voltam as dores. Volta a vontade, volta o aborrecimento.
A rapariga da farmácia sorri muito. É simpática e agradável. Desconfias sempre de pessoas simpáticas. Tu não és simpático. És arrogante e tens mau fundo. És amargo e amaldiçoado por um cínico já morto. Nada a fazer.
Volta a vontade, volta o aborrecimento.
É Sábado. Mas porque será que os Sábados te incomodam tanto. É trauma. Os Sábados sã…

Os meus amigos são melhores que os teus.

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Amigos que têm tendência para receber gente em casa, lavam mais louça!

A crise dos pinguins

Direito, Economias, Gestão, sempre tive facilidade neste tipo de ciências de pinguins. Só por teimosia e má fé é que estas coisas têm funcionado mal.
Ganancia e mau carácter, vá.
É próprio de gente mal formada.
Magotes de professores e os senhores doutores enchem os nossos ecrãs com concelhos e pareceres sobre a catástrofe que se abateu sobre o sistema financeiro ocidental - fatalmente é claro... ninguém lucrou com isto tudo - Os telejornais e especiais de informação parecem o BBC vida selvagem. Ali está a colónia... Todos a fazerem sons estranhos e desesperados para acasalarem com uma pinguinha toda muito bem posta.
Só que os olhos não mentem. Quando cruzo olhar com a fêmea sei de que raça é ela. É dada. É secreta. É bandida.
Ao lado e ao fundo vem alguma coisa para cá, muito lentamente e num andar esquisito. Tenho dificuldade em ver quem é porque sou míope.
- Ah é o teu par. Está na hora de me retirar. - gracejo com um sorriso.
- Eu já te digo coisas. - Responde a pinguinha insinuan…

A minha música é melhor que a tua - The Flatliners “Count Your Bruises” (acoustic at Riot Fest)

As listas estão fora de moda

Dizer estilismo está fora de moda. Também as palavras têm popularidade flutuante.
Com as ideias passa-se o mesmo. Felizmente e por mais que tentem, não se consegue catalogar ideias. O rasgo não se troca por pontos acumulados. Não há carregamentos de sensibilidade.
Manta "Dralon". Lençol em flanela. Lençol com elástico. Manta polar. Cobertura de colchão. Almofada de penas. Lençol em micro-fibras. Edredão. Colchão 140x 200 cm.
Perder continua fora de moda. Perder nunca será o novo preto. Se perdemos um sonho, perdemos um pouco de nós.
E se perdermos... nunca existirá um nós.
Casaco com capuz. Sapatos casuais. Carregador de bateria. Extensão eléctrica.
Exercer poder está fora de moda. Reclamar sim, mas decidir não! Isso é coisa de quem quer mandar e querer mandar é hábito muito mal visto. Escolher nunca. Há que ficar no mesmo sitio e esperar que o vento mude.
"Se todos são imbecis, não sou eu que me vou armar em esperto."
"Pralinés" crocantes. Peitorais. Queijo …

O Divã - I - As madeiras

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É esquisito estar deitado neste divã.
Em plena luz do dia. Acordado e a falar do que não quero.
Os meus olhos viajam por todos os pontos do consultório.

- Não o irrita? A mim tira-me do sério. Os escritores nunca dizem mal uns dos outros. Alguém que venha dizer que Os contos do Gin-tonic é o livro mais parvo de sempre.
- Tenha calma. Dificilmente o livro terá esse recorde - respondeu divertido.
- Sério - insisti - Você já leu aquilo? Se eu fosse escritor ficava envergonhado. Desprestigia toda a literatura nacional.
- Mas lembre-se que o livro teve bastante sucesso.
- Isso depende da noção de sucesso de cada um.
- E você? Acha-se uma pessoa de sucesso?

Na ultima prateleira da estante, está uma estatueta de loiça. Um mocho que tudo vê e que tudo ouve.

- Lá está. Isso depende da noção de sucesso de cada um - brinquei.
- Vá lá. Faça um esforço. Acha que o sucesso está condicionado pela opinião de terceiros? Fale-me disso. - pediu pacientemente.

Atrás da ave, uma colecção de imponentes li…

A senhora doutora

Há dias apareceu-me um caroço no antebraço.
Como bom hipocondríaco que sou, fiquei cheio de medo. Entrei em modo doente. Imaginei todos os cenários que consegui.
Fiquei ansioso. Ansioso pelo dia de hoje. Ansioso por ir ao médico.
Consciente cidadão, dirigi-me a um centro de saúde publico e fui atendido com prontidão e eficiência. As coisas corriam bem demais. Como não desconfiar. Só 2,50€. Então e as mirabolantes histórias do nosso serviço nacional de saúde que inundam telejornais? Queres ver que vou ser atendido antes do tempo e tudo?
Assim foi.
Ao fundo, uma senhora diz o meu nome em voz alta.
Entrei no gabinete senhora dona médica, cheio de civilização e boas maneiras. Sentei-me após pedir licença.
- Então? - Perguntou uma senhora gorda.
Nem bom dia, nem nada? Mas que é isto?
Em fracções de segundos vi o filme todo. Médica a caminho da reforma, sem orgasmos há anos, descontente e aborrecida, com a atitude típica da maior parte dos médicos em Portugal. O síndroma, "Eu sou important…

A conta no banco

Como todas as pessoas ricas, também eu tenho conta no banco. Aliás. Tenho contas em vários bancos porque sou rico e não acredito na crise. Tenho riquezas.
Na semana passada dirigi-me a uma sucursal de uma banco qualquer com logótipos verdes e um ar modesto.
"Isto é demasiado simplório para uma pessoa tão rica como eu." Pensei.
Há que diversificar. Assim saltei a barreira do preconceito e fui atendido por uma pessoa com óculos.
Vê mal. Talvez seja míope. Se calhar é de trabalhar com notas e ecrãs de baixa qualidade. As letras são muito miudinhas. Os bancos devem ser geridos por pessoas muito sovinas que tratam mal os olhos dos seus colaboradores.
Uma pessoa com óculos. Não muito caros. Tem pinta de mulher casada e com filhos.
"Boa tarde" disse olhando para mim.
Expliquei que queria abrir uma conta à ordem no banco e que tinha ido lá essencialmente para isso.
Sempre quis assaltar um banco, como se faz nos filmes americanos, mas aquele balcão tem um ar demasiado pobre. N…

Tulicreme e o resto da pandilha

Eu um dia chateio-me a sério. As urgências femininas são testes de fé. Agora descubro porque é que os chineses se fartam de matar mulheres. É para não as aturarem.
Parece que ser chata é condição sine qua non para ser mulher.
Já foi tempo em que os lugares comuns eram mal vistos. Desta vez ergo a bandeira branca. Já nada é mal visto. Já tudo foi espreitado e tudo correria melhor se ela atendesse o telefone. Preciso de me acalmar. De ter a certeza. Atende o telefone.
Dou por mim a comer pão com Tulicreme, fazendo tempo sobre o tempo. Não tenho pressa porque não posso.
É a mediocridade dos tempos do fim do mundo.
Na televisão está um profeta moderno. Gravata e cabelo bem penteado. Cheio de truques de venda e de oratória. Um alinhamento cósmico desfavorável e um planeta cheio de pressões. Da religião ao ambiente. Tudo ligado por um vídeo cheio de criancinhas e catástrofes naturais. Na televisão acredita-se em Deus.
Agora gostava mesmo de ser salvo por um intervalo.
E ela que não telefona.
Ma…

Um poeta de quadras para manjericos - parte VII

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"Ó Rapazinho. Eu sou do tempo em que fumar era giro e levar no cu era feio!"

Se as gramaste, algumas fizestes

Não há nada como arrancar em direcção ao frio. Tudo sem acordo ortográfico ou preocupação.
"A Puta que te pariu. A culpa disto tudo é da puta que te pariu!"
Os gritos não me distraem. Estou de rastos. Passei horas a organizar computadores e doenças vindouras. Apagar, excluir, tenho amachucado furiosamente tudo o que é lixo digital. Ficheiros, pastas, imagens, documentos, as merdas todas.
Ao fundo ouve-se uma chapada e um grito. Deixo cair o cigarro com desprezo e aposto com os meus botões. Hoje não há apoio à vitima nem violência doméstica. Hoje é o meu dia de ignorar sofrimento alheio. A minha consciência reza para que ele não a mate. Que passe de hoje.
Amanhã terei de voltar ao computador e envelhecer deselegantemente.
Amanhã é dia de deambular entre dores de costas e raios de sol de Outono.
Merda para isto. Cada vez é mais complicado fazer bem.
Fazer para quem? Falta imaginação e inteligência. Não há nada a fazer.
Outro grito e nem uma luz se acende.
Ao longe o que está longe.…

Sabem onde podem por a nossa cultural?

Estou cansado. Farto de ideias para o meu país. A intelectualidade os seus paradoxos e as alterações de estatutos. As revisões. As reformas. A esquerda da revolução e a revolução que os mesmos não querem. Os alinhados e os instalados. A cunha da sobrinha do primo da cunhada em manifestos anti mérito. Anti talento. Tudo sabe a leite com chocolate. É desinteressante e infantil.
Tudo é subsidiado, e apoiado, muito bem pago. Tudo é para poucos e para os mesmos.
Sempre em crise é claro.
Desisto.
Sabem onde podem por a nossa cultura?

A neura

Basta só. Eu nem sei o que basta. De vez em quando acontece alguma coisa e a coisa dá-se. Parece bruxedo! De príncipe a sapo em menos de nada.
Da cozinha ouço uma voz ensonada.
- Tou a saborear um cabelo.
- Sabe a shampoo?
- Não.
- Então é um pintelho.
Soa mal quando a faca cai no lava louça.
Lá está ele. Encostado a aduela comendo pão com algo estranhissimo.
- Hoje estamos muito espirituosos. Só gracinhas.
E estou. Hoje estou para parvoíces. Já sei que o resto do dia vai ser magnifico. Eu sou assim. Baixo as expectativas para me surpreender.
A minha reflexão é interrompida.
- Escuta lá? Existe alguma razão para a balança estar sempre entre o bidé e a sanita?
Nunca tinha pensado nisso. Talvez goste de inventar simetrias? Esta manhã está a ser muito parva.
Ao meu lado o copo de leite é bebido de penalty
- Ahhh... Estou satisfeito... Hoje sonhei com uma parvoíce. Sonhei que a Matilde me tinha enganado. Estava aos pulos de um lado para o outro, a gritar e exigir que ela me dissesse a verdade - riu-s…

O sentido aranha dos pobres

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Toda a gente têm uma urgência parva em falar do tempo. Eu não sou excepção!
Hoje quando me levantei reparei que estava mais fresco. Depois das altas temperaturas e do vigoroso sol que nos fez companhia ontem, sou confrontado com um céu ameaçador. Com cara de poucos amigos. Apenas cinzento. Nada de azul. Como milhares de pessoas dizem neste momento: "Está fresquinho!"
Ora eu estou triste por não ter alguma parte do corpo que me alerte para as mudanças de tempo. Toda a gente tem um joelho ou um cotovelo especializado em câmbios metereológicos. Quem é que nunca ouviu?
- Isto amanhã... Isto do tempo vai mudar. Já tenho a anca a dar sinal.
É como o sentido aranha de Peter Parker. O Homem Aranha está dotado de tipo de pressentimento, que o ajuda a desviar-se das coisas más que os vilões lhe atiram.
Eu não possuo esse poder.
As pessoas insistem em exibir esse "dom" constantemente
- Olhem para mim, eu consigo saber se amanhã vou vestir camisola ou não. Sou especial. Eu adivinho a…

Já não há cartas de amor

Já não há cartas de amor.
Pelo menos das verdadeiras. Das que falam de amor verdadeiro. Do tempo onde não existem telemóveis. Por a chave do correio na ranhura, amachucar a publicidade e ficar com aquele sorriso felizmente estúpido. A magia da surpresa. Ansiosos entramos em casa e apressadamente lemos as linhas mais ternas. Puro romantismo. Mariquices apaixonantes.
Tenho saudades do que é genuíno. Do que é puro. Tenho saudades das pessoas.
- Eu não sou muito dado a essas coisas de brincar aos vampiros! Se ela quer festa desse tipo, tem de tar limpinha.
É daqueles gajos que tem opinião para tudo. Malta da calça de ganga. Devia ter escrito na testa - Há 36 anos a usar ganga.
Do outro lado da rua, ao bando de jardim mais próximo da paragem de autocarro, está um menino de cabelo curto. Nas mãos "Tabacaria". Uma edição toda catita, com traduções em Inglês e Francês. O puto tem 12 anos. Ele nunca viu uma tabacaria. Só camiões cheios de gado. Autocarros da carreira velhos. Coisas que…

Um poeta de quadras para manjericos - parte VI

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"Agora os surfistas não podem usar pulseiras do equilíbrio. Dizem que melhora o desempenho dos atletas e desvirtua a competição. Só não proíbem os piercings na língua. Porque será?"

O peixe-aranha, rock evangélico e bolinhas de cuspo

Estou desempregado e ele quer estar. Estou deprimido e cansado. Aborrecido com o mundo e com a tecnologia. Ele diz que a culpa é dos americanos e dos seus foguetões parecidos com pilas gigantes. Eu digo que ele é obcecado por genitália e pornografia. Para ele tudo no mundo ou é uma "gruta" ou um "mastro". Estou desempregado e ele só quer largar a padaria e continuar a fornicar as amantes do chefe dele.
- Têm todas óculos. O Lopes deve ter algum fetiche com lentes.
Uma gargalhada e milhares de migalhas. Partículas e migalhas e saliva, pelo sofá, pela mesa e pelo tapete. O aspirador está na despensa. Está velho. Gostava de comprar outro mas estou desempregado.
- Noutro dia, quando passei lá à tarde para receber, aquela mais magrinha teve de o gramar. Que boa pá. Muito muito boa.
Imagino. Deve ser um espanto. Ele tem um péssimo gosto. Tudo é vulgar e vulgarizante.
- Fomos para o anexo. A pêga estava de saia. Apliquei-lhe logo o movimento do peixe-aranha. Digo-te, ela não é…

Atenção! Atenção! Apelo à população

Dormir nu é que é!
Livra-te do teu "vidro duplo".
Isso de andar sempre com a pila protegida cria uma habituação mariconsa. É um pedaço de cobardia genital. Não prepara o menino para as situações mais agressivas.
Tudo se treina. O pénis não é excepção.
Quantos de vocês conhecem alguém que usa boxers por baixo dos calções de banho? Quantos conhecem duas ou mais pessoas que o fazem? Quantas vezes repararam na protecção contra o ataque dos monstros marinhos? Muito sucintamente. É ridículo! É como usar sandálias e meias. Para quê aconchegar? A pila não cai, nem foge, e alem de ter vida própria e despertar nas ocasiões mais inconvenientes, não se deve domar.
Homem que é homem, caça, sofre e aguenta.
Diz não ao "vidro duplo"!

P.s - no próximo post: todos os truques e dicas sobre o movimento do "peixe-aranha", como evitar o rock evangélico, e ainda, bolinhas de cuspo: arte ou javadice?

As respostas do Quentin - Alvoroço canino

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Na noite de ontem cheguei ao pé do cão e perguntei:
- Quem música parva é esta que põe os cães todo em alvoroço?
- Chama-se Trance.

Domingo de manhã

Há muito que não via um domingo de manhã.
Sabe-me bem. Especialmente depois de uma noite de Sábado muito frouxa, cheia de nada.
A matemática insiste.
Dores nas pernas, tédio, três ex-moscas que atentaram contra o meu sono. Aqui chego. Lúcido e acordado, numa manhã de Domingo! Sem nada de especial para fazer à tarde. Talvez um bruto filme que passará entre intervalos de meia hora? Talvez pegar na guitarra? Talvez esperar? Talvez organizar coisas pendentes?
A matemática insiste.
Mais magro, mais denso, mais só e mais nervoso. Não há muito mais para mim.
Pelo menos num Domingo de manhã.

Fãs de ciclismo. Arrependimento e perdão

Ia escrever sobre ciclismo, mas depois cai em mim.
Sim, as roupas são ridículas, os gajos rapam-se todos, aquilo sem doping é impossível. Concordo com tudo.
Contudo, ser "treinador" de uma equipa de ciclismo deve ser uma belo profissão.
Alguém te paga para passeares de carro, tranquilamente e sem cinto. Só tens de dizer "Vai", "Puxa", "Vai com ele", "Ataca", "Tu consegues", "Acredita".
Confesso.
É um pouco mais complicado que ser treinador de atletismo.
Quando treinas uma atleta, o único sacrifício que fazes, é o de comer uma gaja feia.

Fora o ciclismo e fora o atletismo.
São coisas estúpidas!

Bom fim de semana

As perguntas do Quentin - Lençois de seda

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Gosto de cães.
Alias, o meu companheiro está mesmo a meus pés. Justo descanso.
Antes de adormecer fez-me uma pergunta.
- O que é um grande amor?
Ele anda um pouco desanimado. Apaixonou-se por uma cadela vadia que vive no fim da rua. Já a viu rodeada de outros cães e ficou triste. Desiludido. Muito sinceramente, eu acho que ele consegue fazer muito melhor, mas o coração dele embicou para ali.
Tentei responder com graça.
- Um grande amor é o que te valeu, quando mijaste à porta de casa.
Mexeu os olhos na minha direcção, desviou o tapete com a pata e esticou-se melhor no chão frio para refrescar. Continuou a olhar para mim sériamente e insistiu.
- Gostava mesmo de saber...
Sentei-me ao pé dele, dei-lhe um beijinho. Enquanto lhe fazia festas comecei...
- Um grande amor não se define. É coisa complicada. Simplesmente sentes a sua dimensão. Sentes o seu peso. Tem importância e vive contigo. Nunca o abandonas, nunca deixas de o carregar. Faz parte de ti. Se ele desaparece, ficas menos. Ficas mais peq…

Um poeta de quadras para manjericos - parte V

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"Fisalis é tipo chinchila. É uma ganda confusão"

A critica construtiva

Existem muitos culpados no estado da música em Portugal.
É estrutural e sistémico.
Começamos pela falta de cultura musical. Somos um povo demasiado sereno. Até para mexer o cérebro. Alem disso e segundo os famosos subsídios, nem todos os tipos de música são dignos. Quanto à formação, toda ela é uma palhaçada. Completamente desactualizada. Os instrumentos são caros, existem poucos sítios para tocar, os públicos são inexistentes ou residuais, não existem verdadeiros produtores, ninguém conseguiu fazer uma masterização decente, as editoras só estragam e as rádios rebentam com o resto.
Estou treinado a discutir estes temas. Não me vou dispersar por aqui. Tenho apenas que vincar que o principal culpado deste imbróglio é o produto.
Ou seja, o que os artistas e as bandas têm para vender às pessoas.
(Ora eu não vou generalizar porque seria injusto para muita gente. O cenário é confuso e promete tormentas, mas existem coisas muito boas.)
Mas é nas ideias que a música vive. Na inspiração, na origin…

Um poeta de quadras para manjericos - parte IV

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"Pares de cornos? Isso é como diz um amigo meu. Só custam os primeiros."

Ihr Revier ist die Autobahn (4 dias no SW Alentejano)

Alarm für Cobra 11 - Na RTP: Alerta Cobra.
Os meus amigos já sabem.
Domingo à tarde, no período de ressaca, depois de uma manhã mal dormida... tudo passa com um almoço ligeiro embalado pela empolgante acção da série alemã. Perseguições a alta velocidade e os melhores acidentes de viação da história.
Já tinha visto umas cenas nos canais de cabo, mas quando ouço alemão, da-me um espasmo no dedo e mudo de canal.
Pavlov conseguiria explicar.
Será pelos, Scorpions, Rammstein, Tokio Hotel, Helloween, Die toten hosen... mas o que é isto? Façam com os franceses. Desistam do rock. Está provado: não há talento musical para tanto.
Ou terei ainda uma imagem de que os Godos, são um povo de tarados obesos, que invadem a Madeira para oferecer gelados aos garotos? Gigantes de pele leitosa, Deambulando babosamente pelas mais sórdidas fantasias da ilha... arrastando a sua psicose e olhar tresloucado.
Se calhar vou ter sempre preconceitos com os macavencos.
Por mais que tente não discriminar, eles parecem-…

Um poeta de quadras para manjericos - parte III

"A minha filha joga futsal. O meu miúdo já fez três workshops de Salsa. E depois é o preto de carapinha loura, que não é natural."

Quando acontece é lixado

Acontecer (ê)
v. intr.
Suceder inesperadamente (o que não se tinha previsto ou já se previra).
verbo unipessoal

Quando acontece é lixado.
Quando a única explicação é o acaso, o destino, o fado, o fatal... é muito doloroso.
A mim interessa-me este lado do oculto. Justificar o insjutificável. A facilidade como nos escapa da boca, "aconteceu". Mesmo quando estamos a mentir. Encolhemos os ombros preguiçosamente, e desviamos as restantes perguntas como um catavento num dia de vendaval.
Isto está enraizado. É como o "foda-se". Serve para tudo.
- Então, bateste com o carro?
- Pois foi. Aconteceu.
(Factos como, estar bêbado, conduzir em excesso de velocidade, distraído e cansado, são irrelevantes)
- O sr Presidente de Junta tentou apropriar-se de património alheio, com a finalidade de o vender e receber dividendos desse crime?
- O sr Juiz vai-me desculpar, mas é uma oportunidade de negócio para objectos sem uso. Acontece.
(Corrupção, fraude, tráfico de influências, abuso de poder. …

No dia mais quente do ano - O Mundo que se prepare...

Assim não vale. Ainda vamos todos presos

Ontem estava a ver televisão e um reclame ao Danone Spiderman, despertou-me o instinto.
Peguei no meu notebook e escrevi: "O Danone Spiderman, sabe a quê?"
Continuei divagando pelas variàveis da questão:
- Sabe a Homem?
Os meninos mais sensiveis e habituados a tios que andam sempre com chupa-chupas, são um nicho de mercado como outro qualquer.
- Sabe a aranha?
Quem é que quer comer uma aranha? E mesmo quem estiver habituado às gastronomias asiàticas, facilmente apanha uma aranha. Não é preciso pagar.
- O iogurte tem super poderes?
Isso dava jeito... mas mesmo assim, um iogurte não é uma poção mágica. E mesmo que fosse, quantas embalagens teriamos de comer para o sentido aranha disparar, ou, para ter a força e agilidade de Peter Parker?
Fui investigar.
Mal chego ao google, descubro que o Danone Spiderman não é o unico iogurte esquisito do mercado. Sequer o meu favorito.
Peguei no meu notebook voltei a escrever: "O Danone Hannah Montana, sabe a quê?"

Bom fim de semana!


in http…

Um poeta de quadras para manjericos - parte II

"Fico doido. Em Inglaterra nasceu uma menina branca e loura, filha de pais nigerianos. Não é albinismo e o casal já tem dois filhos pretinhos. Gostava de falar com o pai e perguntar-lhe se ele é estúpido!"

Tsubasa goal

É sempre engraçado quando revemos os desenhos animados da nossa infância.
Fico sempre com uma sensação agridoce. Vejo, mas já não vibro. Já não estou ansiosamente colado ao ecrã para ver o resultado... aliàs... eu já sei o resultado.
Ultimamente reencontrei-me com o Tsubasa.
Houve um génio qualquer da rtp - daqueles que andam para lá ao pontapé - que resolveu aproveitar o embalo do mundial e colocou na grelha da rtp2 a série Oliver e Benji. Capitan Tsubasa (como se diz pelo estrangeiro). Detalhe. Duas vezes por dia. Segundo detalhe. À hora do almoço e à hora do jantar. Ou seja, já vi o Oliver, o Benji Price, Mark Landers, Toby Misaki, o Julian Ross e o seu problema de coração, o remate falcão do outro apanleirado, o Roberto, etc.
Realmente é um animé fantástico. É engraçadissimo ver futebol assim. Grandes golos, jogadas impossíveis e pseudo fintas. O jogo é animado e como em Inglaterra, ninguém sabe defender. Aparecem sempre sozinhos, ninguém marca o homem, é raro ver um cartão amarelo. …

Um poeta de quadras para manjericos

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" Ir ao Avante? Nunca. Já estive 3 dias sem cagar e jurei para nunca mais! "

Game, set and match

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Viver no campo tem destas coisas.
Repentinamente deixamos a alienação tecnológica e o mundo sedentário para nos dedicarmos ao nosso bem estar. Até eu voltei ao desporto. Tenho disponível uma bicicleta para passear, e para dar uns saltinhos. Infelizmente esta actividade dá-se mal com os meus órgãos genitais.
Assim, sempre que tenho companhia, volto ao meu amor antigo: o ténis
Ainda hoje estive 4 horas, com alguns dos meus melhores amigos, em emocionantes partidas. Federer & Nadal vs Sampras & Agassi.
Este desporto em ambiente rural tem as suas nuances.
Desde já ninguém paga o aluguer do espaço. As freguesias, autarquias, e gatunos afins, têm de "fazer coisas para a juventude". Toda a terrinha, mesmo sem crianças há 30 anos, têm uma infraestrutura desportiva para servir a população. Mas há mais.
Existe um silêncio fantástico. Ideal para a concentração. O court chama-se "campo". "Volar" corresponde a servir. Ninguém sabe os nomes das diferentes pancada…

Ontem fiz amor com uma vampira. Tenho a cama cheia de sangue!

'Tou com uma dor de costas terrível. Passo a explicar...
Eu vivo afastado da população. Praticamente no meio dos bichos. Osgas, sapos, ouriços... até galinhas. Espécies selvagens. De tudo um pouco é avistado nesta zona. Uma coisa que se encontra por aqui com alguma frequência são vampiros. Existem muitos ratinhos do campo, por vezes até uma cabra ou outra, e têm sempre reboques de tractores para descansar um pouco, quando o cansaço chega.
Os locais estão habituados à vampiragem. Toda a gente tem um crucifixo em casa e como à noite dá a telenovela, ninguém se cruza assim muito com os sugadores de sangue. Estes últimos também não morrem de amores pelos camponeses. Não gostam do cheiro. Muitos vampiros migraram para o campo vindos da cidade, e são um pouco snobs com os aldeões. "Viemos pela natureza, pela paz de espírito, pelo sossego, e estas bestas só querem eucalipto, milho transgénico e motos 4. E aquelas rosáceas... Vê-se bem que só bebem vinho de merda."
Eu estou um po…

O ano da morte de Saramago

Fazer retrospectivas no final do ano, é coisa de bailarino.
Eu faço-o numa altura diferente. Em Julho. Um dos meses mais parvos. O mês onde mais se finge trabalhar. O sétimo mês marca um dos pontos mais importantes do ano: A pré-época do Benfica.
Sei que doravante terei o meu tempo condicionado. Também eu estou em estágio para conseguir aguentar a extensa e penosa temporada futebolistica. Sei ainda que depois das férias de verão, entramos nas depressões, nas filas do desemprego, nos novos programas da tarde.
Assim enquanto espero que fique menos calor para aproveitar o meu verão, entretenho-me a fazer balanços sobre o ano.
Era isso ou andar pelas feiras medievais a brincar com outros adultos, cheios de cabedal e espadas. Tal e qual como numa música de Manowar. Descobri ainda, que existia um festival erótico medieval, onde podemos ver o João Cabeleira (dos Xutos e Pontapés) em cima de um cavalo. Tudo com silicone e fios dental q.b. Varões, brasileiras manhosas, espanholas manhosas, malta d…

A internet dos outros

A Internet dos outros é sempre melhor que a minha. É histórico. Desde o tempo dos 56k que não estou em igualdade com outro utilizador qualquer.
A banda larga apenas me aumentou as contas de telefone. Passei a gastar tempo e dinheiro a reclamar, a renegociar, a pedir informações. Gritei com uma série de operadores de callcenter - essa raça feliz, com aquele brilho nos olhos - tendo recebido em casa um número exagerado de estafetas, técnicos de instalação, entre outros.
Assim não foi com surpresa que mesmo antes de utilizar a nova banda larga tmn, consegui fazer duas reclamações e passar 1h ao telefone a descompor os iluminados que contactam com o publico. "Como se chama?", "Como posso reclamar?", "Quanto tempo vai demorar?", "E o que é que eu tenho a haver com isso?"
Logo pensei. "Tive sapo adsl (em duas casas), netcabo, meo, vodafone, tmn e nenhuma delas funcionou normalmente." Mas os cabrões têm dinheiro para sustentar agências de publi…

A moda de ser burra!

Eu não sou de há muito tempo, mas certamente serei doutro tempo.
No meu tempo não existiam revistas para mulheres tão estúpidas. Aliás, acho mesmo que a estupidificação feminina é coisa do apocalipse. Se estamos perto do fim, a culpa, tal qual como no inicio, será delas. Pobre Eva.
Tudo começou quando me passaram com desprezo, um colorido monte de papel que dizia na capa, “Gosto de ser a outra”. O artigo é composto por um conjunto de “testemunhos” falsos que assumem ser amantes de alguém. Cheira a “Sexo e a Cidade” em cada frase. A aventura, a excitação, os momentos de diversão, o sexo fantástico (Quem é que qualifica o sexo como fantástico? Só um jogador de futebol ou um cavaleiro tauromáquico depois da alternativa), a emoção de viver um triângulo amoroso, como nos filmes de Domingo a tarde. Cá para mim que sou ordinário, estas revistas são escritas e para, chatas mal jeitosas assim a dar para o “infantil-ou-besta”, que nunca foram amantes de ninguém, simplesmente porque ninguém lhes p…

Não há culturas feias

Confesso que me sobressalta esta necessidade das pessoas conhecerem "novas culturas".
Para uma pessoa insegura como eu, a hipótese de levar uma tampa da "nova cultura" é aterrorizadora. Prefiro que a "nova cultura" me queira conhecer a mim. Quebra-se o gelo muito mais facilmente. Também existe outro facto que acho abusivo. Ninguém pergunta à "nova cultura" se quer ser conhecida. Esta descoberta pode ser uma violação de privacidade com consequencias muito graves. Violentas até. Esta mania que temos de ambicionar a mulher do vizinho deixa-me melindrante. Não é coisa correcta. Estar sedento de conhecer e experienciar a "nova cultura", é como levar uma adolescente para casa. Um corpinho rijo e hormonas revolucionárias tendem ser derrubados por muito pouco conteúdo. É o que se passa com a maioria das "novas culturas". Não estão maduras. São sobrevalorizadissimas e brevemente envelhecerão para uma "média cultura", cheia op…